Mostrando postagens com marcador não isto aqui em casa não é definitivamente uma democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador não isto aqui em casa não é definitivamente uma democracia. Mostrar todas as postagens

Aquela coisa do Frei Tomás

Não tivessemos nós tanto golpe de rins e teríamos sido encostadas às tábuas. Quando a conversa começou percebeu-se logo que aqueles dois já tinham debatido o assunto o suficiente para terem acertado convenientemente as agulhas.


Os tipos encaixaram bem desde o princípio e formaram a dupla do fim de semana. Está bem que o Calamitoso mais velho é giro, tem uns olhos fabulosos, é meiguinho, é da idade da Xica e a Xica, sendo minha filha, não é burra nem distraída nestas coisas, mas também não era preciso terem-se colado um ao outro e, menos ainda, afinarem tão bem os diálogos.

- Já viram como estes encontros podem ser perigosos para nós? É que fartam-se de nos avisar para termos cuidado com as pessoas que conhecemos na net mas o que vocês nos estão a mostrar é que as pessoas que se conhecem na net são fantásticas. Todas as que encontrámos nestes dias eram assim e vocês são amigas e tudo.

Eu e a Peixa, deitadas nas nossas toalhas na praia, a trocar mais umas interessantes opiniões sobre o Tiago (ainda vamos ter de vos apresentar o Tiago...) fomos obrigadas, com este comentário, a entrar em alerta vermelho e a começar a racíocinar rapidamente.
Sacanas dos putos. Apanharam-nos na curva e íamos ter de descalçar a bota depressa e inteligentemente, que menos do que isso eles não deixariam passar.
E o debate começou.
Atirámos com todos os trunfos logo de princípio para tentarmos controlar de imediato o jogo e evitarmos que começassem a fazer vasas. Experiência, idade, idade, experiência, muitas horas de net, capacidade para ver para além do que é para ser visto.
O factor sorte não veio à baila porque há que convir que nisto não há sorte, há mesmo só muita sabedoria e jeito para o jogo.

Acho que eles perceberam, mas eu também percebi que as questões deles são perfeitamente legítimas. Farto-me de ensinar às miúdas que a net é perigosa e que não se devem expôr e depois todas as pessoas que lhes atiro para o prato, e que conheci na net, são realmente pessoas excepcionais. E elas topam isso tão bem como eu. E estou a falar da Gaija, do Santo, do Shark, da Peixa, da Sem Se Ver, da CJ, e agora também do Cy e da Elle. E os miúdos vêem-nos abrir as portas das vidas, e das casas, e dos corações, as estas gentes a quem chamamos nomes estranhos e a quem quase nunca tratamos por um decente nome de baptismo e as perguntas disparam, como dispararam naquela tarde.

Mas no meio de explicações mais coxas que eu, e de muitas contradições, exames de consciência, ponderações e justificações lembrei-me da Clara e de uma das frases da Clara:
- Tu és a mãe. Tu consegues.

Nem mais.
Eu sou a mãe. Eu consigo.
E, para já, é só isso que eles têm de perceber. Nós somos as mães. Ou os pais. E nós conseguimos o que eles não conseguem.
Ponto.
Final.
Parágrafo.
Eles, podem ter a certeza, agradecem-nos por essa segurança. E fazem o que lhes dizemos para fazer mesmo que, numa tarde de Sol, nos tentem apanhar na tal curva apertada depois de nos verem em territórios que, para eles, estão absolutamente proibidos.

Desde que tudo corra bem. Porque com eles, como sabem, só se falha uma vez.