(aqui discursa-se quando me apetece discursar)
É com a voz embargada de emoção, as lágrimas a escorrerem pelo rosto e um cálice de vinho do Porto no bucho para acalmar a nervoseira que venho aqui, perante vós, falar dos prémios do Cabra.
Dois prémios Dardo e um prémio Alvo. Três prémios. Três.
Isto deixa-me especialmente sensibilizada porque se toda a gente já sabe que sofro de pele fina, muito fina, estas coisas fazem-me assim uns arrepios. É que se tivermos em conta os milhares de blogs que há por esta blogosfera fora, o termos sido distinguidos com três prémios leva-me a fazer a pergunta que se impôe:
- Porra!, só três? Mas o resto da gente anda toda distraída?
Depois do protesto, a indignação tem que sair por algum lado, passemos ao discurso oficial.
Agradecemos a quem nos fez, a quem esteve quase para nos fazer mas tocou no travão de mão com o joelho, o carro deslizou até bater no muro e lá se foi o empenho, à professora que nos ensinou as primeiras letras porque mais ninguém nos conseguiu ensinar coisa nenhuma, ao Sr. Bill Gates - esta é graxa, a ver se cola e chove qualquer coisita... - aos tipos do Google que mandam os tansos para aqui à procura de gajas pretas nuas, a todos os perfeitos imbecis que dizem umas alarvidades que assim que são paridas já trazem o letreiro a dizer Postem-me!, e ao anónimo que nos lê mas que consegue ter mais personalidades que o Arséne Lupin e o Santana Lopes juntos o que dá uma conta calada no sitemeter.
É com muito gosto, que para nós prazer é outra coisinha, desculpem a franqueza, que dia após dia (será mais noite após noite, olá mãe, sim, as suas netas estão bem e a dormir, pode ir para dentro outra vez) nós por aqui andamos à cata de prémios e de leitores com posts desenxabidos e numa masturbação colectiva nas caixinhas de comentários que, essa sim, nos dá um enorme gozo.
Somos as cabras de serviço, ao nosso serviço evidentemente, mas não somos, ao contrário do que andam por aí a dizer, um blog de gajas. Quanto muito seriamos um blog de gaijas, mas nem isso.
Blog de gaja tem algumas características particulares. Blog de gaja fala de trapos, filhos e orgasmos, muitos orgasmos. Blog de gaja é um pãozinho com muito bom aspecto, mas sem sal, porque gaja gaja não conseguer brilhar se não tiver gajo por perto. As gajas, toda a gente sabe, vestem-se para lixar as outras gajas mas para ver gajas vestidas serve qualquer shópingue ao fim de semana. Giro giro é ver as gajas nuas, ou pelo menos a despirem-se, e isso só o fazem, com um mínimo de qualidade, se tiverem gajos por perto. E o Cabra é assim. As gaijas cá de casa (que o "i", como já expliquei, é o que dá a pinta à gaja) podem aparecer muito bem arreadas, mas temos graça é no despir e para isso são os nossos gajos de serviço que nos inspiram. Andamos todas aqui a mostrar o que temos, ou não temos mas se dissermos que sim com muita convicção nem se nota o embuste, porque os nossos cabras de serviço nunca tiram o olho de cima, e se nos descuidamos não tiram também tudo o resto, e isso obriga-nos a dar o nosso melhor. E depois é história conhecida - gaija com gajo atiça os outros gajos e gajos com gaijas são irresistíveis para qualquer gaija com "i" ou sem ele.
Portanto, e só porque se não vou cozinhar já as lulas elas não se aguentam para amanhã que ando a adiar a tortura há dois dias, qualquer prémio que este blog receba vai direitinho para os Cabrões de Serviço. Sem eles nós estariamos a falar de buracos nos collants, do Halloween, das pesquisas do Google ou de qualquer outra coisa a sair da cabecinha iluminada da Gaija com G maiúsculo, que lá por ser do norte ela acha que pode criar fama e deitar-se a dormir e só posta quando posta, apesar de ser a grande responsável pelas gargalhadas que damos ao ler as caixas de comentários (e as caixas de comentários são parte integrante deste blog e não podem ser vendidas separadamente).
