DON'T SAY A WORD

Eu não sei de nada mas ouvi da prima da tia do irmão do melhor amigo do sócio do dono da Boutique da Carne que disse que ouviu a Laurindinha que arranja as unhas com a Fabiana dizer que dois ilustres membros deste estaminé foram ouvidos a debater o tamanho da pila de uma terceira parte.
 
E não. Não eram duas gaijas. Mas eu não sei de nada, obviamente...
 
*De vez em quando apetece-me agitar estas águas. Só isso...

LEMBRAM-SE DE EU DIZER QUE TINHA SAÍDO HOJE DE DEBAIXO DA CAMA?

Foi sol de pouca dura.

Volto a sair dentro de três... Vá... trinta anos.

Man... I'm Shit Queen!

PARA QUEM POSSA TER FICADO BARALHADO...

Com o súbito desaparecimento de um post que andou por aqui um par de
horas, passo a explicar:

RAISPARTA DA CHEFA QUE TEM A PUT@ DA MANIA DE ESCARRAPACHAR O LINK
DESTA MERD@ POR TODO O LADO!*

*Hoje, finalmente, arranjei coragem de sair de de baixo da cama.

Um pé aqui outro ali

E mais uma vez guardei aquela camisola que pouco uso já tem mas de que sou incapaz de me desfazer. Não há razões para não a vestir, até gosto mais dela que da nova que comprei, mas está tão datada, foi tão vista que me sinto desconfortável com ela. Um dia talvez volte a estar no topo da pilha mas por enquanto fica guardada para não se estragar.


Não sei para que serve um blog, para tudo, para nada, mas sei que se não puder escrever o que me apetece nem vale a pena cá vir e, infelizmente, é o que está a acontecer com este blog. Desde há muito que sei que é lido por quem eu não quero que me leia, por quem eu não quero dividir pedaços de mim, por quem eu não quero que tenha uma luzinha que seja dos meus dias mas por quem eu não quero deixar de fazer o que gosto, escrever.

Há um ano, exactamente um ano, recebi um email de quem eu não sabia que me lia e há um ano, há exactamente um ano, comecei a deixar de escrever e agora já nem sei se o consigo fazer ou se o quero fazer longe dos muitos que por aqui andavam.

Na semana passada a Peixa acabou com o blog dela. Lá teve as suas razões, mas Peixa nunca vai deixar de ser. Ela anda por aí e o recomeço dela fez-me ter vontade de recomeçar também. Tentei fazê-lo aqui mas não consegui portanto decidi que também vou andar por aí. Aqui fica a Chefa e a Peixa e quem mais quiser estar, pelo outro lado irá andar uma outra que também sou eu mas que já não é, de certeza, a cabra de serviço.

Mónica e David - I



Passou ontem à noite no Canal 2. Quem quiser saber mais pode ir aqui. Por enquanto não me apetece dizer mais nada mas tenciono voltar à Monica e ao David.

O direito do mais forte à liberdade

Chama-se Maricica Hahaianu mas podia chamar-se Franz Biberkopf porque tal como a personagem de Fassbinder está estendida no chão de uma estação de metropolitano e quem passa não olha e se olha não pára. Franz tinha-se suicidado, Maricica, uma enfermeira de 32 anos, tinha sido agredida estava em coma e ainda não se sabe o que lhe vai acontecer.
A realidade, a puta da realidade, a tão bem imitar a ficção.

E será que já alguém fez linha?


Alex Vega, o décimo mineiro a sair, já está à superfície

Se há alguma coisa de que agora me arrependo...

 ... é de não ter comprado um destes quando fui ao supermercado.

A Peixa tem olho para os gajos

- Como é que se chama o anão?

- Carlos.


Assim, sem hesitar, sem piscar o olho, sem derrapar nas palavras, atirando com a resposta sem fazer perguntas desnecessárias e mantendo o mesmo ar sereno de sempre.


A vida na cidade é difícil. É pelo menos mais difícil que a vida no campo. Enquanto vivi no campo sabia que tabaco e café só na Lurdes mas pelo menos tinha tabaco e café e baile ao fim de semana e isso era certo. Agora, na cidade, a coisa é complicada. Tabaco já sei que têm mas o café está difícil e não é por falta de tentativas. Volta e meia, é só mesmo mais meia, lá aparece a Peixa por aqui e a dúvida é sempre a mesma e agora, que fazemos? e se fossemos tomar um café ali à esquina? e nós lá vamos mas nunca conseguimos tomar um café, o que é estranho, não sei porque não servem cafés, vê-se gente com copos na mão mas chávenas nada. Pelo menos têm tabaco e se não servem cafés e em Roma temos de ser romanos nós, com grande sacrifício, lá pedimos um copo com qualquer coisinha.

E é lá, nesse sítio onde não servem cafés e onde têm um gigante à porta, que anda o anão. Ele não é assim bem bem um anão, ou um midget, ou um dwarf, é só um ser pequenino com ar de duende, que ciranda lá pelo meio sempre de auricular no ouvido e que com um ar sério e mau comanda aquele mundo de gigantes. E eu e a Peixa temos medo, muito medo, que ele olha para nós e até já nos faz assim uns sorrisos e nós temos medo que um dia nos salte para dentro de um bolso sem darmos conta e lá vimos nós com o anão para casa e portanto temos sempre o cuidado de não levar malas grandes e antes de sairmos até os bolsitos das moedas nas jeans nós viramos do avesso.

Café não tomado atrás de café não tomado o anão foi entrando no nosso dia a dia, que é como quem diz nas nossas noites lá de vez em quando, e nós tínhamos pena, muita pena, de não sabermos como se chamava o anão que ele lá por nos sorrir tem cara de mau e não iria gostar se um dia lhe disséssemos olha lá, ó anão,  já que não servem café pelos menos podiam pôr vodka a sério nos sumos de laranja que isto assim não está com nada e se é para beber um suminho ficamos em casa, o nome era mesmo um problema mas da última vez que fomos beber um café ficou determinado que o meu objectivo seria saber o nome do anão, o que não era fácil, que não me dava muito jeito chegar ao pé dele e perguntar ó anão como é que te chamas? porque eu até já expliquei que ele é anão mas manda naquilo tudo e nós temos esperança de um dia ainda conseguirmos beber o tal café. 


Foi então, quase em desespero de causa e assumindo a derrota, que na última noite, já de casaco vestido e abotoado que cá fora faz frio, me abeirei do porteiro latagão que faz origamis e a seco, sem pré aviso ou rodriguinhos, lhe atirei com a pergunta. Como é que se chama o anão? E ele respondeu. Desde aí a minha consideração pela Peixa aumentou bastante. É que ela tem bom olho para gajos, ela sabe escolhê-los, que fosse outro e ainda agora estava a tentar perceber o que lhe teria eu perguntado.E eu gosto de pessoas assim, que as apanham no ar sem precisarem de explicações e agora até podia dizer que tirando o porteiro latagão da Peixa conheço poucas, muito poucas.


E eu tenho de reconhecer que lá por aquilo não ser o sítio da Lurdes, que bem que podem ter tabaco e baile mas não servem café, o porteiro faz a casa e até até agora já mostrou que para além de saber fazer origamis também é rápido no gatilho. Como já disse, a Peixa tem olho para os gajos. Deve ser pelos dentes que lhes tira a pinta.

IN BRUGES

Uma tarde, eu botei a Chefa a ver esta magnifica película. Acho que considero ser o melhor filme non-sense dos últimos anos.

"Ray: A lot of midgets tend to kill themselves. A disproportionate amount, actually. Hervé Villechaize off of Fantasy Island. I think somebody from the Time Bandits did. I suppose they must get really sad about like... being really little and that... people looking at them, laughing at them, calling them names. You know, "short arse". There's another famous midget. I miss him but I can't remember. It's not the R2D2 man; no, he's still going. I hope your midget doesn't kill himself. Your dream sequence will be fucked. 
Chloë: He doesn't like being called a midget. He prefers dwarf. 
Ray: This is exactly my point! People going around calling you a midget when you want to be called a dwarf. Of course you're going to blow your head off."

Yeah, it all happens in 'fucking Bruges' (it's in Belgium). Se não viram, não sabem o que estão a perder. As cenas com o anão são priceless...


(Sim, alguém tem que botar aqui um bocadito de cóltura, tá?)

E a outra é que é a selecção de todos nós? Somos uns tristes, é o que é...


A selecção portuguesa de Natação de síndrome de Down fechou em Taipé, Taiwan, a participação no 5º campeonato do Mundo da categoria com quatro medalhas de bronze.
No último dia de prova os atletas portugueses alcançaram o lugar em seis finais. O atleta Ricardo Pires conquistou medalhas nas provas de 200 livres, 200 metros  estilos e 200 metros bruços, e Mannie NG foi a terceira classificada nos 100  metros bruços.
(nota mental: raios partam a minha preguiça e o meu desleixo e mais a outra carrada de defeitos todos, sim, leva lá a bicicleta, o egocentrismo também, que fazem com que ainda não tenha metido os pés ao caminho e inscrito a gaijinha na natação que tenho a certeza que ia direitinha para a competição que o raio da miúda nada bem que se farta e parece que por aqui até têm uma equipe de Síndrome Down e tudo...)

