Todos os nomes

De cada vez que nos apareceu um cão à porta, e foram algumas,  passámos a ter um cão, ou mais um cão, e o cão passou a ter dono e nome. Foi assim com o Tiggy, o Goma, a Preta, a Magda - parece que lhe chamavam Skank, como a banda, mas era tão burra, grande e desastrada que eu chamava-lhe Magda como a do Caco Antíbes - o Sebastião de má memória e até o Relvas que se não apareceu à nossa porta apareceu a outra e foi lá parar.

Agora não temos cães mas assim que aqui nos instalámos ele começou a aparecer por cá. Primeiro só lhe via os pêlos nas almofadas das cadeiras do alpendre mas uma manhã deu-nos a honra de se mostrar e por uma porta esquecida aberta entrou-nos casa a dentro e saltou-me para cima da cama como quem diz, querías-me ver estou aqui mas estou também no ir, bom dia e passa bem. É grande, gordo, amarelo e tem um rasgão numa orelha que lhe atesta o mau feitio. É raro, muito raro, aparecer durante o dia mas de vez em quando, sempre já noite feita, encosta-se aos vidros das portas do jardim e pede para entrar ou, se vem mais fino, faz um escarcéu na porta principal até que alguém o oiça e a vá abrir. Não pede comida, bebe leite e só quando lhe apetece, mas vem ao mimo. Instala-se nos sofás, roça-se nas nossas pernas, vira-se no chão para lhe fazermos festas na barriga e tenta, tenta sempre, apanhar a porta do meu quarto aberta e bater uma sorna em cima da minha cama. Nunca fica muito tempo e assim que está satisfeito pede com pouca delicadeza que lhe abram uma porta e sai disparado para desaparecer por mais uns dias.
Ontem foi dia sim e eu tinha uma surpresa à espera só que o sacana é desconfiado e assim que viu na minha mão uma bisnaga mínima mas que não devia lá estar defendeu-se bem e não fosse eu ligeiramente mais pesada e mais teimosa não tinha conseguido besuntar-lhe o pescoço com o anti-parasitante, um gato ainda vá mas um porta aviões de pulgas e carraças dispenso bem.
Não gosto de gatos, nunca gostei de gatos, ou por outra, gosto de cães e sempre gostei de cães mas este sacaninha vadio está a começar a amolecer-me apesar de não ser a dona dele e de ele não ter um nome. Um gato não é como um cão e não se vende por comida nem aceita de ânimo leve ser baptizado porque sempre que lhe arranjamos mais um nome ele olha-nos com desprezo e manda-nos ter juízo mesmo sendo um deles um nome cheio de pergaminhos blogosféricos.
Depois da guerra de ontem apostaria que tão depressa não me voltaria a aparecer por aqui mas os bichos gatos não são afinal tão diferentes dos bichos homens e apesar de continuar o todos os nomes, vadio e sem donas, hoje apareceu mais cedo e mesmo tendo-se instalado perto da porta para apanhar o fresco da noite que entra pelo mosquiteiro já percebeu que quem manda é a gaija e pelo que parece gosta tanto disso que voltou mais depressa para casa.
Eu? Eu não lhe ligo nenhuma porque ele pode ser gato vadio mas eu sou gaija sabida e ainda há-de vir quando eu quero, nem que lhe chame Todos os Nomes.

14 comentários:

Mente Quase Perigosa disse...

(Não comentes, Mente Maria... Não comentes...)

Teresa disse...

(Podes comentar, Mente Maria, podes comentar...)

Mente Quase Perigosa disse...

Hoje não posso que estou debilitada. Amanhã trato disso.

Teresa disse...

Pois...

Mente Quase Perigosa disse...

Ok, eu comento.

O sacana do cão não se chamava Relvas. Chamava-se Visconde e tinha a mania de saltar para cima das pessoinhas!!!

Mente Quase Perigosa disse...

O sacana do gato responde por nome composto e cada vez que o chamas por tal, o gaijo olha para mim e foge!!!

Teresa disse...

O sacana do cão só saltava para cima de ti, o sacana do gato não responde por nome composto, limita-se a fugir rapidamente quando é tratado por tal...

Teresa disse...

O sacana do cão só saltava para cima de ti, o sacana do gato não responde por nome composto, limita-se a fugir rapidamente quando é tratado por tal...

Mente Quase Perigosa disse...

O ele fugir rapidamente quando tratado por nome composto não me chateia. Incomoda-me é que ele antes de fugir, olhe para mim!!!

Quanto ao cão, não sei se isso está cientificamente provado.

Fusão do Atomo disse...

O cão é povo, o gato é aristocrata.

Não és tu que adoptas o gato, ele é que te escolhe e aceita.

Jácome D`Alva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jácome D`Alva disse...

Que confusão na cabeça dos animais. Um cão Povo que se chama Visconde e um gato Aristocrata devia responder por Todos os Nomes.
Não hão-de ter os bichos reações esquisitas pois não lhe bastava serem orfãos abandonados ainda arranjaram tais madrinhas.

Anônimo disse...

Boas,

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Cumprimentos

O Santo disse...

Eu tenho tb um problema semelhante de toca e foge com as gatas... Mas olha que essa de agarrar pelo pescoço com uma pomada e nao sei o que... pode ser uma boa ideia. Bigado xefa