Quando o prato arrefece

E eis que entras em campo, assim do nada. Isto é uma partida de futebol e estás fardado de jogador de golf. Entras no campo com sorriso de vencedor mas ninguém sabe quem tu és. Nem querem saber. Aproximas-te das meninas da claque à espera de aprovação mas mais perto te chegas, mais elas se afastam. És tão mais giro ao longe. E andas à nora, a marcar golos só porque é suposto marcar golo. Marcas na tua baliza mas não te importas, importa é marcar e marcas. Não sabes as regras do jogo mas marcas. Seja lá o que for, tu marcas.
E o jogo continua e tu corres (é na direcção contrária, ó tosco) acenas para o público e nem reparaste que é intervalo... estão a olhar para os comerciais. Sem stress. Tu vais conseguir.

Juntas-te aos bons e eles nem te conseguem ver. Mesmo aos pulinhos, tu não chegas lá.
No dia seguinte entras em campo com o fato de mergulho. Ainda não entendeste que isto é outro jogo. Andas ali, a correr com as barbatanas [andas para trás?] de máscara na cara e corres aos tropeções. Importante é a ilusão. Ninguém te vê, toda a gente repara em ti. É esse o objectivo, e tentas marcar golo... cada vez mais difícil.

E no outro dia entras de jogador de cricket. Cavalo montado, branco, a dar a ilusão do príncipe encantado, e corres... ou melhor, pedes ao cavalo para correr, que isto ta mau.. ninguém topa o plágio mas andas cansado. Correr assim cansa.

E vais descendo de divisão, de estatuto, e já ninguém acredita em ti e és conhecido [reconhecido] como o gajo que marca golos na sua própria baliza e não vão a jogo... já não vão a jogo.

Não tinhas reparado na tua claque constituída por uma menina que tinha em seu poder o equipamento certo. As tácticas, os truques. Ela levanta-se cabisbaixa, vira-te as costas e vai se embora. Tudo é melhor do que ver a decadência. Vai para casa e vê a "liga dos últimos". Bem mais giro, bem mais interessante.

M

7 comentários:

Anônimo disse...

interessante, tens coragem para dizer a quem é dirigido isso? Não me cheira, mas enfim...

@na disse...

Não se trata de coragem, nem se trata de ser dirigido a alguém. Pratos arrefecidos, são corpos inertes, histórias acabadas e para restos mortais só há um destino; cavar um buraco bem fundo, atirar tudo lá para dentro, tapar novamente e nem colocar lápide para nos lembrarmos do local.

teresa disse...

Olá M.

Tenho uma versão curta disto - andar a caçar elefantes com redes de borboletas no cimo dos himalaias...

O Santo disse...

criket a cavalo??

Ola M

Mãe da malta disse...

Será Polo?

(adoro as camisas)

teresa disse...

Se fôr Polo espero que não seja aquático ou ainda começa a meter água..

shark disse...

(Aquela das barbatanas deixou-me preocupado, assim de repente...)
Mas qué isto, Gaijas? É posts magníficos uns atrás dos outros, uma pessoa até se engasga com tanta prosa baril...