Dos comboios que passam de quem os vê passar das leituras em tempo de férias e dos espelhos mentirosos


Era frequente, naquela altura, ficarmos parados dentro do carro à espera do comboio que iria passar até que de repente, cruzando um bocadinho de horizonte, lá aparecia ele para desaparecer do outro lado e era nessa altura, quando o comboio passava, que o meu pai nos voltava a ensinar, como se repetindo sempre o mesmo comboios sem conta houvesse a esperança de que não o esquecêssemos, que aquele comboio vinha de algum lado e seguia para outro, que dentro dele iam pessoas à janela, que nos viam aparecer e desaparecer tal como nós as víamos a elas e que as vidas continuavam para além daquele momento em que se cruzavam não havendo personagens principais e figurantes, porque se nós éramos só mais uns ocupantes de um carro parado numa estrada qualquer que depressa ficava para trás e eles passageiros de um comboio que passava rápido todos seguíamos um caminho e nenhum estava lá só para ser cenário do outro.

A praga, ou a regra, foi que este seria um Verão teenager e os deuses, que gostam de brincar connosco, ouviram e levaram a coisa a preceito porque se o que se estava a pensar era muito Grease com summer nights e um coro de Uh Well-a well-a well-a huh a mim, pelo menos, não me calhou o tal boy cute as can be mas um Verão inteirinho na velha Figueira com uma mãe que nos obrigava a sentar à mesa para um jantar que começava sempre com sopa ainda o Sol estava muito longe de se pôr, horas marcadas para chegar à noite porque ela não dormia enquanto eu não chegasse, erro meu, grande erro, quando há muito pensei que nunca mais ouviria esta frase, e, last but not least, Verão teenager no seu melhor, sem televisão e internet. Ora como cada mãe tem as suas regras e se a minha tinha estas a da minha filha finalmente teenager de pleno direito tinha outras um bocadinho, ligeiramente, diferentes, as minhas longas e quentes noites de Agosto foram passadas de olho aberto à espera que chegassem as 3 da manhã, vá, uma vez por outra as 4 da manhã, para abrir a porta à gaijinha mais nova. E que fiz eu nessas noites? Pois claro, reli dezenas de livros policiais mais umas dezenas de livros de ficção científica com que avisadamente, que eu já conheço a fera há muito, tinha enchido o maior dos sacos de viagem que encontrei.
Dos policiais não reza a história que quando já se sabe quem matou pouco fica mas a ficção cientifica voltou a levar-me aos outros mundos por onde gosto de deambular e foram eles os grandes responsáveis, mais a história do comboio que parece que não tem nada a ver com isto mas já vão perceber como cai aqui que nem rosas, para que ontem tenha chegado à varanda e ao ver a linha do horizonte tão bem recortada lá ao fundo no mar, o pinheiro grande aqui mesmo na frente e o céu lá em cima, pensasse de imediato como era tão impossível que tudo isto fosse só um cenário para eu ver quando chego à varanda porque se pensamos que todo este imenso universo está cá só para nós foi porque esquecemos a história dos comboios e das vidas que lá vão e que até podemos não ver por não irem à janela mas que também têm um caminho para seguir. E mais uma vez vi-me pequenina, um pontinho sem importância no meio disto tudo.

Faltam os espelhos,não faltam?
Que porra!, hoje chamaram-me egocentrista e se considero esse a babushka dos piores defeitos, que lá dentro cabe quase tudo, e se tenho que dar ouvidos a quem assim me crismou por lhe reconhecer capacidades para tanto, então os espelhos são mentirosos, coisinha que não é novidade, porque a imagem que nos dão de nós é sempre o inverso da que os outros vêem e eu vou ter de concluir que afinal o meu pai andou a gastar latim para quase nada e que na minha vida devia ter levado com muitas mais passagens de nível porque não é por saber a história dos comboios de cor e salteado e por achar que há mais vida lá em cima que eu deixo de viver à volta do meu umbigo.

Estou chateada comigo. Sim, eu sei que outros problemas me deveriam afligir de momento mas ser egocentrista é isto mesmo, não é?

(por outro lado, e fazendo outras contas, talvez só esteja a dar ouvidos aquela opinião porque eu a valorizo mas isso é voltar a pôr o fulcro em mim e portanto se aquela pessoa quiser que eu a oiça eu tenho de ser um bocadinho egocentrista, não é? Caramba, isto é muito complicado e já estou toda baralhada mas hei-de arranjar uma argumentação qualquer que prove provadinho que não sou egocentrista porque de mim quem sabe sou eu...Ou não devia ter disto isto?)

MISERY

Eu sei que isto vos pode parecer corriqueiro e não vão entender a dimensão da tragédia...

OH CHEFA!!! DÓI-ME A GARGANTA!!!

E não lhes contamos, pois não Peixa?

Socorro!, querem-me comer.

E eu estou a rir-me.
Por vezes, mas mesmo muito de vez em quando, tenho de dar a mão à palmatória e reconhecer que os homens são bichos estranhos, soltam-se-lhes assim uns apetites repentinos que nos deixam quando meninas a tremer que nem varas verdes e quando mais burras velhas a soltar gargalhadas que nem eu.

Não o vejo vão bem mais de vinte anos se bem que o vi tanto nessa altura que se passassem outros tantos não me iria esquecer dele. Era eu e ele e mais o outro e mais a outra e aquela e os outros dois e éramos alguns e durante cinco anos vivemos agarrados uns aos outros. A minha casa e a casa dele, uma de cada lado da rua como nos namoros sérios, eram as casas de todos e devo-o ter visto mais vezes nu do que vi o meu irmão, que ele também não era rapaz de muitos resguardos e o que tinha mostrava, fosse onde fosse e a quem fosse, parecendo-me até, assim quase que a modos de certezinha, que o chaveiro dele era mais conhecido que o guarda da porta férrea. Não havia queca que desse que não nos viesse contar, com todos os pormenores e os requintes da malvadez que nos fazia a nós, as da malta, rir a bom rir, salvaguardadas que estávamos de ser  vítimas daquele predador a quem a proximidade das vidas impedia os apetites das carnes. Nunca nenhum de nós cruzou o risco que nenhum de nós desenhara mas que lá estava, marcado a tinta que se julgava indelével e que era se não isso fluorescente de certeza já que nem as bebedeiras mais devastadoras que acabavam na manhã de um dia qualquer, com tudo ao molhe, num quarto desconhecido, nos fizeram quebrar a regra que era sagrada e nunca, nem nos mais longos Invernos, nos comemos uns aos outros.

Mas isto era dantes, quando as pradarias estavam cheias de gazelas e as feras ainda tinham pernas para correr que agora as barrigas já pesam e a fruta só mesmo a do sítio do costume. Então não é que o cabrãozinho, e cabrão é nome terno, me reencontrou hoje nestas coisas dos faicibuques e vai daí somos amigos, e isso não é de estranhar que amigos nunca deixáramos de ser, e logo de seguida, seguidinha, sem tempo para respirar nem para um olá por aqui e que fazes?, vem com ai continuas tão boa e se a malta coiso e tal e ninguém sabia e bebíamos até cair e acordávamos num sítio qualquer?
E agora, se fosse fim de semana, eu desceria à estrebaria, que estrebaria só abre aos fins de semana, feriados e sérias precisões dos caralhinhos todos do menino jesus, e soltava duas ou três do vernáculo mais profundo enquanto continuava a rir desbragadamente a lembrar-me do gajo no dia em que lhe desliguei o esquentador e lhe atirei com um litro do azeite lá da quinta por cima da cortina do duche porque olha lá, tu põe-me juízo nesses cornos, tu não achas que nem todo o álcool do mundo me impediria de desatar à gargalhada assim que tu pusesses a mão na braguilha para qualquer outra coisa que não fosse para um xixi em arco em cima de uma ponte qualquer?

E é por estas e outras que às vezes, muito às vezes, penso que os gajos são mesmo diferentes de nós, aliás, são mesmo diferentes de tudo o que é conhecido, é que não há força da gravidade que lhes valha e a pila, bem bastas vezes, sobe-lhes até à cabeça.

Como é que é?

A clientela está a reclamar, e com razão, mas isto está enferrujado. Foram muitos meses sem pôr óleo nas mãozinhas e agora os dedos ensarilham-se nas teclas. Mas isto vai lá...

Boa!


Pode ser que assim reeditem o Tia Júlia e o Escrevedor porque este foi um dos tais que se volatizou e que eu tenho muita vontade de voltar a ler.

Atão???

Foi só ameaço ou a coisa segue?

O bom de poder postar por email

É dar as novidades na hora e assim ter a possibilidade de vos contar
que aqui, no estádio de Alvalade onde me encontro, acabei de ver
senhor Visconde de cabeça perdida a celebrar este quarto golo acabado
de marcar. Trajava jeans mas impecavelmente vincadas.

--
Enviado do meu celular

Nem sei porque é que me lembrei disto

E se não consegue pagar 100 euros de pensão de alimentos ao seu filho por causa da prestação do carro venda o carro e ande de bicicleta e se a si 100 euros não lhe chegam porque quase só isso gasta em fraldas compre fraldas de pano que fazem o mesmo serviço.

É que hoje ainda não me saiu da cabeça esta tirada de uma juíza que ouvi já lá vão alguns anos. 

SANTO

Só para que saibas que tudo o que foi dito, sobre a minha pessoa, nos últimos tempos, é uma mentira deslavada!

Os outros se quiserem que se defendam (se houver defesa possível, claro…)!

Olha! Ainda se posta por aqui.....

Pois, a promessa de voltar numa forma mais continuada ainda não é hoje, mas vou fazer o trabalho de casa (ler o que tenho em atraso)e logo vejo.

Então a Peixa havia de postar por email e eu não?


