Há um homem que corre ao fundo desta avenida. Parece fugir de uma vida, pois nem por uma vez se volta para trás.
Parece sentir-se capaz de escapar a uma realidade qualquer, um problema financeiro ou o amor por uma mulher errada, o homem que corre ao longo desta estrada sem medo dos carros que o ladeiam no alcatrão.
Acabo de cruzar com ele o meu olhar curioso e acho sem dúvida espantoso o seu ar de quem tenta conjugar alívio e aflição. Parece ter perdido a razão algures, provavelmente nos bastidores do seu dilema, mas não consigo sentir pena da aparente demência que lhe preserva a consciência de alguns dolorosos beliscões.
Há um homem que corre para fugir às emoções demasiadas, indiferente a quais as estradas que precise palmilhar para atingir um lugar calmo e seguro, pois no mapa do seu futuro multiplicam-se as incógnitas.
E eu acabo de me cruzar com ele, corremos em direcções opostas.
Talvez, quem sabe, em busca das mesmas respostas...
Há 2 meses