" as pessoas querem é sentir amor, nem que seja por breves instantes, finge-se que é por prazer mas qual quê, é por amor"
Z.

Claro que sim, claro que querem sentir amor. Nem que seja por uns instantes. Mas querem sempre de quem não está lá...na mesma onda deles. Daqueles que atiçam qual jogo de poder. É desses que geralmente se quer o "amor", de quem é pouco provável recebê-lo. É uma viagem em que a paisagem tem mais interesse do que o destino. É um passatempo com piada. Com garra. "Até onde consigo ir", "Até onde consigo ter".
Queremos sempre "O amor", nem que seja para tapar o buraco que foi deixado no nosso coração, no nosso ego, na nossa vida. Nem que seja porque "mordidela de cão sara com pêlo de outro". É tão, mas tão pouco provável querer o amor de quem nos ama e uma vez lá, é tão mas tão pouco provável estimá-lo e agradecê-lo.
Há sempre mais, há sempre melhor, há sempre mais rápido e há sempre tempo e lugar para mais. Queremos sentir amor, sim, mas não de quem nos ama, esses já foram conquistados. Queremos do outro, daquele do outro lado do oceano que nunca nos viu nem sequer nos sonhos. É esse que queremos, porque é giro querermos, é giro cativar. Mais giro do que estimar. Muito mais.
Há um gajo qualquer que dizia "é tão pouco provável amar alguém e ainda mais difícil amar que nos ama". Talvez tenha razão. E quando acontece, façamos como a Katie Melua e acabemos com a busca. End.

23 comentários:

shark disse...

Olha que não consigo encontrar por onde contestar este teu raciocínio, Caos...

gaija do norte disse...

não penso exactamente assim. estimar, alimentar o que se tem é tarefa muito mais árdua, logo não menos estimulante. quando amo gosto do que tenho, e não olho para o lado. o olhar só começa a ser desviado quando não me sinto alimentada também...

Anônimo disse...

conheço a lógica dessa paisagem, existe. Afinal é o que cantava o Variações: só quero ter o que não tenho.

No entanto, mesmo conhecendo-a não me reconheço nela. Agora das duas uma: ou me estou a enganar a mim próprio - coisa difícil de discernir, se é que se consegue - ou então não calhou coincidir com o plim fatal e recíproco.

Há outra lógica que também não alimento: a de que mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, dito de outra maneira há gente que embarca em relações por opções contratuais, para não estar só, porque a dois é mais fácil, etc.

Isso não consigo, tenho de amar mesmo, essa mistura de desejo e carinho que nos faz sair de nós.

mas agradeço bem o post, vou ficar a pensar, e também já agora se em cada macho habita um caçador convém lembrar o G Bruno que escreveu o caçador transforma-se na presa e o R Thom retomou no âmbito da Teoria das Catástrofes onde através do desdobramento universal de uma singularidade concluiu que o caçador transforma-se na SUA própria presa.

em qualquer caso através de amores esporádicos consigo vivenciar uma espécie de amor universal que acho delicioso, acho que se chama compaixão, e é como se o Sol me confirmasse que sim

entretanto por falar em Sol tenho de me pôr a escrever senão vem chuva, e é já de manhã por causa das coisas

bom dia para usteds

Anônimo disse...

mas quer dizer, eu já tive relações de muitos anos e ainda hoje somos amigos, amigos mesmo, o que é outra forma de amor

aliás nesta minha queda só não me abandonou quem tinha sido amante/amigo, isto pela parte dos gajos, pela parte das gajas abandonaram todas excepto a minha Fátima, e penso que contentes: não
és meu não vais ser de ninguém, ou parecido.

vocês gajas são muito mais vingativas do que os gajos

também são muito mais amorosas quando um gajo está doente, fazem uma canjinha cheia de carinho

Anônimo disse...

ah, e a minha irmã também não me abandonou embora esteja no outro lado do mundo

e as senhoras dos restaurantes daqui fazem-me sempre umas doses reforçaaaadas, e eu depois como tudo como um gato, até o prato estar limpinho, e ficam muito contentes

Anônimo disse...

há uma parte do que escreves que se pode resumir em 'queremos sempre ir mais além', sim isso não posso denegar, está-nos no sangue de machos e olha que também me apetecia descansar, mas reconheço que é provavelmente um não-lugar

já tratei dos infinitos infinitos para mostrar que existem e estão todos cá

(ontem à noite antes de adormecer já percebi finalmente porque é que a Esfinge está plantada no deserto: ao menos está ao Sol!)

Anônimo disse...

ah, porra: a minha fátima é a senhora das limpezas daqui, nunca foi minha amante, claro, gosta é muito de mim e anda com um pingente ao pescoço que eu uma vez lhe dei, com diamantinhos,

não se pode falar em nomes que é uma chatice

Anônimo disse...

já fui ver quem era essa Katie que não conhecia,

mas então se é para eu ser gaja, ainda não percebi quando, quero ser essa:

http://www.youtube.com/watch?v=hu7n0ccyywY&feature=related

Elis Regina também podia ser

(não há pachorra para cabelos compridos)

Anônimo disse...