Nem que me mordesse todinha mas que estava difícil estava. Passemos a explicar, quando me registei a primeira vez no Blogger, nos idos 2003, usava uma conta de email que entretanto deve ter ido no dilúvio do Noé. Quando o Blogger passou para Beta todos os blogs do mesmo autor, mesmo que com várias contas de email, foram reunidos na conta do Google e o login passou a fazer-se com essa conta. Até aqui, sem problemas, juntaram os meus bloguinhos todos, tão lindos, estive a revê-los..., perderam dois ou três mas já eu nem me lembrava deles, e a coisa ficou quase perfeita. Quase, porque agora, só agora, com esta história do Mail2Blogger é que a porca torceu o rabo já que veio à tona da água o tal email que se tinha afundado há muito e o Blogger insistia, apesar da asneira ser dele, que eu estava a fazer qualquer coisa errada. O Blogger é gajo, está visto, faz merda mas a culpa é sempre nossa.
Ajuda para aqui, FAQ's para ali, foruns (eu sei que é fora mas soa mal) nacionais, foruns internacionais e lá estava a minha respostinha - nada a fazer! É um bug, o Blogger um dia flixaria isso e até lá que não nos doesse a cabeça, mas se quiséssemos mesmo mesmo postar por email podíamos criar outra conta com uma nova URL e transferir o blog. Estão parvos, os gajos. Então eu, que estou farta de mudanças de casa, ia andar com este estaminé às costas? Nem pensar.

Mas que raiva. Raiva, raivinha... Atão a outra anda feita maluca a mandar emails que se transformam em postas e eu fico a ver? Isso é que era doce.
E prontos, aqui está a Tereza by mail. Elementar, caro Holmes, foi só criar uma nova conta no gmail, como se eu já não tivesse muitas mas isso são outros carnavais, mandar um convite à gaja para escrever no Cabra, chamar-lhe, que é como quem diz chamar-me, Tereza by mail e fazer um manguito aos idiotas do Blogger mais aos outros todos que me disseram que remédio do bom não havia. Havia havia, eu é que não lhes vou contar. Fica aqui só entre amigos.
Ah, e já agora, não dei à gaja poderes de administração do blog que ela é maluca e ainda me froquilhava isto tudo.

AUSTERIDADE

Estou aqui a olhar para o Zé que está, há sensivelmente 10 minutos, a informar-me que me irá ao rabinho, digo, bolso. Eu, em vez de o mandar para a pata que o pôs, estou a olhar impavidamente.

Eu sempre achei que passei ao lado de uma belíssima carreira de cortesã...

(E isto é para não dizerem que eu não discuto coisas sérias e politica e assim...)

Antes que a outra venha para aqui denegrir-me

Eu digo já que fui à Wikipédia ver:
1. Quem raio era o Bublé (sim, já sabia que cantava umas coisas)
2. O que canta o Bublé.
3. Qual era a pinta do Bublé
4. Assim para que idade era o Bublé
Fiquei esclarecida sobre estas questões faltando-me agora saber:
1. Porque é que tem nome de chiclete Gorila.
2. Porque é que o povo anda tão alvoraçado.
3. Se o Bublé é amiguinho do Biber
4. Quanto tempo falta para o Bublé cantar o Somethin' Stupid em dueto com a Miley Cyrus.
5. Se as gaijas vão ao concerto ouvir o Bublé ou ver o Bublé
6. Se os gaijos vão ao concerto ouvir o Bublé ou ver as gaijas que vão ver o Bublé
Quem quiser ajudar-me a sair desta Terra das Trevas tem desde já o meu eterno reconhecimento.

Ó pra mim com umas asinhas nas costas

Querem que eu acredite que com o dia de Sol e calor que por aqui está quem fez greve, e devem ter sido muitos que as escolas estão fechadas, foi para uma manifestação em Lisboa?

Hummm.... Essa, hoje, não deve ser a praia deles.

O fio da navalha

Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor, ou seja a resposta mais simples costuma ser a correcta.
William de Ockham

E toda a nossa vida seria muito mais fácil se usássemos mais vezes esta Navalha de Ockham

O sapo, a princesa, o (cozinheiro) sueco, o armário que afinal também era baterista, a cinderela que virou abóbora e é achá-la no meio dos figurantes

a porca que achava que era rainha e a cabra tresmalhada que caíu de paraquedas no curral mas que também já deita o Bohemian Rapsody pelos olhos, ouvidos, narinas e restantes orifícios e agora vou ali ao tasco ao lado ver se finalmente já se disserta longamente sobre sexo ou se afinal era só garganta...


O raio verde

Foto Matilde

Reza a história, ou a lenda, que eu sempre achei que era mais lenda que história mas isso sou eu que sou muito céptica, que na Figueira da Foz, nos fins de tarde em que nem uma nuvem se vê no céu, lenda, lá está, que céu sem uma nuvem é coisa nunca vista por lá, em que a linha do horizonte é um traço bem definido entre o mar e o céu, lenda!, a linha está sempre mais borrada que o meu risco dos olhos, e em que nem uma brisa corre, ora cá está a prova provada de que é lenda, se nos concentrarmos bem no pôr do sol haveremos de ver, no exacto momento em que ele se esconde nas profundezas, um raio verde a aparecer  do mar.

Há quem diga que já o viu, a minha mãe diz que sim, que o viu uma vez, mas eu continuo a achar que o raio verde é outro e que esta é, há muito, uma desculpa bem esgalhada para se ficar na praia quando já ninguém mais por ali anda excepto quem connosco ficou para ver o tal raio verde, que não foi dessa que apareceu mas já que por ali ficámos e não está mais ninguém que não se dê por mal empregue o tempo.

Este ano, num dos muitos fins de tarde em que se ficou pela praia à espera do raio do raio verde, que se algum dia o vi já nem me lembro e se me esqueci é porque não valeu a pena ser lembrado, não vi o raio verde mas vi uma outra luz. Contaram-me uma outra história, não a do raio verde, e eu percebi como tinha sido tão despudoradamente enganada durante tantos anos. Contaram-me, enquanto a iam traduzindo do alemão arcaico escrito pelas pouco delicadas manápulas dos irmãos Grimm, a história da Princesa e do Sapo.

Lembram-se da princesa boazinha que brincava no jardim, que deixou cair a bola de ouro ao lago, e do sapo que a apanhou e a quem ela deu um beijo de agradecimento transformando-se então o sapo num garboso príncipe? Errado, tudo errado, mas graças a isso andei eu, e muitas de nós, a dar beijos a sapos à espera que virassem príncipes. Ora lá está, quantas de nós já conheceram sapos? Muitas. Quantas de nós os trataram bem? Muitas. Quantas de nós viram o sapo virar príncipe? Han?!... Ouvi alguma coisa? Ninguém diz nada?!...

Pois não, nem há nada para dizer porque sapo algum vira príncipe assim, só os das histórias mal contadas. O sapo da princesa, tal como todos os outros sapos, não lhe pediu um beijo, pediu foi para ir para a cama com ela. A princesa, esperta, disse-lhe que sim mas logo que se apanhou com a bola na mão raspou-se para o palácio que com sapos ela não queria nada. A gaita é que o sapo foi atrás dela, fez queixa ao Rei e este obrigou a filha, promessa é promessa, mesmo feita a um sapo, a levá-lo para a cama. E ela levar levou mas na cama é que não o meteu, atirou-o para um canto do quarto e deixou-o lá. Qual quê, o gajo não se calava, queria cama, claro, e a princesa, a nossa princesa que sempre acreditámos ser tão boazinha, farta de o ouvir e não suportando mais o coaxar irritante, pegou nele e atirou-o à parede. Aí, e só aí, o sapo se transformou em príncipe. Acham que nessa altura ele olhou para a princesa e lhe disse ora adeus que és uma cabra e vou-me embora? Isso seria assim nas outras histórias porque na realidade o que aconteceu foi bem diferente que ele saltou-lhe para a cama e três dias depois, três dias depois!, saíram do quarto porque a princesa não era parva e dar beijos a um sapo é uma coisa mas ir para a cama com um príncipe é outra bem diferente.

E, ao contrário do costume, nem é preciso dizer qual é a moral da história já que todas a percebemos bem, o que não percebíamos era a outra que nos  impingiram, porque, tal como o raio verde, era mesmo só uma lenda traiçoeira.

Mais uma acha para a fogueira das verdades

Sabem que eu cá não sou de intrigas e assim como assim nem sou eu quem está a escrever isto porque parece que me roubaram a password e andam a escrever por mim, mas há que reconhecer que é pouca vergonha a mais que a Peixa a quem ainda só ontem ofereceram um origami já esteja hoje a jantar sushi... Com quem não sei ou se soube já me esqueci que como já disse eu não sou de intrigas.

(e agora vou-me como se alguma vez aqui tivesse estado já que nem sou eu quem está aqui)

Bohemian Rhapsody

Há sinais que são mais claros que um sinal de Stop, que esses nem sempre são claros e nem sempre estão no sítio onde devem estar mas isso a Peixa explica, e assim que entrámos lá e eu ouvi aquelas vozes esganiçadas a gritar Is this the real life? Is this just fantasy?, a mesma canção que estou a ouvir agora, a canção que já não suporto porque elas a ouvem trezentas e vinte e duas vezes por dia, devia ter saltado de imediato nos versos que conheço de cor e cantado a plenos pulmões Just gotta get out, just gotta get right outta here, porque só nos podíamos ter enganado no sítio tal como eles se estavam a enganar na canção. Nós devíamos era estar a ouvir o Tom Waits a dobrar o Capitão Gancho que, sentado ao piano, cantava Did the devil make the world while god was sleeping enquanto a Irmã Mais Feia servia copos ao balcão. É que nós tínhamos acabado de entrar na Taverna da Maçã Envenenada e o mais seguro era sair dali de fininho antes que alguém nos visse. Mas não saímos.