Acordai agora, vítimas da fome (filhas, o jantar está quase quase...) e juntem-se a mim num aplauso sentido (isto parece sério mesmo) aos gajos que, apesar de não parecerem grande coisa, são os grandes responsáveis pelos sorrisos, sem arfanços que esses estão guardados para outros, das gaijas deste blog.
* a gaija do norte diz, e muito bem, que o título deste post devia ser "masquéstamerda?"
O Discurso da Chefa (podeis sentar-vos) *
E a notícia andou por aí
Que os nossos estudantes mais jovens, alguns dos que tiveram o privilégio de receber como ferramenta de trabalho escolar o indispensável "Magalhães", ao invés de uma BIC ponta grossa e dois cadernos pautados, utilizaram indevidamente a ligação às autoestradas da informação. Não é que os marotos dos fedelhos se meteram em plena aula a visualizar uns sites de "su menos" respeito? Ah pois foi. Ultrapassaram as seguranças que estavam embebidas no próprio sistema. Fuga de informação? Face oculta? Não, simples pesquisa internética e lá estavam as chaves de acesso a tudo e mais alguma coisa.
Googlando
Seguindo as pisadas da Teresa fui investigar o que traz algumas pessoas a este tasco e, há de tudo para todos os gostos qual farmácia de serviço. Não somos farmácia mas cabra, o que vai dar ao mesmo porque também já me disseram que sou equivalente a uma aspirina (espero que seja pelo menos Migraspirina que sempre dou cabo de umas exaquecas), o que seguindo a lógica faz dos restantes membros benurons, bepanthenes, guronsans, hirudoids e afins.
Mas como eu dizia, neste tasco procura-se de tudo e nós como nos prezamos muito no serviço que prestamos à comunidade e na arte de bem receber cá estamos a servir pratos cheios... pois que também temos muita comida...e sangria!
Aqui ficam as dicas e dirijam-se ao guichet (ordeiramente, pois claro) quando forem chamados.
O senhor com a senha das Gajas Nuas a dormir! Não temos a dormir mas se ficar satisfeito com elas acordadas em amena cavaqueira, como disse e muito bem o nosso tubarão satisfaz "os intelectuais via Renoir e os atesoados via Google" divirta-se e tente acertar no frasquinho que a empregada hoje está de folga!
A fila que está à espera do Caia quem caia, faz favor de esperar até ao próximo sábado, digijam-se a uma tv perto de vós e liguem a TVI que aqui não cai ninguém e está tudo muito seguro.
As místicas dos Signos celtas! Lamentamos, mas só dispomos de informações acerca do Espinheiro e da Sorveira (que para quem não sabe o que é uma sorveira, fique sabendo que é uma árvore de madeira (pasme-se!!!))
O ginasta das Barras paralelas! Pode inscrever-se nos workshops de como ter "Uma conversa séria no messenger e uma troca de comentários non sense nas caixinhas. Com a mesma pessoa. E sem nunca se misturarem as bolas."
Os vários senhores que querem um medicamento para a namorada amnésica (ainda não percebi se querem curá-la ou fazer prolongar o estado) podem sacar o filme na net que nós não nos opomos.
Os meninos que andavam à procura de imagens de cabras e burros para o trabalho da escola, sugiro que retirem a imagem da barrinha lateral (a que tem os caprinos!!!! Não vale levar a imagem das maminhas à mostra senão ainda têm negativa no trabalho de grupo) e não vale a pena procurarem no resto do blog senão ainda vos nascem verrugas no nariz que vocês não têm idade para estas coisas. Ahhh e burros não temos que aqui é tudo muito inteligente!
O senhor ou a senhora que anda à procura de sexo vovem(???), olhe isso não conhecemos e não vem no prontuário terapêutico do tasco, mas se ficar satisfeito só com o sexo, é melhor ficar sentado a ler o blog de fio a pavio.
Como vêem fica tudo servidinho e não se acanhem com os vossos pedidos porque mais estranho do que sexo com galinhas duvido que haja e nós lá vamos levando com os pedidos bizarros.
