Terrores Masculinos - Parte I (ou de como macho que se preze não pode ver um sofá e uma mantinha)

Tal como os gauleses da aldeia do Astérix gajo que é gajo não tem medo de nada. Excepto que o céu lhe caia em cima da cabeça.

O gole de cerveja e o acender do cigarro do bom marialva são pequenos atrasares de tempo que lhe permitem, antes de piscar o olho, arrevezar um sorriso e voltar a arrotar na mesa do café é tal e qual a marisa cruz e faz tudo o que quero, tudo mesmo!, controlar a miufa que os outros descubram que não é como eles.
Afinal, gajo que é gajo tem mais boazonas no curriculum que cabelos na cabeça. Já todos sabem que teve três irmãs suecas - trigémeas, 18 anos e mamas grandes - perdidas por ele, uma morena de capa de revista e marido director geral, a Nocas lá da repartição que anda tão maluquinha que até paga a suite (é sempre suite!) e mulher dele tem de ser mamalhuda, ter um rabo de parar eléctricos, perna que nunca mais acaba, e ser burra que nem uma porta, que mulher quer-se é assim, boa e burra. Não esqueçamos também que fica em coma profundo se deixa de dar as duas quecas diárias e que nunca, mas nunca mesmo, se lhe falhou o zezinho, que gajo que é gajo não tem dessas distracções e está sempre pronto para mais um risco na travesseira da cama.

A gaita é que nunca se sabe quando é que o céu pode cair e gajo não passa as noites em branco por causa da ruiva da papelaria, mas por causa dos outros gajos - e se eles descobrem?

É o segredo mais bem guardado pelos homens, mas não é preciso ser uma génia para perceber. Só mesmo um outro homem não consegue descobrir, que vive na ilusão de que é assim mesmo que o mundo gira, mas mulher que se preze já os topou há muito.

Gajo que é gajo não quer gaja, quer é que tomem conta dele. Qualquer história de gajos está mais inflaccionada que orçamento de obra pública e a grande emoção da vida deles foi, quando ainda usavam bibe, terem entrado na casa de banho enquanto a prima Julinha, dezasseis peludos anos, tomava duche. Vivem a olhar para os calendários da Pirelli e a sonhar com uma Maria qualquer que os encoste à parede e lhes diga que não têm juízo nenhum. Querem mulher que lhes encontre o corta-unhas, lhes garanta que só não foram promovidos por inveja, faça arroz doce quase quase como a mãe, lhes controle o dinheiro e lhes jure, a pés juntos, que não vão morrer com aquela dôr de estõmago e que com uma Rennie isso passa.
Gajo quer que o deixem dormir, que o mal é sono, que lhe apertem os ossos num torniquete se chegou tarde, mas que o deixem sair no dia a seguir e façam de conta que nem percebem, e que nunca, mas nunca, a mulher diga aos amigos que ganha mais que ele, que o pai dela não é rico e foi por isso que ele casou, e que, apesar de benfiquista ferrenho, salta de emoção na cadeira quando o Porto marca um golo ao Manchester.

Gajo que é gajo morre de medo que a pandilha o descubra, mas ainda não é hoje que o céu lhe vai cair em cima, que a mulher dele pode ter buço e pêlo na perna, mas é a melhor de todas a vestir-lhe a capa de super-homem.

O nosso problema de mulheres é que sabemos que para ter juizo já chegamos nós e gostamos é dos outros, dos que não existem da porta de casa para dentro. O que nós queremos é um gajo que não seja gajo!

15 comentários:

zbeb@ disse...

Como gajo com H grande que sou, não posso comentar. Solidariedade masculina, sabes??!!

teresa disse...

e os outros nem se atrevem...

muy macho e todo anónimo disse...

Andas à procura de quê, ò engraçada?
Olha que as gajas aqui estão em minoria e gajo que é gajo não se fica.

john wayne de sacaveine disse...

(Soou mesmo durão e másculo, hã?)

teresa disse...

ó angulha, estás a amearçar-me?

tava só a brincar... disse...

Nada disso, estou apenas a fazer peito para ver se te impressiono.
Vejo que não resulta.
Tamos flixados, nós gajos, vai ser sempre a levar na tola...

O Santo (nem sempre de serviço) disse...

Mas o que e que as gajas percebem dos gajos?
Nos tricotamos?? Lavamos a loiça?? Ja se viu algum gajo a levantar sequer a tampa da sanita??
Entao nao vejo como podem entender alguma coisa....

gaija do norte disse...

Só não entende de gaijo a gaija que nunca viveu com um, que nunca teve que ouvir "onde estão as cuecas" ou "a minha mãe é que faz um assado fantástico"!!

teresa disse...

Ó santinho, lá vocês ainda não terem conseguido perceber a diferença entre um ai a sério e outro para despachar,não quer dizer que nós gaijas não vos topemos à légua.

Peixinho,
vai nada, foi só agora no principio, para ficarem a perceber que quem dá cartas são as gaijas.

O Santo (nem sempre de serviço) disse...

ele à cada resposta... ai ai.

(agora quero ver se percebes qual deles era o a serio e qual o pa despaxar).

teresa disse...

elementar, caro santo, foram os dois para empatar, que lhe faltaram as palavras para uma resposta melhor...

O Santo (nem sempre de serviço) disse...

um gajo vem praqui de alma e peito abertos e dps ouve destas.
Ok, o "imaginario real" (o que é realmente o imaginario masculino) esta a caminho. Mas dps nao choram, prometem??

teresa disse...

choramos sim, que só queremos a vossa felicidade... é que faz parte do vosso imaginario terem uma mulher, fragil e carente, lavada em lágrimas nos braços...

O Santo (nem sempre de serviço) disse...

aí está.. esta é a prova que não percebem nada disto, ou plo menos que não possuem a imagem completa da coisa.
O imaginário contém a mulher fragil e carente lavada em lagrimas nos braços, mas com uma microsaia e ligas. Um decote que permita ver o piercing do umbigo, por cima, tb serve.

até pode nem ser frágil e carente disse...

Nem mais.