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Eu já aceitei muitos desafios

Eu já fiz uma filha
Eu já escalei um monte e limpei o rabo a um cachecol na sua encosta
Eu já fui recebido numa casa tradicional de uma família masai, feita de merda de vaca e galhos de madeira
Eu já tive um melhor amigo
Eu já fiz amor na berma de uma auto-estrada
Eu já bebi uma garrafa de uísque sozinho
Eu já fui o primeiro aluno expulso na longa carreira de uma professora
Eu já tive uma irmã
Eu já fui expulso de uma igreja durante a missa dominical
Eu já vivi com uma mulher estrangeira na sua terra
Eu já tive que fugir de uma matilha de skinheads
Eu já levei bastonadas da polícia numa manife
Eu já consegui amar duas mulheres em simultâneo
Eu já fui jornalista
Eu já militei num partido político e recusei um cargo elegível
Eu já escrevi um livro que ninguém publicou
Eu já tive um salário mais alto do que o do Presidente da República
Eu já aprendi a ouvir
Eu já fiz amor num estúdio de rádio em plena emissão
Eu já me deixei humilhar por paixão
Eu já fui viciado no jogo e deixei de o ser
Eu já disse não quando um talvez bastaria
Eu já menti
Eu já me arrependi
Eu já fui um ponta-de-lança goleador
Eu já me apaixonei por utopias
Eu já desiludi
Eu já beijava bocas aos cinco anos
Eu já dancei a valsa em Viena
Eu já tenho saudades tuas
Eu já tentei esquecer
Eu já arrisquei a vida por alguém
Eu já acredito que um dia acabarei por morrer também