Breaking News.

Foi posto no youtube o vídeo de uma aluna de uma escola do Porto a agredir a professora por causa de um telemóvel.
A AR quere proibir os piercings em zonas do corpo mais "delicadas" ( esta deixou-me sempre intrigada. Quem inspeccionava? A ASAE?)
O Benfica vai jogar na Luz com o Paços de Ferreira.

Ah, e o meu Tubarão preferido mudou de mares. Parece que as águas que frequentava estavam a ficar piores que as do Mar Morto e, se bem que ele fosse o peixe maior, já se tornava difícil manter a qualidade de vida.
Assim desde... pois... desde há uns dias atrás, mas eu tenho andado por aqui à volta do meu umbigo e nem me atiro ao que é importante, o Shark mudou-se para os blogs do sapo e levou o Charquinho inteiro com ele.
A casa é nova, a madama a do costume e a qualidade a de sempre.
Recomendadíssimo por mim e isso basta.....

Shark, meu guru nestas lides ( não sabiam, pois não?, mas se quiserem reclamar alguma coisinha terá de ser com ele, que é o maior responsável por eu andar por aqui...) desculpa o atraso da notícia, sabes que sou desleixada, mas gosto muito de ti.

Pela sua saúde, vá de férias!

Cinco pessoas morreram hoje depois do pequeno avião privado onde viajam se ter despenhado numa zona residencial, em Kent, na Inglaterra.

Um outro piloto que estava no ar na mesma altura disse à estação televisiva Sky News que ouviu o piloto do Cessna Citation 501 a pedir ajuda. Segundos depois, o avião caía numa zona residencial criando uma bola de fogo e fumo, acompanhadas de explosões.

Os residentes daquela zona acrescentaram ainda que os donos da casa destruída pelo avião estão de momento de férias, pelo que não houve feridos naquela casa.

Peixa.

Mamã, o miúdo que fez o vídeo da professora foi expulso... mudado de escola, sim... mas já viste, coitado... está bem, pronto, tens razão, não tinha de filmar e pôr no youtube foi estupidez, mas imagina que a professora se queixava e não acreditavam nela, aquilo é uma PROVA não é??

Esta hora mágica.

Gosto de fins de tarde, muito. Sempre me lembro de gostar. Muito miúda, ficava sentada nas escadas de pedra da quinta do meu avô a ver o sol a pôr-se atrás das serras. a adivinhar as formas das nuvens e a sentir uma paz que ainda hoje lembro e me alimenta.
São horas serenas, com uma luz diferente, são as minhas horas do dia.

E também há muitos anos que gosto deste poema, que sei quase de cor. Hoje lembrei-me dele. Fica por aqui.

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus barcos...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca


Já são quase sete horas?? Bolas, bolas...

O meu relógio interno está desorientado... Tanto sol lá fora e só faltam três horas para as crianças irem para a cama.
Lá vou andar uns dias completamente baralhada...

Se não os podes vencer, junta-te a eles.

Personalidades políticas criam blogue «Câmara de Comuns».

Várias personalidades do PS, PSD e CDS e independentes vão reunir-se num novo blogue, intitulado «Câmara de Comuns», que pretende debater a actualidade política e cultural, estando ainda aberto à participação dos internautas.
O blogue, que estará alojado a partir de 01 de Abril no endereço www.camaradecomuns.blogs.sapo.pt, pretende ser um pólo de discussão da actualidade política e internacional, bem como uma plataforma de reflexão cultural, de tudo o que de bom se faz em Portugal, divulgaram hoje os responsáveis.

Ando por aqui há muito tempo, mas nunca tinha visto uma "campanha publicitária" de lançamento de um blog....
A invasão marciana está a chegar em força e não tarda temos a blogosfera domada, com OPAs, cotada na bolsa e o diabo a quatro.

Nada que seja de estranhar, que o velho adágio continua válido.


Apoio ao Cliente

Era do Vista, da vista, da firewall, da placa, do cartão, do cabo, do software, do hardware, era uma incompatibilidade grave, era o sistema instável, era caso para PC Clinic, era desesperante e era a internet que não ligava nem a válvulas.
Era.
Já não é. Acabei agora, mas funciona que é um mimo.
Apetece-me ligar aos trezentos e vinte e quatro "técnicos" com quem falei hoje e dizer-lhes Obrigada por nada, que afinal consegui resolver sozinha.