Comecemos pelo princípio que é assim que todas as histórias, mesmo as de ogres verdes e simpáticos, começam. Há alturas, poucas, raras, em que os planetas se alinham de uma forma especial sem que qualquer astrónomo ou mesmo astrólogo o consiga prever e eu e a Peixa temos simultaneamente uma pequena abertura no tempo de mães a todo o tempo que nos permite sair juntas para beber uns copos. Ontem foi uma dessas noites mas soubesse eu ontem o que sei hoje e tínhamos ficado em casa a jogar crapot. Too late, my time has come, e lá estou eu a sair de casa com uma gaija de cabelo ainda a escorrer água e que levava vestido, para uma noite que eu sabia como estava a começar mas que não sabia como ela a ia acabar, que eu não me meto em confusões, mas dizia eu que estávamos a sair de casa e ela levava vestido o soutien da minha filha mais velha e a blusa da minha filha mais nova, santas meninas que são maiores que a mãe. Mas vá, as cuecas e as calças eram dela e eu obriguei-a a repetir, várias vezes, que se mãos menos próprias tentassem chegar-lhe a roupa ao pêlo, ou tirar-lhe a roupa do pêlo, que para o que interessa a ordem é-me indiferente, a inocência das peças das crianças seria devidamente salvaguardada.

E agora voltemos outra vez ao princípio que não era o princípio. Acabámos de chegar ao sítio dos copos, tenho umas vozes a rebentarem-me os ouvidos na tentativa infrutífera de imitar os agudos do outro o que, ao contrário do lado para que sopra o vento, really matter to me, mas já que ali estávamos e estávamos podíamos ficar um bocadinho e beber o tal copo. Eu quero um gin, se faz favor. A cabeça ao lado levanta-se com dificuldade do braço que a sustentava e num inglês entaramelado pergunta-me o nome. Eu sabia que não devia ter respondido, eu sabia, mas até os grandes artistas cometem erros. Tereza. Na cena seguinte, abancado no sítio que até aí tinha sido da Peixa, estava o dono da voz que tentava que eu repetisse o nome dele, como se alguma vez, com álcool ou sem álcool, eu conseguisse dizer um nome sueco, que insistia em perguntar-me se eu era espanhola, que me explicava onde era a Suécia, que gritava que ainda não tinha conseguido nadar por causa das big waves,  e que teimava, sabe-se lá porquê, em dizer-me que estava de férias sozinho. Pronto, está bem, vou perguntar-lhe qualquer coisa, coitado, está a esforçar-se e nós temos fama de sermos simpáticos. Que fazes na vida? I manage two factories. De uma holding? Não, minhas, two steel factories. You know steel? Ups!... Steel?!!... Convém fazer, imediatamente, um apanhado da situação que o tipo é dono de duas fábricas de aço. Ora portanto, o gajo até é giro, que é, e está bem vestido, que está, bêbado, muito bêbado, mas isso há-de passar-lhe, e last but not the least, é pessoa de posses. Tu pára Maria Tereza que estas coisas nunca te acontecem, a perfeição não existe ou se existe tu nunca a viste, portanto prepara-te para o embate. Enquanto isto, que eu penso rápido, o chuveiro de saliva ao meu lado ainda ia no steel, you understand? like this, steel, eu understendo-te perfeitamente, steel, like you, que quem está como o aço és tu e não esse tubo de latão do varandim onde bates como se não houvesse amanhã. E aí cometi o segundo grande erro da noite e tentei ter uma conversa inteligente, às três da manhã, num bar, com um sueco a cair de bêbado. Ora, pensei eu, mas Peixa não me ouviu, primeiro porque não estava ali, onde raio andaria?, segundo porque nem sempre me consegue ouvir a pensar, e portanto Peixa não me pôde mandar um berro como costuma mandar quando eu insisto em tentar ter conversas inteligentes com eles, e eu continuei a pensar, o tipo não deve ser parvo, é sueco, de fábricas de aço eu não percebo mas sempre deveremos poder falar das últimas eleições na Suécia e dos resultados da extrema direita mas melhor teria eu feito se tivesse aberto a boca para lhe falar das gémeas suecas do Santo, que também é um tema que eu conheço bem, e que não teria feito com que a história que mete um boi um olhar e um palácio lhe assentasse que nem uma luva. Pronto, desisto, e só há um sítio seguro, a pista de dança que o tipo nem se deve conseguir pôr em pé.  Conseguiu, afinal os suecos são bichos manhosos, e num ápice eu estava a dançar o rock around the clock como em mil nove e trinta e cinco rezando para que ele não falhasse o passe e me conseguisse apanhar ou eu sairia dali a voar e atravessando pelo ar toda a sala mataria o armário da porta que ainda vai ser importante para esta história. Sim, que Peixa continuava desaparecida.

Suei, suei muito e quando me vi prestes a morrer de exaustão encostei-me ao balcão mais próximo e pedi-lhe uma bebida.  One cocktail? O gajo é doido, eu quero água, muita água, uma garrafa de água, duas garrafas de água, de litro e meio, please. E o esperado embate chega. Eu sabia que ia chegar. Ele pede a água, mete a mão no bolso das jeans, giras, saca um molhinho de moedas, pretas, e diz que não tem mais dinheiro. Não fiquei nem para lhe contar os trocos. Fugi. Tenho a certeza que ele se estava a preparar para me cantar I'm just a poor boy nobody loves me e eu ia ter que desatar a berrar mama mia, mama mia mama Mia, let me go portanto, num só movimento, arrebanho Peixa, por onde andaste Peixa?, casacos e carteira mas lá está o sueco com o nome impossível na nossa frente, a dança deve tê-lo acordado porque ganhou uma velocidade que não tinha antes, com uma mísera garrafinha de água na mão, 20 centilitros, melhor que nada, há-de servir para alguma coisa. Garrafa à boca. Um gole, dois goles e o terceiro ficou por dar que o tipo tira-me a garrafa e começa a beber também. Agora acabou mesmo, fica com a garrafa que eu não lhe toco mais, toma lá o meu email que duas fábricas de aço sempre são duas fábricas de aço e boas férias.

Carro. Casa. Peixa com aquele sorriso, aquele, na boca. Onde estiveste, Peixa? Eu??!!... Vozinha fina, aquela, e pestana a bater, eu estive cá fora a fumar ao pé de Pedro. Pedro? Sim, Pedro, o porteiro armário, dois metros de altura três de largura cara de mau, e Pedro deu-me uma coisa... Mão ao bolso e lá está, na minha frente, um origami. Pedro, o latagão da porta, esteve a fazer-te um origami???!!!!!..... E isso é um coração?? Olhos no chão, pezinho metido para dentro, aquele, voz sussurrada, isto não é um coração.... voz ainda mais sussurrada, isto são uns pulmões... os meus... pretos... mas vês? vês?, do outro lado são cor de rosa... ele diz que se eu deixar de fumar ficam assim, cor de rosa...

Deprimente é pouco. É certo que somos gaijas rijas e vamos conseguir sobreviver sem assombrações que metam suecos tesos e pulmões de origami mas eu vou passar a ouvir com mais empenho os Queen e tentar lembrar-me que nothing really matters /Anyone can see / Nothing really matters / Nothing really matters to me
Any way the wind blows...

A VERDADE DA MENTIRA

Eu como sou vossa amiga, gostava de vos avisar que a password da Chefa foi roubada por um anâo sem escrúpulos que gosta de inventar histórias sobre esta vossa devotada amiga.
 
Como tal, qualquer coisa que leiam que inclua as palavras 'Origami', 'Armário' e 'Pulmão' é uma absoluta mentira, tá?
 
Tudo o resto que ele diga sobre habitantes da Suécia não relacionados com a minha pessoa, indústria do aço e água do Luso é verdade, ok?
 
(Mas tu não estavas aqui tão bem sózinha, Mente Maria? Havia necessidade de acordares as pessoinhas que estavam a dormir tão bem?)

Magias públicas, virtudes privadas

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Se não sabem eu explico, porque não tem nada que saber, mas não é por mal sabem, somos é muitos, e se nós somos giras eles não nos ficam atrás e temos todos o nosso feitiozinho, que temos, portanto já ninguém estranha que o Natal ou as férias de Verão de um ano não tenham assim exactamente as mesmas pessoas, as mesminhas, que os do ano a seguir. Pronto, está bem, por vezes, raramente, num caso ou outro e eu juro, ou quase juro, que comigo, eu faria lá uma coisa dessas, nunca aconteceu, mas por vezes, dizia eu, dá-se o caso de no fim de ano a seguir ao Natal a coisa já ter rodado mas só pode ter sido por alguma coisa que se comeu e caiu mal. Mas pronto, neste vai vem dos que nunca chegaram a ser Toyotas, alguns, poucos, deixaram saudades, mas nenhum ou nenhuma deixou tantas como o Mário. Eu até vos podia dizer que ele era educado e giro e simpático e boa pessoa e prestável e correctíssimo e brincalhão porque ele era isso tudo para além de ser namorado da prima mais nova de quem todos já gostávamos, mas ele era mais, era muito mais que isso. O Mário era mágico e de repente, assim como que por magia, os mais que vistos Natais, as festas de aniversário das crianças, os enfadonhos jantares de família ganharam outra alegria e os nossos filhos passaram a fazer uma pergunta nova cuja resposta era para eles vital – a Rita vai? Eu já disse, mesmo ali em cima, que todos gostamos muito dela e a Rita é a Rita mas a Rita não é mágica, mágico é o Mário que por acaso, só mesmo por acaso, ninguém estava até muito interessado nisso, acompanharia a Rita. E o Mário vinha e fazia magia, porque só podia ser magia a sério aquilo que nós víamos acontecer na frente dos nossos olhinhos que nem piscavam, na ânsia de lhe descobrirem o truque, com o guardanapo da mesa, o gancho do cabelo, o cinto das calças, os óculos da avó, a caneta do tio, o elástico que até aí só servia para prender as pernas do perú. E eu roía-me de raiva porque não lhe conseguia apanhar nem um truquezinho para amostra e ele insistia mais um pouco e fazia e refazia o mesmo passe na frente do meu nariz com aquela certeza de quem é muito bom e sabe, sem qualquer dúvida, que nem uma chata como eu lhe saca a carta da manga.

