Cabra velha não aprende línguas, mas faz uma chanfana deliciosa.

" O vinho do Porto é um vinho natural sujeito a criar depósito com a idade. Recomenda-se que seja servido com o cuidado indispensável para não turvar".

Esta sei eu de cor há muitos anos. E também sei que a matricula do carro do meu primeiro namorado era HU-77-28. E sei que o valor de Pi é 3,142857153... Sei números de telefone de cor e salteado, definições legais e ilegais, datas, o nome completo e morada do primeiro miúdo que me escreveu uma carta - mas sem código postal, que na altura não havia - e muito mais porcariazinhas que não interessam nem ao menino jesus. O que nunca sei são as diferenças entre os pares.
Complicado o que digo? Não, é muito simples. Não faço a minima ideia qual é a Estação de Coimbra A e qual a de Coimbra B, o que é côncavo e o que é convexo, bombordo e estibordo, proa e popa, sinal de maior e sinal de menor, escala do Ph - mais de 7 é ácido ou base? - traqueia e faringe, montante e jusante, e muitas muitas outras deste género. Distingo a direita da esquerda, mas é mais por olfacto que outra coisa qualquer. É inútil atirarem-me com quinhentas mnemónicas nos comentários, que juro que de tão lógico não me vou esquecer de certeza e esqueço-me no minuto a seguir.
Tenho vivido bem com isto, que penso um bocado, faço mais um esforço, vou ao google e resolvo a questão.
O problema grande é entre Sporting e Benfica. Distingo-os perfeitamente do Porto que não suporto e da Académica lá de casa, mas entre eles nunca sei quem é quem. Chego ao verde e ao vermelho, até sei quem joga onde e os pontos do campeonato, mas se começam a meter lagartos e leões já tenho de começar a pensar e a partir daí baralha-se-me o pensamento e já não sei mais nada. Deve ser por isso que tão depressa acudo por um como pelo outro e morro de desgosto com as goleadas de não sei muito bem qual. Tem dias, e isto de ser sportinguista e benfiquista porque baralho os lados da segunda circular até tem as suas vantagens, que sempre vou fazendo amores e ódios dos dois lados da barricada - e ao mesmo tempo, o que anima mais a festa.
Isto para dizer que nos últimos tempos tenho andado lá pelos lados do Sporting, o que não quer dizer que não possa ser Benfiquista ferrenha já amanhã. E as gajinhas aprenderam comigo, que se só nós sabemos porque não ficamos em casa também sabemos que ser benfiquista é ter na alma uma coisa qualquer. Tem é dias. E tem também é muito mais graça.

4 comentários:

Emiele disse...

Teresa, não te quero ofender, mas deves ser caso único!!!!
Há quem seja de um clube ou de outro sem grande convicção, e de vez em quando pense que não liga ao futebol. Há quem seja de um dos clubes principais, e tenha um de estimação, dos mais pequeninos. Há quem seja do Sporting, Benfica ou Porto e o resto da família ser 'da concorrência' e também viver bem com isso.
Mas ser alternadamente do Benfica ou Sporting... acho que essa doença devia entrar lá para o catálogo das doenças!
(bolas não me lembro agora o nome da coisa...)
É que não conheço mesmo ninguém!!!!

teresa disse...

Único não sou que já passei isso às miúdas. Garanto é que não somos lá muito populares, mas essa é a parte que menos me incomoda. E acho mesmo que Benfica e Sporting não são assim tão diferentes, por isso se me irrito com um mudo logo para o outro. E as minhas irritações não têm que ver com vitórias ou derrotas, mas com comportamentos ou mesmo só sentimentos. É giro porque às vezes tenho de pensar qual deles me leva o coração nesse dia. E no último jogo para a Taça estive serenamente a ver as minhas equipes a ganharem e a perderem à vez. É óptimo, neste caso ficaria sempre satisfeita com o resultado.Parece que limitei os estragos e, de uma certa forma, me impedi de sofrer, porque sofro à séria quando estou a torcer por uma equipe e se Portugal joga entro num turbilhão que me faz sofrer antes durante e depois.

raphael disse...

Vim cá ter pelo Pópulo,e estou aparvalhado. Não com este post,que isso já estava prevenido, mas com a tua produção!!!
A Emiéle uma vez tinha dito que tinha encontrado uma concorrente, (que ela escreve que nem um furacão!) mas não pensei que fosse tanto... Mulher tu escreves sem parar!Eu bem queria mas não consigo dar vazão,que a minha vida não é isto.tenho de cá voltar pela fresca a ver se leio tudo(ou quase...)

Anônimo disse...

Se isto ajuda, ia eu numa outra vida, a bordejar a costa africana, rumo a sul, e era sempre daquele bordo, o esquerdo, que se avistava terra. Então, muito naturalmente, passámos a chamar-lhe bombordo.