Gosto de me rir, mas motivos assim de bandeja é um pouco demais

Acabei de receber um telefonema. Queriam confirmar a hora de uma reunião na próxima semana. Parece que acabaram de saber que no domingo os relógios adiantam 60 minutos e ficaram na dúvida - a reunião de quarta-feira era pela hora de hoje ou pela nova?
Glups!!!!...............

Special Olympics Portugal quer quintuplicar participantes até 2011

Acho muito bem e muito louvável. Parece que neste momento há mil atletas e querem passar a cinco mil.

Hoje, na cerimónia que assinalou o aniversário da Special Olympics Portugal, realizada numa unidade hoteleira de Lisboa, os grandes homenageados foram os atletas que estiveram nos Jogos Mundiais Special Olympics de Xangai 2007, onde conquistaram 17 medalhas.

Estive a ler a notícia no Sol online, que teve a Lusa como fonte. Li-a toda, todinha. Não é das curtas. Sei que pelo tal hotel passaram a Maria Barroso, a Rosa Mota, o Vitor Baia, o Oceano, o Rui Veloso, o Laurentino Dias e uma tal de Idália Moniz, e ainda Fátima Campos Ferreira, Clara de Sousa e mais uns tantos. Vi o nome dos jornalistas galardoados, o nome das estações de televisão, dos jornais e dos patrocinadores. Estava lá tudo, escarrapachadinho.

Só não vi, em lado algum, o nome de um desses 17 atletas medalhados e que foram homenageados com tanta pompa e circunstância. Nem um nome para amostra. Ou um diminuitivo. Ou umas iniciais. Ou sei lá, talvez mesmo um pssst faxe favor.

Estão a gozar comigo ou posso dizer o que me vai na alma neste momento e chamar a esta gente aqueles nomes que sei e não digo e mandar tudo isto para aqueles lados que me apetece mandar depois de ler uma coisa destas?

Fiem-se na virgem...


"Não se pode considerar que o facilitismo seja algo construtor de uma sociedade melhor". "O facilitismo não ajuda as pessoas. E a lei tem uma função pedagógica nisso, ajuda as pessoas a pensarem bem antes de darem o primeiro passo."

Segundo o porta-voz da conferência episcopal, D. Carlos de Azevedo, "o matrimónio é uma instituição da sociedade", "já existia antes da Igreja". Portanto, o "Estado tem obrigações para com essa instituição", ou seja, "deve defender a união entre as pessoas". "O serviço da fidelidade tem uma dimensão social - por exemplo, na educação das crianças - e nisso o Estado é responsável", considerou o prelado. "Não podemos armar o desejo em lei."

Foram estes os comentários que o porta voz da conderência episcopal fez ao D.N. sobre o projecto-lei que "liberaliza" o divórcio litigioso, reduzindo para um ano (ou menos) o período de separação de facto para um divórcio ser decretado, mesmo quando um dos cônjuges não o autoriza.

Eu quero ver é que comentários irão ser feitos quando começarem a ser vendidos em Portugal os testes "Rite-Aid".
Divórcios? Não vai haver tempo para tanto, por encurtado que esteja o prazo, que a malta é de sangue quente.

Os testes de paternidade são vendidos livremente desde quarta-feira nos Estados Unidos, sem necessitarem de prescrição médica e custando apenas algumas dezenas de dólares.

O laboratório norte-americano Identigene, com sede no Estado do Utah, colocou à venda em 4.363 drogarias-farmácia os testes "Rite Aid", que permitem conhecer a paternidade recorrendo ao ADN.

Os testes, que recorrem a uma pequena amostra de saliva, podem ser adquiridos por 30 dólares (20 euros), sendo depois enviados para análise por um custo suplementar de 119 dólares (cerca de 79 euros) mas especialistas alertam que os utilizadores devem ter um psicólogo por perto pois o resultado pode ser uma amarga surpresa.

Os resultados - que o laboratório afirma terem uma fiabilidade de 99 por cento - são enviados depois por carta ou e-mail ou ficam disponíveis num sítio na Internet mas sob confidencialidade (cada utilizador só poderá aceder ao resultado do seu teste).