O Mário tem, finalmente, e porque ele é bom e porque o merece e porque aqui também já merecíamos matar saudades dele, um programa de magia na SIC. Chama-se Minutos Mágicos e vai para o ar aos Sábados às 23.00h se por lá forem tão bons a cumprir horários como o Mário é a deslumbrar-nos e a fazer de nós miúdos outra vez com bocas abertas de espanto.

O Homem cria, quem quer aproveita

Eu sei que vão pensar que eu estou a pensar naquilo que vocês vão pensar que eu estou a pensar mas só mentes tortuosas poderão tentar ver neste post algo mais, uma virgula que seja, do que aquilo que fica escrito. Eu estou aqui, cheiinha de boa vontade, para vos ajudar a defenderem-se desses malvados e malvadas que por aí andam e faço-o porque ajudar o próximo ou a próxima é o meu lema de vida.

Posto isto, vamos ao que interessa. Andava eu ontem a navegar sossegadita, bicada aqui, espreitadela ali, quando me cai o Prey no colo. A palavra Free  ao lado encheu-me o olho e eu fui, assim, sem saber ao que ia, ver o que os senhores do Prey tinham para me dar. Li o artigo todo, até ao fim, vi o vídeo, pois claro, e fiquei convencida que os senhores são uns bacanos, querem mesmo ajudar a gente e a gente quer, ai quer quer, fiem-se no que eu vos digo, ser ajudada por eles. Eu sei que por esta altura já está tudo por aí em pulgas para conhecer o Prey portanto eu passo a explicar.

O Prey é um programa que, depois de instalado num laptop por que temos especial estima, permite seguir-lhe o rasto para o caso, que nós sabemos que há casos desses, se há, quanta gentinha não anda por aí capaz de levar um inocente computadorzinho  sabe-se lá para onde, de querermos saber por onde anda, o que faz e com quem o faz. Sabe-se lá para onde o levam, não, sabia-se, porque agora só não vai saber quem não quiser. Numa explicação muito rápida, quem quiser saber mais, e olhem que um dia ainda vão querer, siga as pedrinhas que deixei e vá lá ao sítio ler o resto, o Prey instala-se no laptop e a seguir faz-se um registo no site dos senhores deixando um endereço de email que um dia, um dia, ainda nos vai dar muito jeitinho. Feito isto apaga-se o ficheiro de instalação porque, como nos explicam por lá, e bem, Because it's tracking software that doesn't want to be seen, Prey is almost invisible when it's running on your system, without any configuration or executable files to be seen. In fact, once you've deleted the installer, you shouldn't be able to find Prey at all in your system, because that's the idea. Um dia, no tal dia que não queremos nunca que chegue mas que pode chegar, nós temos assim uma necessidade súbita de saber por onde anda o bicho e o que está a fazer. E é aqui que o Prey se revela em todo o seu esplendor. Num qualquer computador acedemos ao site, fazemos login, pomos no on o telefone e é só esperar que nos comecem a cair informações no emailzinho que lá deixámos. E que informações são essas, perguntam vocês? Muitas e boas. Começamos logo pelas fotografias. Se o computador tiver uma câmara web o Prey, à surralfa para a malandragem não saber, tira e envia-nos as fotos do sítio onde o portátil anda e nós podemos logo logo saber se ficou no escritório, como tudo levava a crer, ou se, sei lá, se foi refrescar para alguma esplanada. Mas qual?, mas onde?, mas ele era tão sossegadito e agora anda neste desassossego. O Prey resolve porque assim que a net é ligada a um wi-fi spot recebem a indicação do IP e o nome e detalhes do local, porque até pode ter ido dar uma volta maior e quando pensam que ficou naquela reunião no Porto já está no Palace em Madrid. Pronto, lá estou eu a ser alarmista, o gajo, o portátil, entenda-se, está no escritório, nós sabemos. Pois está, estar está, o que está a fazer é que não sabemos mas o próximo email informa-nos. Está no escritório sim, a graça é que o relatório que está a fazer tem um formato estranho que isto anda tudo muito moderno. O Word não está aberto, o Excel muito menos, o Acrobat Reader já dorme mas o Facebook, ah caramba, anda numa roda viva.

E pronto, digam lá se o Prey não parece ser um excelente programa porque com a sacanagem que anda por aí nunca é demais a informação e se pensam, se acham, se vos passou pela cabeça, dar qualquer uso menos próprio ao Prey eu não me responsabilizo por isso porque a minha única preocupação é que um dia, se precisarem, consigam apanhar o ladrão. Ah, é que ainda há mais uma coisita, podemos configurar alertas que, para além de desatarem a tocar a marcha fúnebre se assim o quisermos (isto sou eu a inventar mas de certezinha que está previsto por aquelas inteligências) também faz aparecer em todo o ecrã um curto e atemorizador – APANHEI-TE!

Para quem acha que isto é muito difícil fica o vídeo a mostrar que é tão fácil como saltar à corda, coisinha que eu, para minha desgraça, ainda não consigo fazer muito bem.

Deus existe e tem Facebook

Para mais conversas ide ali que eu só dei um cheirinho divino - If Facebook existed years ago

E não é que já tenho um comentário oficial ao post ali de baixo? E por um dos barões lá do sítio e tudo?

PSD está habituado à pluralidade de posições

Miguel Macedo

In DN 23 Setembro 2010

Quer-me cá parecer, mas isto sou eu a botar-me a adivinhar, que a desculpinha do não venhas com invenções vai deixar de pegar.

Parece lógico até ao mais distraído que a "posição do missionário", tida como a mais ordinária para o acto sexual da Humanidade, não teria este nome na Idade da Pedra, mas, garante Marcos Garcia, ao jornal espanhol "El Mundo",  há milhares de anos que existem as diferenças entre sexo recreativo e reprodutivo.

Em grutas e abrigos, entre peles de animais e camas de folhas, há milhares de anos o cardápio das actividades sexuais incluía práticas "hoje mal vistas", diz Marcos Garcia. O estudioso não especifica, mas diz que a mostra, patente em Burgos, Espanha, aborda exemplos pré-históricos de sexo oral, "voyeurismo", masturbação e sexo com animais.

in J.N. 23 Setembro 2010

Ó Peixa, eu percebo o que tu queres dizer e até já falámos nisso e eu concordo contigo mas dava-me jeito pôr umas achas na fogueira e eu sei que tu és minha amiga e não te chateias e nem levas a mal e pronto está feito e agora também não vou desperdiçar esta prosa toda mais as sacanas das fotos que me deram tanto trabalho a pôr.

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Ora muito bem, cadernos a estrear, canetas novas, lápis afiados, resmas de papel, o Verão acabado, a praia fechada, tudo pronto para começar de novo.

Ponto da situação? Ponto morto, pois claro, portanto um olho na vizinhança para ver como param as modas e as modas não param, andam até numa agitação que se esvoaçam as saias e voam as cabeleiras umas mais postiças outras mais queimadas que o Sol quando nasce, dizem, é para todas.

Mas do que se fala por aí? Fala-se daqui, de blogues, de blogueiros, de bloganços e a procissão já há muito que saiu do adro e ainda ninguém se entende e lá vai de discutir se o andor é só um andor ou se é o poiso do senhor e se o senhor é aquele do manto roxo ou aquilo é só um boneco pintado que o Senhor, como toda a gente sabe, está no céu a zelar por nós e isso queríamos nós saber certinho onde fica o céu que até metíamos no GPS e era fila à porta a pedir benesses que tanto precisamos delas.

Ora muito bem, mas vamos lá pôr ordem nisto. Fachefavor, os meninos, que já devem ter tomado o pequeno almoço e dormido descansados, ai, não é isto, eu ainda não sou ministra da educação, mais uma tentativa, ai a porra, podem olhar para as figurinhas ali de cima? Um canivete suíço é um canivete suíço. Um chocolate não é um canivete suíço mas só um chocolate. Temos portanto que um chocolate, mesmo que pareça um canivete suíço, é só um chocolate e um canivete suíço, mesmo que pareça uma mariquice cor de rosa, é só um canivete suíço e toda a gente sabe, e percebe, a diferença entre um canivete suíço e um chocolate. Agora o busílis é sabermos para que serve um chocolate e para que serve um canivete suíço. Um chocolate servirá para algumas coisitas e se esquecermos que pode servir também para nos dar cabo das nossas preciosidades quando nos esquecemos da puta do chocolate do café no fundo da mala e ele derrete em cima de tudo o que por ali anda, tudo o resto são coisitas boas. Podemos comê-lo, podemos com ele ser comidas, ai esta não era para escrever, pois não?, podemos rechear bolos, podemos matar a fome e podemos mais umas tantas coisas, todas elas saborosas. Com o canivete suíço começa tudo a complicar-se um pouco. Olhem, olhem lá outra vez para as figurinhas e digam-me, se conseguirem, o quanto não poderiam fazer com aqueles canivetes.

