Da amizade compilada

Isto dos blogues mistos tem a vantagem de a pessoa poder aceder a pontos de vista dos dois lados da barricada que afinal é uma barrigada (de riso), isto dos géneros, a menina e o menino e o mundo tão diferente como a gente afinal o vê.

Mais abaixo, a Peixa aborda um tema que mexe imenso comigo: o de um gajo enfiar a pila nas amigas. E eu apeteceu-me introduzir um nadinha de contraditório na coisa.

Em condições normais, fora de uma terça com sabor a duas segundas comprimidas em 24 horas, eu seria incapaz de falar numa coisa assim. Mas como estou com a telha e a Peixa falou acerca de uma coisa tão importante no domínio das relações humanas e eu até sou amigo dela, entendi pegar então pelo ângulo que mais me toca (e sim, eu deixo).
A Peixa dá a entender que uma pessoa com pila muda de atitude depois de enfiá-la numa amiga. Mais: vai ao ponto de afirmar que nisso não há excepções e arrasta por tabela quilómetros de pila no seu raciocínio tão desfavorável à imagem de uma amizade no masculino.

Tenho, e isso é raro, que discordar da cabra minha parceira (e amiga, não sei se já referi). A amizade séria depreende partilha, entrega, interacção, contacto próximo, espírito de entreajuda, firmeza no empenho com que aprofundamos essa relação bonita que uma amizade pressupõe.
Ora, em nada do que enumerei se pode excluir o uso de uma pila. Ou seja, enfiar a pila numa amiga acaba por ser apenas mais uma manifestação da amizade mais ou menos profunda que nos une.
Não consigo conceber, nesta minha percepção de amigo do peito (e do resto do corpo. Ah, e da alma e assim...), ver-me a olhar a Peixa de uma forma diferente só por lhe enfiar a pila algures. Quer dizer, seria normal que acabasse por vê-la sob novas perspectivas (nem sempre uma amizade favorece a observação a partir de determinadas posições). Mas se a pessoa até for curta de vista, e enfatizo a (multi)óptica desta afirmação, acaba por nem notar a diferença na postura da amiga e ela, até porque pode perfeitamente voltar as costas à situação, terá reunidas as condições para também não alterar a sua forma de ver o amigo tão próximo.

Considero, pois, uma falsa questão, a que a Peixa levanta no seu post. E se calhar é só por aí que passa o busílis da coisa, se calhar existem amizades masculinas que quando chega a hora de usarem mais do que a inteligência emocional só conseguem levantar... obstáculos.

E nesse caso o problema resolve-se e a má impressão desvanece num canto recôndito das memórias dispensáveis, bastando para o efeito reunirem-se uma amiga com abertura total para o aprofundar destas questões importantes que uma amizade colorida como todas deveriam ser suscita e um amigo com uma mente desempoeirada aliada a um volume apreciável de... amizade pura e dura.

16 comentários:

Mente Quase Perigosa disse...

Óh Tubarão, sabes bem que eu generalizo, generalizo mas depois passa-me. Mas gostei da imagem de mim a arrastar quilómetros de pila...

(olhos postos no horizonte...)

Tenho mesmo que te dizer que o problema são só os gaijos que põem em causa uma amizade por causa disso?

Tenho mesmo que te dizer que estas merdas só acontecem quando os gaijos não têm jogo de cintura fora da cama e vivem submersos em ideias pré-concebidas sobre a outro género?

Não tenho, pois não?

um amigo sempre ao dispor disse...

Não tens, não. Mas se pedires com jeitinho...

Mente Quase Perigosa disse...

Óh amiguinho, isto de ter que andar a pedir é um bocadito demais, não? Essas coisas coisas dão-se sem serem pedidas, man!

um mãos largas disse...

Postas as coisas nesse prisma, tu própria afirmas, woman, que eu até sou um oferecido e mainãoseioquê...
Sinceramente, tu diz-me lá, achas que se eu um dia passasse aí perto e tu, minha amiga, me dissesses "é pá, agora o que caía bem era uma queca" que espécie de amigo era eu se me pusesse com merdas em vez de exibir o meu agrado pela distinção e pelo prazer de poder estender assim uma... mão amiga?
:)

Mente Quase Perigosa disse...

Ai Bruce, se toda a gente fosse assim tão simples e tão desbocada como nós, a vida era tão fantástica.

shark disse...

Poizera...

calamity jane disse...

eh pá, tou a gostar... façam de conta q a malta não está aqui ;-p

um mãos largas disse...

O tanas é que faço de conta, que aqui não há amigas de primeira e de segunda.

Myriam disse...

heheheheh

calamity jane disse...

ups... ando mesmo destreinada, caramba

Mente Quase Perigosa disse...

Olha-me estas. Estava ali na sombra, a brincar aos voyeurs, e agora a malta é que estava a fazer caixinha...

Gajas, pá!

calamity jane disse...

:-)))

calamity jane disse...

xa-me só ganhar balanço...

TÓ C (técnico óficial de contas) disse...

Balanço? Humm... Pode ser que haja algum débito por corrigir e assim...

em doca seca disse...

(Bom, e agora é melhor parar de dar ao rabinho que ainda se-me soltam as amarras e com a embalagem só paro nas Ilhas Faroe...)

Teresa disse...

Ó Tubarão, nós somos amigos não somos? E não mete pilas, pois não? É só para saber.