Tal como acontece na política, com os países democráticos a copiarem o modelo uns dos outros com uma aproximação bastante razoável, agora as religiões começam a descobrir o benefício do plágio.
À semelhança do que já se verifica nas nações sob o domínio fundamentalista islâmico, a igreja católica (não, não tenho falta de maiúsculas) decidiu assumir-se capaz de influenciar a opinião dos fiéis em termos de opção partidária (já não é mau aceitarem eleições, por este caminho...), nomeadamente fazendo pender o único camartelo de que uma qualquer religião com tiques de seita é capaz: o do pecado inerente a votar nas opções que não sirvam à risca os propósitos da santa mãe nostálgica que evidencia dificuldades na interpretação do que Estado laico quer dizer.
A chantagem implícita nas afirmações episcopais acerca da questão do casamento gay, ameaçando utilizar o poder (que o Estado em muito sustenta) sobre os fiéis por forma a manipular a sua alma eleitora, constitui (mais) um retrocesso de séculos na evolução de uma igreja incapaz de entender que não pode aplicar num país europeu do séc. XXI o mesmo critério a que se podia permitir na América do Sul do séc. XVI.
Perante o que está em causa na posição oficial dos bispos católicos portugueses e nas respectivas repercussões potenciais, nada do que escrevo acima é um exagero.