E agora, o que é um blogue? Vá, repitam comigo, todos em coro, um blogue é só um blogue. Outra vez e agora diferente, um blogue é apenas um blogue. Mas afinal onde é que tinham dúvidas? Um blogue também é um pedaço de pão? Um blogue também é um macaco hidráulico? Ora gaita, claro que não. Um blogue é só e apenas um blogue da mesma forma, igualzinha, que um filho é só e apenas um filho porque, caraças!, se um filho não é só um filho mas também, sei lá, um irmão, está merda feita. Restringir um conceito a ele próprio não é desprimor mas lógica pura. Um livro é só um livro, há é livros diferentes e diferentes utilizações deles, que eu até os posso usar para tentar matar o sacana do rato que me passou à frente mas essa história, a da assassina de ratos em que me tornei durante as férias, fica para depois das vindimas.

E portanto era só isto que vos queria dizer, caso alguém, perdido, ainda ande por aí. Um blogue é só um blogue, a serventia que lhe damos isso é já outra conversa mas fica para a próxima que agora não tenho tempo.

A MINHA NOTICIA DO DIA - VIII

Se há coisa que eu costumo dizer é: aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros. Apreciem cada momento e não deixem nada por dizer, nada por fazer.”

António Feio (1954-2010)

E hoje vou rir… Rir muito. Que acho que essa é a melhor maneira de o homenagear.

TESTANDO

Publicações  via e-mail.

Será que dá?

A MINHA NOTICIA DO DIA - VII

ghob1 Ghob, é o Rei da Terra, e mostra-se solidamente. É atarracado, pesado e denso; aparece na imagem tradicional do gnomo, ou “goblin”, transparecendo idade avançada, força animal e uma grande sensação de “peso” intrínseco.

«Serial-killer»: o estranho caso do assassino que dizia ser «rei Ghob»

Parece-me que para além do alegado homicídio de 3 jovens, este senhor deve ser acusado de crime ambiental (olhai aquela casinha, olhai).

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Além dos supracitados crimes, eu juntava ainda a autoria moral do crime de ofensas graves à língua portuguesa pelo texto que acompanha o vídeo do senhor que eu acho tão bom, mas tão bom, que não podia deixar de partilhar convosco!

“terramoto em portugal dia 8 de agosto de 2010 , este teramoto destruira serca de 76% da faicha costeira au nivel de portugal comtinental , pior que o terramoto de lisboa em 1755 francisco leitao foturo guvernane da nova era novo mundo prumete aus portugueses de que nao vai deichar o deus reficul governar a nova era e pruvucar u terramoto a 8 de agosto e hoje dia 8 de feverreiro de 2010 faltao apenas 6 meses para o terramoto pedesse a populacao na margen costeirra que vai ser mais afectada que nao entrem em panico francisco vai lancar seus super poderes e inpedir que o terramoto acomteça e que nao aja nova destruiçao em portugal como ouve no haiti e como ouve um pequeno cisno ou um pequeno terramoto como lhe queirao chamar no passado dia 22/12/2009 que afectou grande parte da zona oeste , estes fenomenos lançados plas inergias negativas de reficul mas francisco prumete de que nao vai deichar que tal terramoto acomteça de novo os portugueses nao estao preparados para tal trajedia de novo os novos guvernantes da nova era os futuros deuses em faze inicial de preparaçao alguns deles sao do conseilho de peniche o rei ghob francisco hoje para no amanha ser o novo deus subestituira o deus reficul ,”

O que eu tenho para vos dizer é:

Bora lançar cá para fora a nossa energia e a nossa ira e acabar com o fim do mundo!!!!

E eu podia continuar com isto ad eternum que o senhor tem mais vídeos no You Tube que a Shakira, essa grande cantora africana.

A MINHA NOTICIA DO DIA - VI

Eu juro juradinho que ia fazer uma longa reportagem sobre o Rei Ghob, mas depois mandaram-me isto e o rei dos gnomos fica para amanhã que isto é irresistível!

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A MINHA NOTICIA DO DIA - IV

Levantei-me cedo. Estou farta de andar  de um lado para o outro. Estou a sentar o retroback pela 1ª vez desde as 8 da manhã. Sim, eu sei, é fim-de-semana, mas ide lá dizer isso à vida social do mais novo e da mais velha desta família?

Em virtude dos diversos destinos deste dia, dei de caras com a capa de uma revista e é com grande pena que não vos posso dizer qual era, mas toda a gente sabe que a Dory não é propriamente conhecida pela sua grande memória. Mas o que é importante ficou retido; eu diria mesmo que ficou gravado nesta cabecinha.

Ora a noticia de capa não era nada mais, nada menos:

“A DIFICIL RELAÇÃO DE CRISTIANO RONALDO COM O FILHO”

Ora ajudem-me lá se puderem…

O sacana do puto não nasceu precisamente há um mês? Dizei-me lá em que é que aquele relacionamento pode ser difícil! Eu sei que o meu filho já nasceu há muiiiiiiiiiiiiiiito tempo. E que não tenho grande memória, mas do pouco que retenho, essa fase foi até cá em casa baptizada como a fase “Pila para dentro pila para fora mama para fora mama para dentro dorme e recomeça do principio”. Eu compreendo que o CR não tenha a parte da mama para fora (neste contexto, pelo menos), mas há por aí no mercado umas tetinas anatómicas que são um mimo (CR, se me estás a ouvir, manda-me um mail que eu ensino-te tudo sobre este tema que sou gaija que consegui destruir 10 tetinas de uma só vez e sobrevivi para contar).

Para além do mais, o pikeno chegou quando mesmo? Há 15 dias? Consta também que o pai babado terá rumado ao ‘istrangeiro’ pouco depois. O que me leva a crer que o ‘difícil’ relacionamento se deva a incompatibilidade de agendas entre pai e cria? Ou vão-me querer convencer que o CR jr. é o sucessor da menina do Exorcista?

Tianinho queres saber o que é relacionamento difícil? Experimenta passar uma noite a pé porque o puto está com cólicas e só sossega agarrado a ti enquanto o embalas; experimenta ouvi-lo horas a fio a chorar sem que saibas porquê e tu já rezas por tudo quanto é santo que alguém apareça para que tu possas cortar os pulsos sossegado sem deixares o miúdo sozinho em casa; experimenta olhar o raisparta do puto nos olhos e pensar que és o responsável pela felicidade daquela coisa; experimenta pensar que a vida é efémera e que aquela é tão frágil e depende de ti.

Quando fizeres isso e sentires o coração amarfanhado com uma dor tão forte causada por um mero pensamento, aí, meu caro, falar-me-ás, não de dificuldade de relacionamento, mas da catrefada de sarilhos – que mulher alguma poderá igualar - que arranjaste para a tua nova vida que está agora a começar.

P.S.: Este momento não teve o alto patrocínio da NUK mas foi a imagem que se arranjou e eu acho mesmo que o CR precisava desta dica.

A MINHA NOTICIA DO DIA - III

Can't believe everything you read.Mas vai haver cortes orçamentais em todo o sistema judicial. Segundo Alberto Martins, o conselho consultivo da justiça reúne-se segunda-feira para debater o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para o sector, que tem "uma máquina muito pesada" em termos de recursos técnicos e humanos. Só se saberá dia 11 em que sectores específicos vão ocorrer cortes. Nessa reunião serão abordados outros assuntos, nomeadamente as alterações à acção executiva (cobrança de dívidas e penhoras), onde se registam as conhecidas "dificuldades e retardamento da marcha processual".

Porque nós sabemos que se há coisa que anda bem, no nosso país, é a justiça. E qual é a justificação? Faltam recursos humanos. Faltam sistemas que simplifiquem. Coisa que, agora sim, se vai resolver com cortes orçamentais. Já agora fica aqui uma sugestão desta que muito vos aprecia, talvez seja melhor os senhores do governo considerarem a hipótese de rever os prazos de prescrição. É que é boa ideia os gaijos estarem adaptados ao ritmo alucinante do passo de caracol que pauta o sistema.

Mas analisemos outra pikena parte da noticia:

Também o acesso à justiça está a ser repensado e, segundo Alberto Martins, os advogados vão ter um papel mais preponderante na atribuição de apoio judiciário aos mais carenciadas, devendo esse direito ser alargado a mais utentes. O governante assegurou que se trata de facilitar o acesso aos tribunais.

A mim parece-me bem. Até porque eu sempre quis saber se os senhores advogados teriam coragem de levantar a toga e mostrar o rabito ao senhor Ministro. Com estas medidas, cheira-me (este verbo não promete grande coisa depois da palavra ‘rabito’) que é coisita para eu tirar as dúvidas.

A minha notícia do dia- II

Está tudo doido ou é só impressão minha?

«Cordeiro, o Evangelho segundo Biff, o amigo de infância de Jesus Cristo», de Christopher Moore e editado pela Gailivro, foi o livro escolhido pelo polvo mais famoso do Mundo, Pau, para o Verão.

O polvo Paul, que adivinhou a vitória da selecção espanhola na final do Mundial de futebol, poderá estar "de malas aviadas" para Espanha.

Durante uma sessão do Conselho Municipal de Taipé, os autarcas Huang Hsiang-chun e Liu Yao-ren, do Partido Democrático Progressista, na oposição, tentaram replicar as previsões do polvo Paul com as eleições do município da capital taiwanesa, revela esta quinta-feira o diário «Taipei Times».

