Aconteceu no Oeste

Pôde finalmente fazer com as mãos aquilo que tantas vezes lhe fizera com o olhar. Os dedos a passear pelos caminhos marcados pelo rasto de um arrepio, a cartografia de um corpo desenhada na memória com o impacto das sensações na corrida das emoções pela planície de uma alma despida por antecipação.

A roupa espalhada aos poucos no meio do chão, mais os preconceitos, as reservas e os medos abandonados à sua sorte no limbo do depois se verá. O presente oferecido naquele instante em troca do que o futuro trará quando se dissipar todo aquele calor, o suor convertido em vapor libertado pela locomotiva da imaginação.

O toque de uma mão convertida numa tenaz quando finalmente a tomou por detrás, as ancas feitas rédeas imaginárias num simulacro da dominação cujo testemunho passaria de bom grado a seguir, quando deitado se deixou conduzir pela vontade que ela não precisou de verbalizar.

O brilho naquele olhar recortado pela balbúrdia de um cabelo despenteado pelo movimento, como se bailasse ao sabor do vento soprado pelo galope desenfreado da respiração dos dois.

A recordação saboreada muito tempo depois, no remanso de um trote sem pressas na direcção do pôr-do-sol.

37 comentários:

teresa disse...

Andaste a (re)ver o Brokeback Mountain?

shark disse...

Foi. A chefe pediu sexo desenfreado e deu-me logo para galopar.

teresa disse...

por falar em galope, essa gaja ainda é corrida do blog... só pouca vergonha, é o que é!

Lino Mário disse...

Jamé, jamé!

teresa disse...

Olha, temos um SCUT na caixa de comentários... (se calhar u tubarão?)

gaija do norte disse...

valham-me os santos! o post é sobre quê? manucures, cabeleireiras, utensílios de cozinha?

teresa disse...

gaija, vamos ter de pôr ordem nisto que eles andam passados e levam tudo à letra...

O Santo disse...

bolos gaija, bolos.

tão não se vê logo que é por a mão na massa?

gaija do norte disse...

ai ele é isso? tantas receitas tenho e nenhuma se apresenta assim!
deve ter sido escrita por uma mente muito conturbada! é tão fácil escrever uma receita...

teresa disse...

Bolos?
Pronto, é mesmo como dizem, que com papas e bolos se enganam os... santos!!

mente muito conturbada disse...

Bolas, esqueci-me de publicar a lista de ingredientes...

gaija do norte disse...

ó fachavor de o fazer quanto antes porque alguns são mais difíceis de conseguir e não quero que me falte nenhum quando decidir por as mãos na massa!

teresa disse...

receitas? eu gosto de lhes dar o arroz doce. Se me chateiam preparo um Espera Maridos e armo um Sarrabulho. Depois faço um tabuleiro de Esquecidos e atiro-me a um Merengue com um Negro em Camisa. Há sempre também a hipótese de um arroz de miúdos ou mexilhões nas grelha. Desde que não acabe com Sangria adoro cozinhar....

Mestre Silva disse...

E o post, nnguém liga ao post?

teresa disse...

ahahahahahaah..... agora sim, fizeram-me rir!

ri-te, ri-te... disse...

Tem que se começar por algum lado.

teresa disse...

olha, eu bem que leio e volto a ler o post, mas chego ao fim e solta-se-me logo o assobio:

I'm a poor lonesome cowboy
I'm a long long way from home
And this poor lonesome cowboy
Has got a long long way to roam
Over mountains over prairies
From dawn till day is done
My horse and me keep riding
Into the setting sun

Lonesome cowboy, lonesome cowboy, you're a long long way from home
Lonesome cowboy, lonesome cowboy, you've a long long way to roam

(mas gosto mesmo é desta parte...)

I'm a poor lonesome cowboy
But it doesn't bother me
'Cause this poor lonesome cowboy
Prefers a horse for company
Got nothing against women
But I wave them all goodbye
My horse and me keep riding
We don't like being tied

lucky luke disse...

Deixa só chegar a minha sombra que já te atendo...

(Ainda tou a digerir a do Brokeback Mountain, mas não julgues que perdes pela demora.)

john wayne disse...

Ah, e a do norte também leva nos beiços: não sabes do que trata o post porque não passas pelo Sul para conheceres o lado certo da vida.
(Toma e embrulha!)

teresa disse...

Ai tubaron quê gosto tanto de ti... (o que ainda te transforma em espécie em vias de extinção...)

modesto de apelido disse...

Sim, dos bons já somos poucos...

teresa disse...

O que me faz sentir ainda mais bafejada pela sorte, que foi um desses que apanhei na rede...

(esta é para ver se a do Brokeback lhe passa...)

O Santo disse...

Desculpa gaija, li mal. Afinal acho que é uma receita de peixe na rede. No forno, queria dizer no forno. Juro. Ou na brasa.

Bem, em qualquer dos casos....

No quentinho

gaija do norte disse...

estão no paraíso, estes sulistas!!!
no sul é que é bom, é que estão os lindos e os modestos, as boas receitas, o lado certo da vida... até a chefa foi bafejada pela sorte!

O Santo disse...

binde carago

sulista paradisíaco disse...

No paraíso, diz ela?
A tripeira faz-se, malta, devagarinho chega lá.
Neste caso chega cá...

teresa disse...

Ai que a conversa está a dar para o torto... Ó pazinho, deixa lá ficar a gaija no norte, que aqui no sul já há gaijas giras demais (EU?!. Faltam é gajos....

shark disse...

Tá nada a dar pró torto (ela até vê malzinho, coitada...)

gaija do norte disse...

é torto é tadito... mas deixa lá, todos temos direito à vida...

teresa disse...

Tadito??? nem queiras saber o que lá para o centro isto quer dizer...

gaija do norte disse...

pois, mas cá tinha que dizer "coitadinho", e não disse!

zé esquimó disse...

Olha, uma jovem praticamente invisual a usar dialecto do círculo polar Ártico...

gaija do norte disse...

é praticamente invisual é... porque uns não têm espelhos ou foram enganados toda a vida, já os outros são vesgos...

teresa disse...

eu seja ceguinha se percebo alguma coisa disto...

shark disse...

Não sabes? A moça, para além de fraca de vista, tem problemas na fala...

teresa disse...

Olha lá, tu também estás a baralhar as falas? Moça é algarvio.... lá para o norte é gaija mesmo ( e disso roo-me de inveja, que prefiro ser gaija a ser moça, mesmo que o Bernardim me faça poemas...)

gaija do norte disse...

cá também se dizia moça, mas desde que soube que aí se diz, deixou de se dizer, que nós não usamos o dialecto das tainhas!