Só mais uma pequena achega. Aquela história de um psicólogo por perto é muito states. Por cá talvez seja melhor pensarem num polícia da força de intervenção, que vai chover muita bordoada de certezinha....

Não é original, mas resulta sempre bem.

"O Mundo precisa de uma fita assim"


(I am the best political leader in Europe and the world.

Silvio Berlusconi, former Prime Minister of Italy, during a press conference)

Ah, sim, também está bem...

Hoje ao jantar, com vários miúdos à volta da mesa, falava-se, porque tinha de ser, na professora e no telemóvel e na aluna.
Todos tinham visto o vídeo, todos tinham alguma coisa a dizer, mas a história do Tiago calou-nos fundo. O Tiago tem 19 anos, é bom miúdo, muito bom miúdo, e consegue ser assumidamente "metálico" e assumidamente acólito, ajudando à missa todos os domingos de manhã.
Também tinha uma história de telemóveis, lá da escola por onde andou.

- Na minha turma eram todos malucos e faziam com cada cena. Um setôre uma vez também tirou um telefone, mas o meu colega levantou-se e encostou-lhe uma borboleta à barriga.
- Uma borboleta?
- Sim, uma faca borboleta, daquelas que se abrem assim...
- Ah!
- Por acaso ele também se chama Tiago. Olha, vai agora sair da cadeia, esteve preso dois anos mas não foi por isso, que o setôre deu-lhe logo o telefone...
- Ah!...

Já agora, desculpa, podes passar-me a cestinha do pão? E por acaso não haverá por aí ninguém que me ateste o copo? Sim, podes encher e abram mais umas garrafas. Não sei porquê, mas acho que fiquei com uma sede de anteontem. Preciso de álcool...

Cor de rosa.

Nove horas da manhã. Segunda-feira. Treze anos atrás. Uma médica com cara de segunda-feira aproxima-se da minha cama e diz-me as palavras que nunca mais vou esquecer " a sua filha está bem, só estamos a fazer mais uns exames. É que ela tem um facies diferente e só duas pregas numa das mãos"...

Não foi preciso dizer mais nada para eu lhe fazer a pergunta fatal - é mongolóide?... assim, sem politicamente correctos nem anestesias.
A Clara tinha nascido há quatro horas, não a tinha tornado a ver, estava a acordar e o mundo caíu-me em cima.

Nove horas da manhã. Segunda-feira. Seis anos atrás. O telefone tocou e do outro lado ouço as palavras que nunca tinha esperado ouvir "Teresa, o pai morreu".

Detesto segundas-feiras. Não é por nada de especial, mas não me dou bem com elas.

Este dia de aniversário da Clara é sempre estranho para mim. A Clara nasceu, a minha primeira filha nasceu. A seguir, logo a seguir, a vida tenta dar-me um nó cego, que não fosse eu tão escorregadia e avessa a nós cegos que ainda estava a tentar desembrulhar-me.
Parece-me demasiado brutal dizer isto agora, que a Clara é a Clara e não a consigo imaginar de outra maneira, mas na altura foi uma porrada do caraças e que se perdoe a vulgaridade, mas não há outra maneira de dizer isto.
Chorei baba, chorei ranho, chorei por mim, por ela, por nós, chorei por tudo e chorei por nada. Nada disso agora me faz sentido, mas na altura chorei. Chorei muito. Olhava para ela e chorava. Pensava no que não poderia ser e chorava. E chorei até em frente a um maldito poster no corredor da maternidade a pensar que a minha filha, aquela coisa linda e cor de rosa, nunca se iria casar.
Casar, que raio de coisa para chorar. Logo eu que nunca tinha sequer sonhado em casar-me, que nunca o tinha querido fazer, e que chorava por pensar que a minha filha não se iria casar. Acho que só percebi o porquê disso quando fiquei grávida outra vez. É que quando me perguntavam se ia ter mais um filho eu respondia vou ter é netos.

Penso que foi a maior dor quando a Clara nasceu e não há como explicá-la a quem não a conhece. Queira-se ou não, um filho é a nossa continuidade, mesmo que não se olhe para ele assim. A Clara foi a primeira e pensava eu que seria a única, mas quando nasceu pareceu-me que alguém nos tinha roubado, a mim e a ela, o futuro.