Sotãos

IMGP0725 Chama-se " Grande Livro da Casa do Algarve" e fica guardado no móvel preto da sala. Entradas curtas, escritas à mão num festival de caligrafias que nos últimos 35 anos foram registando as férias de quem por aqui passou. Ou o que se podia, e queria, registar das férias de quem por aqui passou, que eu já estive quase quase para telefonar à Ana C para lhe pedir que me avivasse a memória porque não me lembrava, não tinha ideia alguma, que ela tivesse estado cá comigo mas lá está, no Grande Livro, na página 36 - "17 a 21 de Junho de 1992 – Teresa e Ana C. Tempo óptimo apesar das previsões meteorológicas. O único senão foi (e continua a ser) o enorme abcesso que me transformou a cara numa massa disforme. Que férias!..." e a letra é a minha e Teresa sou eu mas a Ana C, raio de memória que me falha nos pormenores e me limpa a perspectiva histórica, percebo agora, não era a Ana C, que essa nunca cá esteve, porque quem cá esteve comigo, quando se faz luz nas nossas cabecinhas o mundo fica logo diferente, dava por outro nome e era bem mais encorpado que a Ana C.
E o Grande Livro é todo assim, cheiinho de vidas, de gentes, de pequenos apartes que fazem a história de uma família grande, a minha, que dividia irmamente uma casa de férias.  E é por ele que agora sei que no dia 7/7/77 chegou a chuviscar, que eu os meus pais e os meus irmãos fomos ao Cabo de São Vicente e que apesar do dia estar pouco agradável as lulas estavam boas, ou que os únicos telefones públicos por aqui eram no quiosque da praça de Albufeira ou na cabine em frente ao Banco Pinto & Sotto Mayor, que a bomba de gasolina mais próxima era na estrada da Balaia, que a pesca ao currico se faz com amostra metálica, de manhã e à tarde, e que às restantes horas cu-rico só na Praia da Falésia, que o grelhador foi comprado em 1978 e custou 450 mil reis, que a família Chiodo visitou-nos em 79 e prometeu voltar, que o Pedro F. passou por cá em 1980, que em 1991, e graças à colecção de panos de cozinha da tia N., voltámos a ganhar o popular prémio "a varanda mais folclórica", que o Conan, que na altura tinha nome próprio e apelido e era namorado da minha prima, assinou o Livro em Agosto de 83, que os empregados de um tal Restaurante Venezia eram giros e que o bar da Quinta do Lago (haveria só um?!) tinha bons cocktails e era "favorável ao engate".
E há histórias de tarântulas gigantescas, de gatos pequenos, de angústias, de casamentos, funerais e aniversários, de amigos que já morreram e amigos que nunca mais vimos, de puxadores de portas que se partiram e torradeiras que se compraram, do vento que derrubou árvores, do coração que derrubou o meu pai, dos centímetros todos que a Clara, com 4 meses, aqui cresceu, de maridos, mulheres e namorados oficiais, que tinham autorização para sair da clandestinidade e deixarem o nome no Livro mas que não deixaram mais nada, e que desapareceram das vidas de quem por cá esteve com eles.
O "Grande Livro da Casa do Algarve" poderia um blog se não tivesse o dia 3 de Outubro de 1975 a datar o primeiro post e hoje eu, tal como a Peixa há uns dias, andaria mergulhada em arquivos na vez de desfolhar páginas e seguiria links na vez de ir atrás de setas desenhadas a esferográfica azul e sairia do blog tal como saí do livro, coberta de pó, nostálgica, saudosa e feliz.
Um blog é só um blog e um livro, mesmo que seja O Grande Livro, é só um livro. O que encontramos lá dentro, o que encontramos aqui dentro, as histórias que lembramos, as pessoas que por cá ou por lá passaram, os afectos que ficaram ou se foram, são, também, a nossa vida e este blog, este Cabra de Serviço, pode não ter 35 anos da minha história mas faz, definitivamente, parte dela. Com letras desenhadas ou em caracteres de computador a diferença é nenhuma porque o que está, e o que fica, guardado no blogger ou no armário da sala, são vidas de gente que se cruzam e descruzam e se nesta casa de férias passaram muitos que não vão poder voltar nunca há outros que continuam a aparecer e outros ainda que até podiam ser o namorado da prima com nome e apelido e entrarem pela porta 1, ou 2, e voltam a aparecer com nome de super herói, mais de vinte anos depois e por um caminho diferente porque a porta, ou as portas, para a nossa gente, a que foi, a que é e a que virá a ser, continuam abertas e casas de férias, mesmo que se durma no chão, têm sempre espaço para mais alguém.

A MINHA NOTICIA DO DIA - I

Centro da Igreja do Reino de Deus em Faro (LUIS FORRA / LUSA)«Desesperado» pegou na retroescavadora e destruiu igreja da IURD

O Centro de Ajuda Espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Faro, foi abalroado, na tarde de terça-feira, por uma retroescavadora, que danificou a porta da entrada e o interior.

O Centro, no Largo de São Sebastião, sofreu graves prejuízos quando foi atingido pela máquina, cerca das 18:00. A PSP de Faro avançou ao tvi24.pt que os danos ascendem aos 100 mil euros, mas não se registaram quaisquer feridos.

A PSP deteve o indivíduo de 40 anos que conduziu a retroescavadora contra o edifício, alegando «uma fase difícil da sua vida» para justificar a acção.
«Segundo o suspeito, em 2004 vendeu todos os seus bens e deu o dinheiro à Igreja, que acusa de se ter aproveitado da sua fragilidade», revelou a PSP.

Pois que parece que o senhor ‘marchou’ de retroescavadora desde a porta ao altar por ter dado €100.000 aos senhores da IURD. Ora, soubesse eu que o senhor era tão mãos largas e já o teria contactado. Mas o que eu gosto mesmo é do tom blasée com que ele relata os factos para os repórteres televisivos…

Podeis ver a entrevista com o Desesperado, aqui!

NEWS

É provável que este blogue tenha, a partir de agora, algumas rubricas regulares. A coisa ainda está a ser estudada. O Eng. Sócrates discorda de algumas alterações. Barack Obama começou por dizer que se o PM português não cooperasse connosco iria invadir o país, mas depois lembrou-se qual era o país e tal como de costume, chega a hora da verdade e todos têm de ir para casa. Consta que o Parlamento Europeu irá discutir as alterações antes das férias de verão, mas é melhor não contar com isso.

Assim sendo, e à boa maneira portuguesa, vamos avançar com as obras sem licença de construção e seja o que Alá quiser.

A primeira rubrica regular segue já de seguida…

O CARTEIRO TOCA SEMPRE DUAS VEZES

letter

Há para aí gente que me prometeu ‘uma carta escrita, para ti cara bonita’ e, eu já viciada na caixa do correio, ainda não recebi nadica de nada.

Sou uma desgraçada é o que é!!!

THE ENGLISH PATIENT

cave Neste filme, há uma cena fascinante quando a expedição da Sociedade Geográfica se depara com uma caverna, no deserto, com imagens pré-históricas de homens a nadar – the cave of swimmers. Os membros da expedição ficam maravilhados com a beleza dos desenhos, com a imponência da sua descoberta.

Eu ontem senti isso. De tal forma que fiquei deslumbrada até às 3 e tal da manhã a contemplar os ‘desenhos’ que me fascinavam.

Andava à procura de uma data e, por isso, vim aqui. Sim, aqui ao Cabra de Serviço. O sentimento que tive, a principio, foi de que estava a entrar no sótão. Aquela sensação de estar a mexer em coisas que decidimos deixar para arrumar mais tarde e ficam muito tempo esquecidas. E como as deixámos lá demasiado tempo, sentimo-nos desconfortáveis. Porque queremos as coisas arrumadas. Não queremos questões pendentes que não sabemos que rumo lhes dar.

Quando entrei, fui direitinha ao mês que procurava e depois perdi-me… Perdi-me na CJ a perguntar pela enésima vez se lhe estávamos a esconder alguma coisa (claro que não!); Perdi-me no Visconde a chamar-me teimosa (nunca, jamais); Perdi-me nas gémeas do Santo (loiras. Sempre loiras); Perdi-me na Gaija a chamar-me Peixa Maria (garanto-vos que nunca mais ninguém chamou Peixa Maria com tanta autoridade); Perdi-me no Shark a ameaçar-me com palmadas na barbatana traseira (era mesmo barbatana do cú mas isto é um post, mais ou menos, sério); Perdi-me na Chefa a debitar ordens às quais ninguém obedecia (tu sabes que é verdade, escusas de empinar o nariz); Perdi-me na SSV e como me fazia sempre sentir uma xavalita (e odiavas a Lola e até hoje não percebo porquê); Perdi-me no Cy ainda à procura da colher de café desaparecida (e há a outra cena das gatas mas deixemos lá isso); Perdi-me na AnaT a ser provedora do comentador (um cargo mui nobre, diga-se de passagem, que aquilo não eram gaijos fáceis de contentar); Perdi-me na Mila que perdeu a vergonha (ainda estou é à espera do Magalhães, mas enfim…); Perdi-me na Elle e nas suas caipirinhas (e as garrafas de Alvarinho que ainda devem estar lá em casa à tua espera); Perdi-me na Rachel que havia encontrado ontem noutra “Junta de Freguesia” e na sua pronúncia do Norte (e o barrigão com que eu a imaginava grávida?); Perdi-me… Perdi-me… Perdi-me…

Entrei no sótão para ir buscar algo e acabei lá sentada, no meio do pó, a folhear álbuns de fotografias antigas. Entrei na Caverna e maravilhei-me com os desenhos.

Mas tal como nos álbuns de fotografias antigas, nós não podemos recriar aqueles momentos. Foram únicos. Inestimáveis. E irrepetíveis.

Tal como na caverna, nós não podemos redesenhar os nadadores. Esses retratam aquela realidade que hoje é outra.

E tal como nas fotos e nas gravuras da caverna, há sempre mais gente que, apesar de não aparecer, contribui em grande parte para o que ali ficou imortalizado.