(para cabelos compridos em mim!, é melhor explicar tudo)

ai meu Deus penso que já está tudo: mas portanto, se fosses Lindo, Lindo Mesmo, vendia a casa, encontrava o rapaz e íamos 15 dias para a índia ou assim, não?

prorrogável, por mais 15 dias

(Ele também precisa de beijocas e já agora meto uma cunha)

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=k9NLTcwwvOs

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=Scn1W8hQcdw&feature=related

done, e também já mexi no texto, vá lá, semantic manifold

puf

Anônimo disse...

já agora não há dois sem três e eu sou muito casamenteiro (prós outros),

http://www.youtube.com/watch?v=PlB3e1rWzgo

ela é gira sem mais, mesmo sedutora, mas ele eu gostava ver encavado por um negro, em vez de um porsche, durante uns tempos passavam-lhe os suicídios

poça, acho que acabou, relinchei que sei lá

shark disse...

Cataclop, cataclop, cataclap, clap, clap!
És um espectáculo, z.
:)

Anônimo disse...

sim tubazão, mas quem é sensata e tem razão, é a Caos, e nós sabemos disso,

eu só nado contra a corrente porque alguém tem que fazer isso, a bem dos vossos filhos, espero

fica bem

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=32gdVd7LV7Q&feature=related

teresa disse...

Z, deixas-me sempre sem respiração...

Caos, a minha avó costumava dizer que o perfume é como o amor, quem o tem não o sente. Deve ser por isso...

tab@sco disse...

"Queremos sempre "O amor", nem que seja para tapar o buraco que foi deixado no nosso coração, no nosso ego, na nossa vida. Nem que seja porque "mordidela de cão sara com pêlo de outro". É tão, mas tão pouco provável querer o amor de quem nos ama e uma vez lá, é tão mas tão pouco provável estimá-lo e agradecê-lo." Não concordo nada com isto. Quando perde-mos um grande amor, não procuramos outro. Quer dizer concordo com Z. mas não com isto. Pêlo de cão não sara mordidela doutro, não sabem? Quando se perde um grande amor, não há nada que, durante esse luto, o sare. Podemos procurar noutro "pêlo" algum confortinho iludido, podemos procurar prazer (lá vem o Z.), pode ser uma forma passageira de nos sentirmos desejados, mas, meninos, aquele buraco só passa quando tem que passar,tal qual as feridas que lentamente ganham crosta e acabam por sarar. Para mim é o efeito da passagem do tempo esse grande escultor , como dizia a Yourcenar, que faz sarar a perda de um grande amor.Não tenho, nem julgo haver medida para esse tempo, varia, demora mais ou menos, depende. E Caos, asseguro ainda que quero o amor de quem me ama, quero-o todos os dias. Não o estimo e muito menos o agradeço, nem sei bem o que isso é numa relação amorosa, mas sinto-o presente e quero-o e, com toda a cumplicidade, retribuo-o da melhor forma que sei. Isso é o bastante.

tab@sco disse...

Errata ao comentário anterior e perdoem o lapso que "perdemos" é todo junto e não perde-mos, como escrevi!

sem-se-ver disse...

tabasco,
tirou-me as palavras da boca

(maneira de dizer: olé, é isso mesmo)

caos da teoria disse...

Claro que sim, Tabasco, mas há um mundo que não se limita a ti e a mim e a poucas outras; há um mundo lá fora onde vejo pessoas praticamente de coração na mão [e de boa qualidade] e que, só por o terem, são denominadas de fáceis, logo são arrumadas porque "não dá luta" e a outra? aquela doida que não dá flanco? é essa que se quer. O mesmo se passa com os homens, nesse mundo lá fora [que talvez pouco tenham a ver contigo e comigo e com algumas pessoas com quem estamos] que têm tudo para serem bons companheiros mas, hélas, não têm maldade nem cabronice e são arrumados, rotulados de trolhas e tansos. O facto de dizer que "mordidela de cão sara com blá blá blá" pode não funcionar [não funciona, mesmo, concordo contigo] mas é o senso comum de muitas cabecinhas [pouco pensadoras]. A verdade é que nesse mundo lá fora, e como eu o vejo, é que há uma ânsia de luta, de desejo, de apetência pelo que está longe, qual Cristovão Colombo. Há uma necessidade de encher o ego com o amor de outrem porque não se consegue, sozinho, preencher esse vazio [e assim também não se consegue] Não condeno nem aprovo. Só constatei. Mainada.

Anônimo disse...

Teresa: foi porque ontem acordei cavalo mesmo, galopei, trotei, relinchei e depois...

mas ontem andei casto a pensar nisto tudo e fui dormir 12 horas

Anônimo disse...

mas eu sou irmão deste e só não digo que sou ele porque não quero fingir ser mais novo,

http://www.youtube.com/user/danonino666

teresa disse...

E fizeste capicua, z..

Tab@sco, nem mais!