Hoje é tudo diferente. Deixei de chorar há muito muito tempo. Deixei de chorar no dia em que, pouco depois de ela ter nascido, prometi a mim mesma que não iria deixar a vida tornar-me uma pessoa amarga e que por mais difícil que parecesse iria arranjar sempre uma razão para me rir. Como sempre fiz. Mesmo quando no liceu me estatelei numa poça de lama na frente do miúdo que tentava impressionar. Tinha quinze anos e, aos quinze anos, dar um salto elegante para mostrar como se é linda e acabar coberta de lama da cabeça aos pés é humilhação capaz de nos incapacitar para uma vida social decente. Eu resolvi rir. E nesse dia resolvi rir também. E tenho feito os possíveis para me ir rindo e tentar levar com humor o que poderia ser um drama. Só depende da nossa perspectiva e na minha não é drama desde há muito. Nem poderia ser, que a Clara também não é dada a martírios e leva a vida da melhor maneira.
Pode ser irresponsabilidade, mas divertimo-nos bastante e até ela se ri quando não consegue dizer Magda e lhe sai o margredra que nos leva às lágrimas.

Mas nestes dias de aniversário fico um bocadinho baralhada. Foi demasiado dois em um para se digerir assim depressa. Fico masoquista e lembro e relembro todos os pormenores. Vejo, como ainda agora fizemos, as fotografias dela quando nasceu, de como era tão pequenina, tão bonita, tão cor de rosa, tão boneca de porcelana. Vejo-lhe o peito sem a enorme cicatriz da operação ao coração, vejo-a e relembro o medo que sentia na altura, quando não sabia que um dia iria fazer treze anos, fugir de casa, andar de patins, escrever um diário, chatear toda a gente, ter um namorado, fazer duas piscinas debaixo de água e tudo o mais que ela faz e a faz a ela.

E hoje, mais uma vez, ouvimos a música da Clara. Foi feita nesta madrugada já de 28, há treze anos. Foi-lhe dada amanhã, pelo pai que a fez e a gravou para ela na primeira cassete que apanhou, e a Clara passou dias seguidos de hospital a ouvi-la. Ouviu-a no berçário, ouviu-a nos cuidados intensivos, ouviu-a na cama 13 e ouviu-a depois nas salas de espera para as consultas. Os phones eram maiores que a cabeça dela, mas para onde ela fosse iam atrás.
Fica aqui, mesmo sem autorização de quem a fez, que a Clara é esta música e esta música é a Clara.

Cor de Rosa

Côr de rosa, paixão
minha bela adormecida
Flôr de gente em botão
Novo amor da minha vida.

Bem me importa que brilho
Pôs o sol nas tuas côres,
Côr de rosa, paixão
Estou contigo onde fôres.

Cor de rosa, mulher
Ou promessa de um caminho
Devagar - devagar! - a aprender
Cada passo, cada espinho!!

Bem me importa se o Mundo
Te excluir dos escolhidos
Côr de rosa, mulher!,
Somos dois os excluidos...


Olhem, não foi em Portugal e a TVI não estava lá!... E a Noruega não é aquele país onde apostávamos que isto não aconteceria?


E será a primeira vez que uma embaixada faz obras ou a nossas guerras diplomáticas são isto?

As obras nos jardins da Embaixada da China em Lisboa, um palacete de interesse público na Lapa, estão suspensas, informou hoje o presidente da Câmara, António Costa.

Mamã...

... qual é a melhor editora infantil?
- Hein?
- Sim, qual é a melhor editora?
- filha, estás a falar de autores?
- não, mamã, editores.
- não faço ideia, só conheço os autores.
- eu estou indecisa entre a ASA e a Verbo
-Han? Estás mesmo a falar de editores...
- pois, já te tinha dito... conheces alguém numa editora que me possa recomendar os melhores livros?
- não, acho que não conheço...
- Bolas mamã, quando preciso nunca sabes nada.....

Ups.... nunca sei nada quando ela precisa? Editoras? E eu que pensava que estava a fazer um bom trabalho a escolher os autores. Editoras? Desculpa filha, mas dessas nunca me lembrei...

Será que amanhã vai chover? Você Decide, diz o Correio da Manhã.

Armas. Dinheiro.Teenagers. Apartamentos. Raptos. Mas está tudo doido ou isto é um filme rasca?

Obrigada!

Oiça, os ciganos têm má fama, mas somos boas pessoas.

