Ora muito bem, cadernos a estrear, canetas novas, lápis afiados, resmas de papel, o Verão acabado, a praia fechada, tudo pronto para começar de novo.
Ponto da situação? Ponto morto, pois claro, portanto um olho na vizinhança para ver como param as modas e as modas não param, andam até numa agitação que se esvoaçam as saias e voam as cabeleiras umas mais postiças outras mais queimadas que o Sol quando nasce, dizem, é para todas.
Mas do que se fala por aí? Fala-se daqui, de blogues, de blogueiros, de bloganços e a procissão já há muito que saiu do adro e ainda ninguém se entende e lá vai de discutir se o andor é só um andor ou se é o poiso do senhor e se o senhor é aquele do manto roxo ou aquilo é só um boneco pintado que o Senhor, como toda a gente sabe, está no céu a zelar por nós e isso queríamos nós saber certinho onde fica o céu que até metíamos no GPS e era fila à porta a pedir benesses que tanto precisamos delas.
Ora muito bem, mas vamos lá pôr ordem nisto. Fachefavor, os meninos, que já devem ter tomado o pequeno almoço e dormido descansados, ai, não é isto, eu ainda não sou ministra da educação, mais uma tentativa, ai a porra, podem olhar para as figurinhas ali de cima? Um canivete suíço é um canivete suíço. Um chocolate não é um canivete suíço mas só um chocolate. Temos portanto que um chocolate, mesmo que pareça um canivete suíço, é só um chocolate e um canivete suíço, mesmo que pareça uma mariquice cor de rosa, é só um canivete suíço e toda a gente sabe, e percebe, a diferença entre um canivete suíço e um chocolate. Agora o busílis é sabermos para que serve um chocolate e para que serve um canivete suíço. Um chocolate servirá para algumas coisitas e se esquecermos que pode servir também para nos dar cabo das nossas preciosidades quando nos esquecemos da puta do chocolate do café no fundo da mala e ele derrete em cima de tudo o que por ali anda, tudo o resto são coisitas boas. Podemos comê-lo, podemos com ele ser comidas, ai esta não era para escrever, pois não?, podemos rechear bolos, podemos matar a fome e podemos mais umas tantas coisas, todas elas saborosas. Com o canivete suíço começa tudo a complicar-se um pouco. Olhem, olhem lá outra vez para as figurinhas e digam-me, se conseguirem, o quanto não poderiam fazer com aqueles canivetes.
E agora, o que é um blogue? Vá, repitam comigo, todos em coro, um blogue é só um blogue. Outra vez e agora diferente, um blogue é apenas um blogue. Mas afinal onde é que tinham dúvidas? Um blogue também é um pedaço de pão? Um blogue também é um macaco hidráulico? Ora gaita, claro que não. Um blogue é só e apenas um blogue da mesma forma, igualzinha, que um filho é só e apenas um filho porque, caraças!, se um filho não é só um filho mas também, sei lá, um irmão, está merda feita. Restringir um conceito a ele próprio não é desprimor mas lógica pura. Um livro é só um livro, há é livros diferentes e diferentes utilizações deles, que eu até os posso usar para tentar matar o sacana do rato que me passou à frente mas essa história, a da assassina de ratos em que me tornei durante as férias, fica para depois das vindimas.
E portanto era só isto que vos queria dizer, caso alguém, perdido, ainda ande por aí. Um blogue é só um blogue, a serventia que lhe damos isso é já outra conversa mas fica para a próxima que agora não tenho tempo.