Se um fdp incomoda muita gente, dois fdp incomodam muito mais.

Há muito que ando para escrever este post mas depois mete-se uma coisa, e mais outra, e lá vai passando para o amanhã que nunca é hoje. Desta não passa que voltei a ficar entalada e muitos entalanços ainda me tiram definitivamente o ar.
A noticia é grande, mas vale a pena copiá-la porque é uma daquelas que só lida, contada ninguém acredita.

Por decisão do Tribunal de Menores de Sintra, há cerca de oito anos, a empresa Cedicer ficou responsável por descontar 130 euros directamente no ordenado de J. B., relativos à pensão de alimentos de Alexandre e Daniela. A verba teria de ser entregue à ex-companheira daquele funcionário, Maria João Fernandes, mãe dos menores, residentes em Sintra.Porém, não só as transferências começaram inicialmente a ser efectuadas com atrasos consideráveis, como há dois anos consecutivos que a firma de materiais de construção civil - localizada na Rua Joaquim Bonifácio, junto à Polícia Judiciária, em Lisboa - retém ilegalmente aquele dinheiro. Neste momento são mais de 2700 euros em dívida. A mãe dos meninos, uma psicóloga no Mostrar tudodesemprego há dois anos, já não consegue fazer face às despesas. Alexandre e Daniela, com 10 e 14 anos respectivamente, alimentam-se há duas semanas somente de enlatados, que ainda persistem na despensa lá de casa. O pai já se conformou com o facto da empresa lhe retirar o dinheiro do ordenado, porque necessita do emprego.E perante este dramático cenário familiar, em declarações ao JN, António Gonçalves Nunes, administrador da empresa reconhece: "Honestamente, não é bonito de se dizer que ficamos com o dinheiro dos dois meninos. Mas, também tenho imensa gente que me deve (...). A ver se regularizamos algumas dívidas, para poder dar dinheiro a essa mãe".Segundo Maria João Fernandes, as autoridades pouco têm feito em relação às ilegalidades cometidas pela Cedicer, que sempre reteve as verbas destinadas aos filhos. "Fui-me queixando ao tribunal e a situação ia-se resolvendo. Mas há muitos meses que o tribunal apenas escreve ao senhor [Gonçalves Nunes] e este não acata nada", explica, adiantando que a renda de casa leva já dois meses de atraso, tal como outras tantas contas domésticas.
Gonçalves Nunes não vê razões para as queixas da ex-mulher do seu funcionário. "Acho que não são precisas estas coisas [comunicação social]. Primeiro tenho de pagar os ordenados dos funcionários, não é?", questiona o proprietário da empresa, que tem milhares de euros em dívida às Finanças e à Segurança Social. Ao JN, J.B., que vê parte do seu salário, há oito anos, permanecer nos cofres da empresa, mostra-se resignado com toda esta situação. "Quando se precisa de um emprego, a gente sujeita-se a tudo. O que sei é aquilo que digo aos meus filhos: todos os meses o dinheiro deles me é tirado no recibo de ordenado. A mãe deles é que tem de se mexer para resolver estas coisas", adianta. E mais não diz.

