Nem a ciência nos vale.

Blaise Pascal (June 19, 1623 – August 19, 1662) was a French mathematician, physicist, and religious philosopher. He was a child prodigy who was educated by his father. Pascal's earliest work was in the natural and applied sciences where he made important contributions to the construction of mechanical calculators, the study of fluids, and clarified the concepts of pressure and vacuum by generalizing the work of Evangelista Torricelli. Pascal also wrote in defense of the scientific method. Pascal was a mathematician of the first order. He helped create two major new areas of research. He wrote a significant treatise on the subject of projective geometry at the age of sixteen, and later corresponded with Pierre de Fermat on probability theory, strongly influencing the development of modern economics and social science.

De Pascal a única coisa que sabia era que tinha dado o nome a uma linguagem de programação e que tinha sido o percursor dos actuais computadores. E chegava para saber, apesar de também saber outra coisa que não sabia que sabia. É que da cabeça deste geniozinho saiu também uma das frases que mais complica a minha vida e ele fez o que de pior pode ser feito - identificou o problema e enunciou-o, mas solução, que é bom e dá jeito, nem pensar.

"O coração tem razões que a própria razão desconhece".
Boa Pascal. Obrigadíssima, pá, mas se tivesses gasto menos tempo com a física e a matemática, que para isso há sempre uns gajos com menos coisas para pensar a rasbiscarem soluções nas margens dos livros, e te tivesses dedicado ao que interessa talvez eu até pudesse não ter um pc mas tinha, apesar de tudo, uma vida muito mais fácil.
É que não há volta a dar e no que toca ao coração por mais que tente pôr toda a minha lógica a trabalhar, e tome as decisões mais razoáveis, nunca passei das brilhantes teorias para a prática mais corriqueira. E não é por falta de me ter dedicado a este assunto, que lembro-me bem de ter decidido que era só ele chegar da excursão de finalistas que eu terminava tudo de imediato, que era mais que óbvio ser essa a única atitude sensata, e depois assim que o gajo(1) virou a esquina do passeio do jardim em frente à Igreja eu vi-me pendurada a um pescoço que tinha decidido nunca mais aproximar do meu nariz.
As más notícias são que trinta anos depois ainda não consegui acertar o passo da razão com o tal coração que não nasceu para a ter. E se, agora, pescoços perto de narizes já não são grande problema, a razão continua a falhar-me quando o coração se mete ao barulho. E o coração, para quem ainda não sabe, tem um enorme descaramento que é dos tais que não precisa de convite, aliás, mesmo que se mande uma notificação judicial com uma ordem de restrição, proibindo-se-lhe que ultrapasse o perímetro de segurança, entra porta a dentro, instala-se no sofá e quando damos por isso já é o centro das atenções.
Às vezes olho para mim e tento ouvir tudo o que digo. E ler tudo o que escrevo. E sentir tudo o que penso. E, a seguir, esquecer muito do que faço.
É que somos todas muito giras, e muito gaijas, e muito decididas, e muito independentes e temos a teoria das gavetas e da roupa dos homens e das eventualidades, e do quero é a minha vida e o resto sei bem como se resolve e temos tantas tantas certezas. E temos tantas razões.
E depois, e depois apaixonamo-nos. E lá vem o outro com as razões dele e a nossa razão, a tal que garantimos que não nos falha, já há muito que nos deixou, de rabo entre as pernas, costas vergadas com o peso da derrota e um bilhete na cómoda da entrada com um rabisco desesperado "Volto já (espero!)".

31 comentários:

gaija do norte disse...

sabes, a única coisa com que sempre me preocupei é com o que sinto. se estou apaixonada, esqueço completamente a racionalidade. não adianta, é impossível. não consigo estar racionalmente apaixonada, e parece-me que, se alguém diz que consegue, mente descaradamente. deixo-me ir, é por isso que é bom estar apaixonado, não é? mesmo quando chega a hora da baba e ranho, e de me sentir absolutamente estúpida, nunca, nunca me arrependi de ter sido completamente irracional. a razão é para as horas vagas. aí sim, sou forte, decidida, independente, com todas as eventualidades compartimentadas. mas este "sentir" tem horas certas, e por isso, não tem um décimo da graça!

