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Coisas óbvias de que às vezes nos esquecemos.

Coincidências, vontades, chantagens torpes e os caminhos vieram todos dar a Roma.
Há muito que o fim de semana passado estava marcado na minha agenda e na da Ana mas, de repente, o ar fica cheio de ondas, as informações voam por esses céus fora, os lemes começam a apontar todos para o mesmo sítio e gota a gota foram aparecendo. E mais um, e mais outra e mais outro. O curral ficou metade cheio, mas cinco cabras juntos já é obra.

Este não é um post umbiguista, mas é quase um pensar em voz alta onde toda a gente me ouve e ninguém me vê.
As nossas vidas, todas elas, são feitas de encontros e desencontros, passagens de raspão, paralelas, secantes, curvas, contracurvas, encantos e desencantos. E escolhas. Penso na linha da vida como se fosse um pequeno universo, com um big bang inicial seguido da expansão e retracção. E é agora, no meio dela, que o meu mundo está maior e é agora que as escolhas são mais difíceis, por estar rodeada por milhões e milhões de partículas. As forças que levam vários desses pequenos pontos a juntarem-se podem ter expressões matemáticas, mas na minha vida o único princípio físico que pode ser aplicado é o da incerteza. Quanto mais preciso de medir mais a minha medição é alterada. Para ir ao amâgo da questão tenho de mergulhar nele e se eu lá estou forçosamente provoquei alterações. É por isso que cada vez mais tento não racionalizar muito e meti num cofre forte os instrumentos de precisão que tantas vezes me deram as medidas erradas.

Há poucos meses não conhecia muitas das pessoas com quem passei o último fim de semana. Cruzaram a minha vida há meia dúzia de dias e ficaram por cá. Apareceram-me escritas em letras, dentro de caixas onde nada se via e tudo se adivinhava. E fomos-nos adivinhando sem nos vermos, fomos-nos medindo sem fitas, avaliando sem tabelas, descobrindo-nos sem mapas nem direcções definidas. Sentimos-nos sem nos tocarmos e aproximámos-nos sem estarmos perto. E agora já ninguém diz que engraçado também eu, porque já todos percebemos que foram esses eu também que levaram a reconhecermos-nos no meio da tal imensidão de escolhas. Não pode ser por acaso que algumas das pessoas que agora me estão mais perto vieram até mim sem cartão de visita, bilhete de identidade e um rosto a dar forma ao resto. E hoje, ao pensar nisso tudo, lembrei a velha frase da raposa - só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
E nós, que até já sabiamos isso, esquecemos muita vez. E depois ficamos feitos miúdos, encantados, e passámos um fim de semana a olhar uns para os outros e a pensarmos que a pessoa que estava ali, na nossa frente, e que nunca tinhamos visto com os olhos, era exactamente a mesma que já tinhamos descoberto com o coração. Como se isso fosse motivo para espanto!

Serviço Público.

Mandaram-me o endereço deste site. E não é que está a revelar-se muito melhor que a encomenda? Centenas de links para (quase) tudo o que é importante. Já é a minha Home Page e recomendo uma espreitadela.