E agora se me dão licença vou ver se arranjo mais temas para vocês pesquisarem, sim?
A censura
Parece que anda por aí tudo aos saltos por causa das gajas nuas no Carnaval de Torres Vedras. Censura, gritam as hostes.
Censura? E se as gentes que gritam se preocupassem antes com o estado da nossa justiça? Ter um Procurador da Républica que durante o Carnaval configura como atentado ao pudor, por pornografia, umas fotografias com umas brincadeiras mais explícitas - nada que todos os dias não se veja nos canais generalistas das nossas televisões, no intervalo das novelas papadas pelas crianças, nos anúncios dos videos para telemóveis - preocupa-me muito mais que a censura que não houve aqui.
Se o Estado está representado nos Tribunais por pessoas com uma inteligência tão pequena que quase raia a estupidez então isso é demasiado perigoso para se poder deixar passar como uma brincadeira de Carnaval. O que acontecu em Torres Vedras não foi censura, foi aplicar a Lei tão mal que se quem o fez estivesse na Faculdade de Direito merecia chumbar três anos seguidos. E se nem num caso tão simples conseguem acertar como podemos esperar que a nossa justiça não esteja a cair de podre?
Mas censura, para mim, é isto.
O NY Post pediu desculpa aos leitores por ter publicado este cartoon. Tinha sido acusado de racismo.
Parece que comparar o Obama a um chimpanzé é ser racista. Mas racista porquê? Porque o gajo é preto? Mas não é isso que é racismo? Se ele fosse branco podiam chamar-lhe chimpanzé, como é preto não porque o coitado pode ficar ofendido. Talvez eu não esteja a ver muito bem as coisas, mas se estivesse no lugar do Obama ficaria perturbada se sentisse que tinham de ter cuidados especiais comigo por a minha pele não ser exactamente branca. Então se ao Bush, que era burro, podiam desenhar umas orelhas enormes e chamar-lhe nomes, ao Obama não podem fazer o mesmo? Isso sim, é racismo e censura.
E parece que também podem ver gajas nuas
Apesar de eu ter a certeza absoluta que o que querem mesmo é ler os artigos...
Um é bom, dois é demais
Durante muito tempo fui contra. Não por questões morais, ou religiosas, ou éticas, ou sociais, mas simplesmente por razões lógicas – um direito, para ser justo, terá que poder ser universal e este, teoricamente, nunca o poderia ser. Se, de repente, todas as pessoas do mundo decidissem formar pares homossexuais e quisessem adoptar crianças cedo deixaria de haver crianças para adoptar. Depois percebi a falácia do raciocínio e deixei-me de tentar generalizar o que, felizmente, não é generalizável - é a excepção e não a regra. Não, não estou a falar da homossexualidade, estou a falar da adopção. Derrubada a lógica ilógica fiquei cara a cara com a decisão e, para começo de conversa comigo, aos costumes disse nada porque nada havia para dizer. Não me socorri de estudos, estatísticas, teses de doutoramento, mas da mais elementar razoabilidade. Seria para mim razoável, eu que há 14 anos crio duas crianças sozinha, impedir a adopção a pessoas solteiras? Está vista a resposta, não está? Sendo essa adopção possível, como é, passa pela minha cabeça que se faça depender da orientação sexual do candidato? Estou mesmo a ver a assistente social, senhora composta com twin set e pérola, a perguntar à futura mãe ou pai e olhe lá, aqui entre nós, é homossexual ou hetero? Ai é gay??? Tss tsss, mas é só em pensamentos ou pratica mesmo? Pratica? Lá em casa???? Na cama onde a criança, quando está assustada à noite, lhe vai pedir para dormir? Não! Olhe lá, não acha melhor deixar-se disso e jurar castidade? É que se for assim eu ainda posso fazer qualquer coisa.
Claro que esta conversa poderia descambar para onde quiséssemos. Abertas as portas, e as janelas, sabe-se lá se a senhora, tal como eu, não acharia que iscas é algo absolutamente intragável e não faria jurar, a pés juntos, que aquele miúdo nunca teria de se defrontar com um prato delas. Ou que não teria Saramago nas estantes. Ou um computador Magalhães para ver gajas nuas. Ou que iria ser ensinado a votar no Sr. Marques lá da Junta que pagou, do seu bolso, a festa de Natal da instituição. Ou... Ou... Ou...