Ontem a Clara fugiu de casa. Foi assim mesmo, fugiu. O clássico nas fugas. Fingiu que estava a dormir, encheu a cama de roupas e bonecos, tapou com o edredon, vestiu-se e saltou pela janela. Eu e a irmã demos pela falta dela quase à hora de almoço. Nem sabiamos quando teria desaparecido, mas a janela aberta não indicava nada de bom. A essa hora, e pelo que soubemos depois, já estava num posto da GNR, a quase vinte quilómetros de casa, à espera que a fossem buscar. Divertidíssima com os guardas, mas avisando que ia ficar de castigo... Aliás, foi das primeiras coisas que disse quando esteve comigo : desculpa mamã, fugi pela janela, gosto muito de ti e vou ficar de castigo... Pois vai. Pois está!

Explicou onde ia e para quê. Tudo lógico. Tudo assustadoramente lógico. Tudo a ensinar-me, mais uma vez, que a Clara é espantosamente melhor do que algum dia, nos meus sonhos mais optimistas, achei que pudesse ser. E sempre achei e esperei muito.

Agora que o susto já está mais domado, que muitas das imagens negras começam a desaparecer da minha cabeça, é hora de olhar para as coisas boas. É bom saber que a minha filha, que faz treze anos daqui a dois dias, é uma teenager típica que foge de casa e tudo. É hora de achar graça à roupa que escolheu para se vestir para a grande aventura. As galochas de chuva são o pormenor que todos os que a viram não deixam de lembrar... É hora de me enternecer com a mão cheia de amêndoas que meteu no bolso da saia, merenda para o caminho. É hora de confirmar que ela sabe o que quer e como o conseguir, que tem um sentido de orientação incrível e que não se assusta com nada, que tem capacidade para fazer planos que funcionam (e como funcionam) e para voltar a ouvir, de toda a gente que ontem a conheceu, que a Clara é fantástica.

E foi hora de ir agradecer a quem a salvou e a recolheu e ajudou a que viesse para casa sem uma beliscadura. Quem a viu a caminhar direita à autoestrada, quem saltou redes para mais depressa chegar até ela, quem com todos os cuidados se aproximou e foi-lhe falando para não a assustar e quem a seguir foi pedir ajuda.
Foi salva pelos ciganos. Os mesmos ciganos que eu estava farta de ver acampados ali bem junto à estrada por onde passo tanta vez e para quem nunca tinha olhado duas vezes.

Soube pela GNR que tinha sido encontrada por ciganos e que foram eles que pediram ajuda. Hoje a Clara, sem nunca hesitar no caminho, levou-nos até lá. Fui tentar dizer obrigada, mas não há obrigada que chegue numa altura destas. Fui com as miúdas, mas de mãos vazias, que agradece-se assim, com as mãos vazias para nos poderem segurar o coração.

Fizemos uma festa e um drama. Eles ficaram encantados quando a viram chegar, desta vez sem estar perdida. Rimos, chorámos, ouvi a história deles e eles a minha. As miúdas brincaram no chão com os miúdos, comparámos idades, tamanhos das crianças, deliciei-me com os olhos incrivelmente verdes e lindos de todas elas, a Clara pegou no bébé ao colo e acabou de lhe dar o leite, arrepiámo-nos os adultos com o que podia ter acontecido, disseram-me que quando a apanharam só se lembravam da Maddie e da Mari Luz. Ficaram muito mais descansados quando perceberam que ela tinha uma família que a queria e que não tinha sido abandonada na estrada, como a história que a cabrinha lhes vendeu...

Contaram-me como ontem passou por ela um senhor num jeep, como disse mais tarde que a tinha visto a andar pela estrada e achou estranho, mas nada fez, e de como eles estavam dispostos a ficar com ela se ninguém a quisesse. Quero-a, queremos todos, mesmo quando o estuporzinho foge pela janela do quarto para tentar apanhar um comboio e ir com destino bem definido.