Anônimo disse...

se não fosse as patetices éramos robots ou muito atrofiados, no mínimo

ontem voltei a ver um dos meus filmes:

American Beauty

@na disse...

já fiz a devida vénia ao post, mas vou-me abster de o comentar.
Como dizia o outro "O amor é fodido!"

gaija do norte disse...

não é o amor, é a paixão!

teresa disse...

gaija, uma coisa é gostarmos outra é sentir que se perdeu o pé... claro que nunca me arrependo mas às vezes um pouquinho de razoabilidade não fazia mal nenhum.

pois, Ana...

Z,faço minhas as palavras da Ana... ou do MEC...

gaija do norte disse...

só perdeste o pé porque te disposeste a tal!

teresa disse...

e desde quando me pedem a opinião para estas coisas?

Anônimo disse...

pensas que não conheço isso? O amor é o pior algoz, já o senti em ondas que julguei mesmo fatais,

um dia há-de ser talvez

mas o fundo da vida é amor

bem, hoje estou meio ko, contente mas a cheirar a esturro das orelhas

beijos, também há um amor fraterno que não dispara o coração antes acalma-o

mas amanhã vou fazer asneira

catarina campos disse...

Hormonas e feromonas. Uma chatice.

Anônimo disse...

ehehe,

se calhar isto é comigo, convosco é de certeza! :))

http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345498&idCanal=92

gaija do norte disse...

catarina, hormonas e feromonas, que bom!

shark disse...

Uma paixão vale sempre a pena, sempre! Custe o que custar, pois o preço alternativo a pagar é mirrarmos no interior e envelhecermos prematuramente, com a mesma emoção com que as uvas se transformam em passas...

@na disse...

aí shark....

teresa disse...

Ora porra, Shark! (e porra, como sabes, é palavra que não gosto...)

Mas Shark eu queria uma paixão que não tivesse de valer a pena, uma paixão sem penas. achas que é pedir muito?

Catarina, é a tal história do Sol a bater na hipófise e das glândulas que ficam doidas... e aqui, com sol todo o ano, é muito mais complicado...

shark disse...

Acho. Ou são estupidamente raras ou nem existem...
Tens que te contentar com um amor eterno ou assim...

teresa disse...

E tens o telefone do ou assim?

portugal telecomo disse...

Ah, ele nunca tá em casa e acabas por levar com o atendedor de chamadas...
Mais vale uma paixão daquelas muito conturbadas (sempre poupas na conta telefónica...).

gaija do norte disse...

e pronto, está resumido: "mais vale uma paixão" ponto final(!!!)

O Santo disse...

O Pascal quase nem se sente, só 1 Newton por metro quadrado.
E gaija, desculpa contrariar o teu 1º comentario mas axo q nao minto descaradamente...

gaija do norte disse...

bem... se és tu a excepção à regra, e só porque gosto muito de ti, estás perdoado por me teres contrariado!

O Santo disse...

olha... faziamos uma festa celebrando a reconciliação, o perdão... trazias a bola... parecia uma festa pascal (tematico neste post...)

teresa disse...

se a festa é pascal estás mesmo a jeito para ser o cordeiro...

(paixão racional? vais ter de me explicar como fazes isso...)

gaija do norte disse...

mesmo que ele te explique, nunca vais perceber. é gaijo...

teresa disse...

(mas tu ajudas a descodificar que quando mete linguagem de gajo descodificas muito bem, ou pelo menos eu gosto das tuas descodificações. Durmo muito melhor...)

gaija do norte disse...

queres tu dizer que eu dou sono? não me parece lá grande elogio...

teresa disse...

se me tirasses o sono é que era complicado, ó gaija...

gaija do norte disse...

também não está visto!

teresa disse...

pronto, está bem, leva lá a bicicleta mas continua com as descodificações que eu fico-te muito agradecida...

gaija do norte disse...

(era: também não está mal visto)

teresa disse...

eu descodifiquei...

Gabs disse...

Amour, amour, quand tu nous tiens, adieu prudence...