A [arroba]na

Dizia-me ontem que acreditava no destino e que as pessoas conheciam-se com um objectivo e uma razão e tal e coiso. Que o que não é para acontecer, não acontece.
Não sei se isso é causa ou consequência. Se qualquer pessoa que se mete à nossa frente acrescenta algo [ou retira] ou se elas foram incutidas com um objectivo divino, isto é; todas as pessoas, pré-destinadas ou não, alteram-nos. Facto.

No entanto é engraçado ver que, mais o tempo passa mais as pessoas [regra geral] amargam e deixam de se dar e de confiar e de apostarem. O sorriso é mais provável num teenager à entrada do liceu do que um velhote à entrada do centro de segurança social. As pessoas amargam. Facto.

A vida cansa. Todos os dias acordar com esperança de que o dia irá correr bem e quase todas as noites ver que tal não aconteceu [e a isso chama-se vida] cansa. As pessoas perdem a esperança e engraçado como isso soa a desespero. Desiludem e surpreendem.

Talvez errado é confiar nas estrelas e no sol e nos astros e nas barbies que nos incutiram que adulto é alegria e realização e que é suposto correr tudo bem.
Talvez certo seja acreditar que baixas expectativas aumentam as probabilidades de se sorrir.


5 comentários:

teresa disse...

Caos, hoje li um artigo do Brederode dos Santos, no DN, que ando desde manhã para pôr aqui no blog. Vou põr agora porque acho que responde, em parte, ao que perguntas.

gaija do norte disse...

se isso me fizer feliz eu até acredito no pai natal. não perdi esperanças nenhumas e a vida não me cansa. e sim, sorrio muito, talvez porque as minhas expectativas partem sempre do zero (às vezes até menos...).

shark disse...

Acreditas nos tubarões do presto, Gaija? :-)
(Ganda malha, Caos. Se a fasquia agora é esta vamos ter que esmerar-nos para não fazermos má figura...)

gaija do norte disse...

também, tubarão, desde que me façam sorrir!

teresa disse...

não ter ilusões para não nos desiludirmos?

A minha filha perguntou-me hoje de manhã se eu escrevia cartas ao Pai Natal quando era criança. E, se tivesse escrito, pedia o possível ou o desejável.
Foi assim, sem anestesia nem nada.
Tive vontade de lhe responder o possível, claro, mas enquanto estendia mais um lençol a enxugar, lá lhe disse que se deve sempre sonhar, principalmente quando esse sonho segue em forma de carta ao Pai Natal.