Ficámos amigos, que os amigos aparecem-nos assim, e agora, depois do obrigada, é hora de trocar moradas e fazer por eles o que possa fazer, sem nunca conseguir pagar o que fizeram por nós. Cá em casa já se juntam brinquedos e roupas e livros. Nas casas dos amigos o pedido já foi feito também. Não paga nada, mas aquelas crianças todas, amigas das minhas filhas, vão ficar com sorrisos ainda mais rasgados. E, como eles ainda agora nos diziam, os ciganos são boa gente e bons amigos.
Nós já sabiamos, que o primeiro amigo da Clara foi o Joãozinho Cigano e agora, mais uma vez, foram os ciganos que lhe serviram de anjo da guarda.

Obrigada pelo imenso bem que nos fizeram e desculpem por a estupidez da vida nos levar a passar por tanta gente e tanto sítio sem olharmos duas vezes e por só percebermos como somos muitas vezes injustos e arrogantes e estúpidamente preconceituosos quando a bondade das gentes nos esfrega isso na cara.
Para minha e nossa vergonha.

Foi boicote, claro

Cheguei agora aqui e vi estes posts lindos, dezenas deles todos iguais... pronto, está bem, não sei o que se passou e hoje estou demasiado cansada para tentar perceber. Limpei os invasores, deixei um único porque tinha comentários, e amanhã entro de serviço novamente.

Ritos Pascais.

Jesus Christ Superstar (1973) Trial/Pilate/39 Lashes (19)

Há muitos anos que ouvir o Jesus Christ é um dos rituais da minha Páscoa.

Papa apela a soluções que «salvaguardem o bem e a paz» no Tibete


Porque é que nem assim, com cores de Natal e tudo, eu consigo imaginar este homem a ter pensamentos caridosos?

Domingo. Este ou um outro qualquer.

Saudades

Fui viver sozinha muito miúda. Tinha 17 anos, no liceu lá do sítio não havia 12º ano, e tive de ir para Coimbra, ocupar um apartamento tamanho família que os meus pais tinham vazio há anos.
Saí de casa pouco tempo depois de terem comprado a primeira televisão a cores e um ano depois de nos termos mudado para a casa que até aí era a dos meus avós.
A vida mudava e eu ia-me embora. Estava por minha conta, a viver numa cidade onde nunca tinha vivido e com uma casa enorme só para mim. A única regra que tinha, e o meu pai nisso foi muito preciso, era que lá não entrava um rapaz nem que fosse para pedir um lápis….. O único que não entrou, que eu queria espaço para negociar e parva não sou, foi o meu namorado da altura.Todas as noites ele apanhava boleia para ir ter comigo e todas as noites ficávamos nas escadas do prédio, para desespero dele, que os amigos e os irmãos tinham livre trânsito. Mas quando um dia os meus pais chegaram de surpresa e eu tinha dez gajos na sala menos ele, o meu pai sentou-se à conversa e nem pestanejou e, no ano seguinte, renegociámos o acordo. Fiquei a ganhar, como já sabia que ia acontecer.

Na primeira noite que passei sozinha em toda a minha vida tive por compannhia o Rudolf Nureyev e a Margot Fontayn a dançarem o Lago dos Cisnes. Lembro-me que era no canal 2, ou qualquer outra coisa que se chamasse na altura, e chorei durante todo o tempo. Não foi por causa do bailado, mas por causa das batatas miúdas.
"Batatas miúdas" é um acompanhamento típico da casa da minha mãe. Faz-se um refogado como se fosse para arroz, junta-se água a olho, colorau e salsa, e cortam-se batatas "miúdas" lá para dentro. O truque é não lavar nunca as batatas depois de cortadas, que a água rouba-lhes o amido e estraga-se o molho.
Naquela primeira noite de autonomia pensei que nunca mais na vida iria comer batatas miúdas e foi por elas que chorei. A partir daí iria passar a ser "visita" na casa que ainda era a minha, só iria lá para fins de semana, e nesses dias não se faziam, e não se fazem, batatas miúdas em casa da minha mãe.
Na altura só sabia fritar ovos e pouco mais. Ou nem isso, mas fica sempre bem dizer que se sabe alguma coisinha. Quando saí de casa ainda tinhamos duas empregadas, ou criadas, como se dizia e não era por falta de carinho ou respeito, e nunca tinha sido preciso passar tempo na cozinha. Lembro-me de a minha mãe refilar por as filhas não saberem fazer “nada”, que ela vivia preocupada com o facto de as filhas não terem uma educação de meninas, e de o meu pai lhe responder que se fossemos inteligentes saberiamos fazer tudo. Só tinham de nos ensinar a pensar, o resto era connosco. Deve ser por isso que me lembro dele a ensinar-me matemática, e eu devia ter uns 3 anos, e não me lembro me terem ensinado a fazer arroz.
Acho que aprendemos a pensar. Ou gosto de pensar que aprendemos. Pelo menos, já sei fazer batatas miúdas. E sei fazer saias (mesmo que sejam de pregas, que dão um trabalho do caraças com os cálculos, porque se acham que é fácil tentem fazer; ou de godez, que precisam de ser cortadas certinhas; ou com bolsos metidos, que são lixados de pensar) e calças e vestidos e o mais que seja. E sei montar móveis, bordar arraiolos, arranjar aspiradores, fazer cueiros, mudar a bateria do carro, desentupir fossas, trocar vidros, pôr azulejos, fazer pudim abade priscos , andar de patins, falar francês e plantar alfaces. Também sei podar árvores, fazer compotas, dançar até de manhã, desenrascar um bilhete de avião quando tudo está esgotado, fazer uns negócios muito bons, descobrir a melhor maneira de poupar uns tostões legais nos impostos e resolver equações simples, que as mais complicadas já se me falham. Também sei, acho, criar duas filhas, que elas estão aí grandes e bonitas. E sei fazer mais umas coisinhas, mas isso agora não interessa nada, como dizia a outra. Só não sei tocar piano, que apesar de ter andado a aprender nunca tive queda para essa música.