E é mesmo melhor que nem abra a boquinha, que só podem sair mais asneiras. Se não, vejamos. O Tribunal ordenou que a pensão de alimentos fosse retida pela empresa? Isso deve ter sido porque o senhor JB, pai estremoso e empregado dedicado, teria os mesmos problemas de memória que agora tem o patrão dele e com tanta coisa para fazer, não esqueçamos que se preocupa bastante em manter o seu trabalhinho, este primeiro fdp esquecia-se, mas não era por mal, claro!, de pagar a pensão aos filhos. É que ele, agora, até "já se conformou" que a empresa lhe tire o dinheiro do ordenado...
Pensão de alimentos. Sim, é este o nome, pensão de alimentos.
Tem graça, porque ao contrário daquilo que muita gente pensa as criancinhas, aqueles seres tão engraçados, olha, parece-se com o pai ou com a mãe?, ai tem mesmo os olhos da avó..., pois, essas criancinhas, de vez em quando, muito de vez em quando, alimentam-se. E vestem-se. E andam ranhosas e precisam de uns xaropes. E os ténis, tão giros mas tão giros, que a Cecília lhes deu quando fizeram um ano, deixaram de servir. Caramba, passaram dez anos, mas se fossem de boa qualidade tinham durado muito mais que isso.
Nos últimos tempos tenho ouvido grandes discussões sobre grandes temas. E toda a gente dá palpites, e toda a gente fala de direitos e deveres e de como a sociedade é hipócrita e de como os mais fracos ficam desprotegidos, mas aqui, no que toca à carteira da nota, não vejo grandes preocupações em mudar o que quer que seja. Sim, a nova lei do divórcio altera umas coisinhas e até já há umas ameaças de cadeia, mas tenho a certeza quase absoluta que daqui a um ano poderei estar a escrever um post igualzinho a este, que nada, nadinha vai mudar. É que a história, esta história, conta-se com duas ou três palavras, como alguém diz. As mulheres têm os filhos, as mulheres criam os filhos. As mães. Os homens, se forem decentes, como felizmente ainda há muitos que nem tudo é assim tão mau, passam a ser pais no momento em que elas são mães. Se forem mais um fdp como aqueles dois lá de cima, e os outros da cantiguinha, que fdp são como os elefantes, há sempre mais um para a rima, têm a vida fácil do costume. As crianças são responsabilidade da gaja e eles têm mais é que se preocupar com as suas vidinhas, que o emprego e os salários dos empregados e as prestações do carro e aquelas coisas todas importantes que fazem o dia a dia dos fdp, não lhes deixam tempo para pensarem em pormenores de fraldas, antibióticos, carne passada com esparguete, sapatos apertados e outras coisinhas de que aquelas gajas se lembram só para os chatear.
Filhos? As mães que tratem deles que sabem bem desenrascar-se e devem ter muita gente que as ajude e que, seguramente, têm muito mais obrigação de o fazer. Afinal eles são só o pai e não têm nada que se preocupar com essas merdices que não passam de histerismos das mães. A pensão não é paga? A mãe que se mexa! Há muita gente a quem pedir e se não houver a Segurança Social está lá para ajudar.

Este nosso país tão europeu, tão e-escolinha e loja de cidadão e cartão único e televisão digital e gente civilizada, deve ser dos poucos onde os paizinhos estremosos não batem com os costados na prisão quando se esquecem de alimentar as crianças. É que por cá as crianças também já devem ser crianças última geração, como os telemóveis, já nem precisam de comer. E, se as mães não as souberam educar e de vez em quando pedirem uma buchazita, as gajas que se desenrasquem que se as souberam fazer também as sabem criar.

5 comentários:

Ana Sousa disse...

E só me ocorre um enorme: P*** COS PARIU!!

Emiele disse...

É uma história exemplar, nem precisa de comentário, está lá tudo!
E a 'cumplicidade masculina' em certas coisas é de vomitar.
Odeio generalizações, há homens excelentes, grandes pais, que preferiam passar eles fome a que faltasse alguma coisa à alimentação dos filhos. Há homens que sabem separar as guerras, a que fazem à mulher com quem já não vivem, não tem nada a ver com os filhos. Conheço muitos que ficariam tão revoltados com esta história como nós ficámos.
Mas que uma grande percentagem pensa como dizes «ela que se amanhe, e vá à Segurança Social ou lá o que é que dá dinheiro» isso infelizmente é inegável. Guerras onde os putos que estão no meio apanham com as munições. Porque, evidentemente que se o tribunal deu ordem para reter o dinheiro da pensão, era porque ele não o dava!!!!

mãe disse...

Hum... dás-me licença que link este post lá na minha chafarica ??
É que neste momento não tenho tempo para escrever sobre isto, mas tiraste-me as palvaras (as entaladas) da boca.

teresa disse...

Claro, mãe, eu é que agradeço.

teresa disse...

E, já agora que ainda não te disse, gostava também de ter tido 4 ou 5 filhos... parabéns.