Sabem aquela frase célebre que outro excelente escritor desta casa gosta tanto de citar e em que defendia que não devíamos voltar onde já fomos felizes? Hoje estive quase a dar-lhe razão. Mas não posso. Talvez não possamos ser felizes como já fomos naquele lugar, mas nada nos impede de ser felizes de outra forma.

Eu não sei se este post é o fim de uma era ou o principio de outra. Não sei o que está por trás da porta nº 1 ou da nº 2. Por vezes, gostava de ter o desprendimento de dizer que é só um blogue e que quem cá escreve(u) eram apenas nicks. Não tenho era coragem. Não partilho dessa opinião. Aliás, já o tinha dito nos golden days. BS (caso já não te lembres, é BullShit)! Eu acho. E podem vir com teorias de que sou uma sonhadora e uma idealista e o camandro que esta ninguém ma tira. Mas como dizia o outro: whatever get’s you through the night…

Mas lá estou eu a perder-me, como de costume… Como eu dizia, eu não sei como vai ser amanhã. Muito menos, sei os pensamentos dos outros membros deste estamine. Posso apenas falar por mim. E a Mim andava incomodada com o ‘pó’; a Mim achava que quem nos continua a visitar na esperança de ver algo novo, merecia mais de nós do que a remissão ao silêncio; a Mim, ontem, andou a fazer viagens down memory lane: e foi a Mim que hoje disseram aquelas palavras que eu tanto gosto (not) ‘um blogue é apenas um blogue’ (o que em si é uma contradição dos termos. Se um blogue é só um blogue porque raio importa aquilo que outro blogger sente ou pensa?). Logo, tornou-se urgente aquilo que a minha mente adiava há tanto, tornou-se prioritário escrever. Escrever aqui. Escrever-vos. Pedir desculpa a todos que ainda vão perguntando por nós nas caixas de comentários e que não tiveram resposta. É que um blogue não é apenas um blogue. Por trás de um blogue estão pessoas. Um blogue é feito por pessoas e para pessoas, por muito imbecis que sejam os seus nicks. Um blogue nunca é apenas um blogue porque uma pessoa nunca é apenas e só uma pessoa…

AMERICAN GIGOLO

Richard-Gere---American-Gigolo-Phot.jpg image by killeliotEntão não é que chegou ao meu conhecimento que a nossa pura, casta e digníssima Chefa conhece, pelo menos, 2 mulheres que privaram (do verbo conheceram horizontalmente) com gigolos? Não, não estou a chamar nomes aos senhores. É mesmo a sua categoria profissional.
Até aí, o meu falso puritanismo nada tem a dizer.
Acontece que as minhas fontes informaram-me que a nenhuma das duas, os senhores cobraram quaisquer honorários pelos seus favores na alcova. Nada, népias, nicles, keine geld!
É o que eu sempre digo: não é o que tu sabes. É quem tu conheces! E a nossa Chefa conhece umas Gaijas do camandro! É que estes trabalhadores não são propriamente conhecidos por trabalhar para aquecer. Pronto, vá… São… Mas vocês entendem o que eu quero dizer.

Se a Peixa faz eu não lhe fico atrás

Faço é o contrário.
Nossa Mente ofereceu-se para ser a receptora das vossas cartas. Eu ofereço-me para escrever uma carta a quem se voluntariar para a receber.
Garanto o classicismo da dita e a conformidade com todos os cânones porque experiência epistolar não me falta.

PS: a minha letra é legível q.b.

Memórias de Abril (ou outro mês qualquer que da data já não me lembro)

A minha filha ontem perguntou-me se eu conhecia o Vitorino. Ela, que até nem é analfabeta musicalmente, não estava a ver quem ele era mas a boina preta e algumas músicas colocaram-na no sítio. Porque raio me perguntou se o conhecia não sei, mas os filhos acham sempre que nós, pais ou mães, somos assim uma espécie de super heróis que conhecemos tudo e sabemos tudo.

O que ela não sabe, e eu não lhe digo, é que eu conheço o Vitorino. O Vitorino já não me deve conhecer a mim mas eu nunca me vou esquecer do Vitorino. É que ele, Vitorino, está escrito em letras de oiro nas histórias da minha vida.

Eu conheci o Vitorino sim. Era uma catraia, advogava há pouco tempo, e o Vitorino andava por lá, pelos meus sítios. O Vitorino, na altura, era dono do Ritz Club, ali, na Praça da Alegria, e o Vitorino sempre que estava comigo perguntava-me porque nunca tinha eu aparecido pela casa que era dele.
Sei lá, Vitorino, porque não, mas uma noite destas apareço por lá.
Tinha mais que fazer, mais por onde ir, não tinha filhas a perguntarem-me se conhecia o Vitorino, o Plateau tinha umas noites giras, outros que nem digo o nome também e, ó Vitorino, Ritz Club era uma chatice, música de baile estás a ver?
Um dia, ou uma noite, apareceram-me uns clientes do Porto. Dois casais. Meia idade, muito compostinhos, muito cheios de cerimónias. Fui destacada para lhes servir de cicerone na Lisboa à noite e a seguir ao jantar fizeram-me o pedido - queriam dançar. Dançar, dançar? Isso é complicado mas se querem bailinho, Ritz Club, pois claro!, e junta-se o útil ao agradável.

É que estava tudo a correr bem, muito bem. A mesa era boa, perto da pista, o ambiente estava composto e eles estavam felizes. Até que, e há sempre um até que, Vitorino apareceu. Ele até podia ter aparecido e ficado por lá longe mas não, apareceu, veio direitinho à nossa mesa e atirou-me a boa noite que nunca mais esqueci e eles, os meus convidados, quase de certeza que também não:
- Então dótoura, por aqui num bar de putas?

Gosto de pessoas com sentido de humor, gosto muito, mas ó Vitorino, era preciso assim tanto?

LETTERS AT MIDNIGHT

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“Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras,
Ridículas.”

(Fernando Pessoa)

Hoje decidi ressuscitar uma arte milenar que tanto riso e tanta lágrima já trouxe a gerações infindas.

A coisa começou aqui há umas semanas à laia de desafio: “Ah… Agora mandam-se encomendas e já nem um bilhetinho as acompanha?”

A chamada de atenção fazia todo o sentido. E, como forma de me desculpar, atirei a promessa de uma carta. Uma carta ‘à séria’.

Esmerei-me. Mas esmerei-me com a prata da casa. Com os envelopes que agora têm todos janelas colocando um remendo. Com papel bonito.

Mas, na resposta, esmeraram-se mais. Não havia remendo no envelope. O papel imaculado de gramagem certa combinava com a tinta negra da caneta numa caligrafia irrepreensível.

No meio das duas páginas A4 manuscritas, o comentário ao remendo na janela do envelope.

Toda a gente sabe que me irritam as mesquinhices. Principalmente, se tenho que dar a mão à palmatória.

Vai daí, Peixa Maria (que a continuar a falar tantas vezes na 3ª pessoa, ainda acaba convocada para jogar na África do Sul em Junho), tirou-se de seus cuidados e calcorreou toda a xafarica de toda uma cidade média. Só ao fim de uma hora, o objectivo foi conseguido.

Tenho ali na minha pasta linda, nada mais nada menos, que dois conjuntos daqueles de papel de carta que todos tivemos em miúdos. Perfumados e com coração no envelope e tudo. Para intervalar a piroseira, o papel da gramagem certa também lá foi colocado assim como envelopes de várias cores. Aliados às canetas de tinta permanente com cartuchos sépia e violeta, vamos lá ver se na volta do correio ainda se arranjará alguma criticazinha.

Fora a picardia… Que tal usarmos isto como um desafio? Que tal todos nós (eu vou, de certeza, mas enfim…) fazermos uma pausa na fast communication e escolhermos alguém a quem endereçar uma carta até ao final do mês?

Se não tiverem ninguém, até vos dou a minha morada e prometo que respondo e tudo.

Vamos ressuscitar o sorriso ao abrir a caixa do correio. Vamos reviver a ansiedade da resposta que demora mais de 24h. Vamos voltar a conhecer as pessoas pela sua caligrafia. Vamos dar, novamente, sentido ao Post Scriptum…

E, já agora, se não der muito trabalhinho, depois contem-me lá se foi tão bom para vocês como foi para mim…

Eu sei que fui eu que as pari mas não me podiam chamar pai?

Estão as duas sozinhas no mar, estou sossegadamente ao Sol mergulhada num livro e, de repente, oiço Mamã. Um olho no burra, outro no cigana e tudo parece bem.
Não me mexo.
Mamã outra vez.
E outra. E a voz esganiçada de uma delas está cada vez mais histérica.
Caramba, está tudo bem, eu estou a vê-las, no pasa nada, sacanas das criancinhas que não me deixam em paz e o nadador salvador, aqui à minha frente, até tem umas costas giras.
Mamã!
Pronto, vou levantar-me, a custo mas vou, e parar com a escandaleira num instante.
Pouso o livro, mexo uma perna, a seguir outra, os olhos sempre postos na histérica que grita e na outra que não grita mas que pode ter, sei lá, um tentáculo de um polvo gigante a agarrar-lhe a perna debaixo de água e a deixá-la paralisada, e já estou quase três quartos levantada, a custo mas estou, já disse que era a custo não já?, quando vejo a caladita e sossegadita, a compor, parece que finalmente, o soutien do bikini e a outra a calar a sirene.
Ahhhhhhh!.... Era mama!.....
Raisparta as adolescentes que me baralham toda.

(está bem, percebido, vou ter de afinar os meus sensores que parece que estão uns anitos desfasados...)