Sei muito, e sei hoje que tenho saudades de casa. Tenho saudades da minha mãe e tenho saudades da enorme chatice que é ir passar a Páscoa na casa dela.
Por lá, esta é a altura das procissões. A minha tarefa, se lá estivesse, seria ficar em casa, acender as velas nas varandas e janelas e pôr um ar composto quando estivessem a passar. Iria ficar a ver na varanda, a Clara iria estar comigo e toda a gente lhe diria adeus quando passasse. A “gorda” não estaria connosco, que de uma maneira ou de outra arranjaria forma de estar amuada num canto qualquer. O padre rezaria a avé maria cheirassa e nós iriamos rir porque todos os anos a cheirassa não podia falhar.

Tenho saudades da enorme monotonia que era passar a Páscoa em casa. Normalmente os meus irmãos piravam-se para o Algarve e só ficava eu, a tentar dar o arzinho de graça que falta sempre quando a casa não está cheia. Enquanto a minha mãe ia à missa eu punha a mesa para o almoço com todos os cuidados e levantava-a depressinha que o padre estava quase a chegar e ao domingo a empregada está de folga. A toalha branca bordada era tirada, que já tinha servido, e ia buscar uma outra ao gavetão da cómoda da sala. Natais e Páscoas tenho a mesa por minha conta e as toalhas também. Gosto de as ver na mesa, que para isso foram feitas, e escolho sempre uma das Essa não Teresa que é muito difícil de passar e a Irene já vai ter tanto para fazer… Nada feito, que era essa mesmo. A seguir faziamos a limonada na “jarra do bispo”, que limonada e Vinho do Porto não podiam faltar na mesa, punham-se os muitos doces, eu tentava esconder as castanhas de Viseu e as queijadas de S. Jorge atrás do do arranjo das flores, que desses eu gosto e não vale a pena correr riscos, o ramo era pendurado na porta e ficávamos à espera que “o Senhor chegasse”. Era então a altura de dar a antiga campainha de chamar as criadas às miúdas e de as mandar para a rua. Truque velho, esse de tocar a campainha na rua para pensarem que era o padre que estava a chegar e ver os vizinhos todos a correr de um lado para o outro para compôrem o que já estava composto. Todos os anos caíam na mesma esparrela e eu babava-me com o carinho do lá está a Terezinha outra vez, mas agora já não era a Terezinha mas eram “as meninas”, que filho de peixe tem de saber nadar.

Quando finalmente o padre entrava todos se perfilavam para beijar a cruz e a casa era benzida para o novo ano que começava, sem sonharem que mais um ritual pagão tinha sido cumprido. Eu nem respirava, escondida atrás de um sofá, que isso de andar a dar beijos em cima do cuspo dos outros não há fé que justifique e a minha já era pouca.