E é aqui que a porca, a minha, torce o rabo. Então se não consigo conceber que no meu mundo se faça depender um direito da orientação sexual, das quecas que damos e com quem as damos, então porque raio isso se aplica a um e não a dois? Há aqui qualquer coisa que não bate certo, não há? O senhor Silva Marques, se enfiar o namorado no roupeiro lá do quarto e mentir com quantos dentes tem na boca quando lhe perguntarem se vive sozinho, pode adoptar uma criança e toda a gente fica satisfeita, então porque não o poderá fazer se se tiver casado com o tipo, seja isso do casamento o que for? Porque temos medo de ver o que nasce para estar escondido? Porque nos seguramos numa lógica de bons costumes e tememos dar os outros passinhos que o raciocínio nos diz que devíamos dar mas que deitariam por terra um mundo perfeito onde o Sol, o nosso Sol, se põe e se deita e nós permanecemos quietinhos nesta Terra estática? Porque invocamos o "interesse" das crianças com a mesma desfaçatez com que defendíamos a tal vida a que a Clara, a minha Clara, não tinha assim tanto direito?
É que esta discussão lembra-me o referendo do aborto e a posição pró-vida. Que defendiam? Defendiam que, em nome do direito à vida, a lei que já existia não fosse alterada. Em nome de quê? Da vida????? Ora porra, para não dizer pior. Sabem o que isto implicava? Implicava que a Clara, a minha Clara, era menos vida que a vida que estes senhores diziam defender. Criancinhas deficientes? Coitadinhas, temos pena, muita pena, é pecado na mesma, mas percebemos que a lei permita que as mães as matem. Agora as outras, as normais, é crime e assim deverá continuar a ser. Vidas de primeira e vidas de segunda. Valores elásticos que cobrem o que nos dá jeito estribados na arrogância da certeza absoluta.
Já me ouviram dizer Foda-se por aqui? Ouvem agora. É que gosto, gosto muito, quando em nome dos mais altos valores se patina em gelo fino querendo fazer crer que aquele gracioso deslizar em linha recta não é mais que a única forma de não se mergulhar em águas mortíferas. Porque se se pára, ou se trava, ou se dá uma curva mais apertada, acaba-se o espectáculo e o artista desaparece como por magia na fenda que se abriu, o engoliu, e se fechou a seguir.
Resumindo, que isto vai longo - os maricas e as fufas, legalmente casados, não podem adoptar porque a criança bádádi-bádádá? Muito bem, mas então tenham a coragem de dizer, alto e bom som, que se estiverem sozinhos e sozinhas também não o podem fazer porque toda a gente sabe que a paneleirice é devassa por natureza e nunca gente dessa conseguirá ser casta e a criancinha, mais tarde ou mais cedo, vai perceber que algo de estranho, muito estranho, se passa naquela casa para onde o infortúnio do destino a mandou. Solução? Só vejo mesmo uma – acabe-se com essa pouca vergonha das adopções, contra natura claro que quem quiser filhos que os faça, porque nada garante que os hoje casados não sejam amanhã divorciados e as crianças conheçam a nova namorada da mãe, ou que aquele senhor tão devoto a quem o Estado entregou o Zézinho não conheça um padre rui qualquer acabado de descobrir o amor. Seja esse amor da cor que for.
Já agora, e seguindo a tal lógica que é sempre bonita de seguir, acabe-se com os filhos e pronto. Sabe-se lá, nos dias que correm, como é que não irão acabar as inocentes criancinhas.
Caramba, esta lógica está muito complicada, não está? E que tal se aprendêssemos com os putos de quem se fala e seguíssemos o coração? Não sei porquê, cheira-me só, mas eles são muito mais práticos que nós e estão-se nas tintas para pronomes e quejandos porque o que lhes interessa mesmo, neste momento, é saber onde passam o Natal.