Durante o resto da tarde ficava-se em casa, que chegavam os afilhados para receber o folar. Esta foi sempre a parte pior. Os meus irmãos têm dezenas de afilhados – a mim deviam ter medo de pedir para ser madrinha, que sempre devo ter tido um arzinho de não ir com essas coisas– e eu tinha um único. Eles raspavam-se na Páscoa, eu ficava para aturar os afilhados deles.
O meu é que nunca apareceu por lá. Não percebo porquê, que a esse teria todo o gosto de ver na sala. É lindo, vermelho e enorme. Tem uma placa de lado a dizer Maria Teresa e, que eu saiba, é o único de todos os afilhados que nunca pediu folar. Está bem que é um carro de bombeiros, mas é o mais bonito autotanque que já foi fabricado, o melhor de todos que algum dia apagou fogos, ou não fosse meu afilhado e levasse o meu nome no casco.

Desde que vim viver para o Algarve que não vou passsar a Páscoa a casa da minha mãe. Já que cá estou, fico, apesar de achar que quem vem para cá deve vir só à procura de um shopping diferente. É impressionante como há gente que faz centenas de quilómetros para vir para o Algarve e depois deve pousar as malas no primeiro sítio que encontra e largar a correr para o centro comercial mais próximo. Como por aqui temos poucos já sabemos o que vamos encontrar e nem nos arriscamos a aparecer nas redondezas, que chegaram os malucos do Norte e é melhor ficar pela mercearia da Paula. Quando os gajos forem embora já podemos outra vez ir comprar o detergente para a máquina da roupa que estava a faltar ou as crianças podem ir ao cinema sem terem as salas esgotadas (expliquem-me, se puderem, porque é que há gente que vem de Lisboa para o Algarve para ir ao cinema…).

Mas continuo com saudades de casa da minha mãe. E foi por isso que hoje fui comprar um cabrito. Detesto cabrito, que a minha mãe é da serra da estrela e sempre nos impingiu cabrito como se fosse um manjar dos deuses, mas amanhã temos cabrito para o almoço. Desde aquela altura em que fui viver sózinha, demasiado cedo, que percebi que se perdesse algumas rotinas perdia-me a mim. Precisava delas para darem lastro à minha vida e para, apoiada nelas, poder fazer todas as loucuras que achava que tinha e podia fazer. Por mais perdida que andasse nunca jantei sem ser de mesa posta, nunca bebi um chá sem pôr um pires por baixo da chávena, nunca comi peixe com talheres de carne. Pormenores? Não, rotinas que nos seguram, por pequenas e fúteis que sejam. Posso tergiversar (esta é uma das minhas palavras preferidas) em muitas coisas, mas tento manter alguns padrões na minha vida para não me sentir completamente perdida. Aprendi, à minha custa, que se questiono todas as regras fico sem regras nenhumas e perco-me definitivamente. Assim, vou-me segurando no que parece que não tem importância, mas que tem a importância de me fazer sentir pertença de um lugar e de alguém. E se ainda não consegui passar tudo isto às minhas filhas, algumas coisas já lá estão. Amanhã são elas que vão pôr a mesa e já sei, que fui avisada, que a toalha vai ser aquela que eu gosto muito mamã, trouxeste agora de casa da avó e era do teu enxoval, que eu quero que fique para mim…

Tenho saudades de casa da minha mãe e quero que, um dia, as minhas filhas tenham saudades da casa da mãe delas.

Páscoa.

Minhas ricas filhas.

Mamã, nem imaginas o que arranjam para fazer notícias. Sabes que na capa de um jornal vem a dizer "Ressonar dá divórcio" ?
Que absurdo... O Bin Laden ameaça a Dinamarca e eles estão preocupados com barulhos que saem das gargantas quando se dorme. Que estupidez, não é? Não há coisas mais importantes para pôr na capa de um jornal?

Minha querida filha, já hoje te disse que de vez em quando me deixas completamente babada?

"procuro pai da minha filha rio tinto"

Juro que não sei dele, mas alguém anda à procura no google e veio parar a este blog.

Minha senhora, quer um conselho? Deixe-se estar quietinha e não procure coisa nenhuma, que corre o risco de o encontrar e pai que não aparece sozinho é melhor continuar perdido...

hable con ella - Caetano Veloso - Cucurrucucu Paloma

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Caipirinhas em flôr.