São nove da noite.
Os miúdos - as minhas e o emprestado - estão na piscina. Acho que mergulharam com a roupa que traziam vestidos, mas hoje está tudo bem e já perceberam que podem fazer quase tudo, que eu faço a seguir e rio com eles.
O Sérgio Godinhos grita pelo Casimiro como há muito não gritava, porque imitações ninguém gosta aqui e a Etelvina está quase a chegar e o fundo do mundo, e o fundo de mim e o fundo do mar também por cá andam.
Os cães estão todos deitados na carpete da sala, que já foi branca,sem perceberem porque finjo que não vejo. A televisão voltou a ser desligada e vai continuar assim, a cozinha está espezinhada de água, que elas vão entrando e saindo a pingar, as jarras têm flores novas, tenho um cesto cheio de cebolas acabadas de apanhar e com a rama bem verde, figos para o pequeno almoço, uvas dos vizinhos, milho verde para assar e seco para pipocas.
Vamos acender as brasas para a carne e gritar na relva.
A lua, muito pequena, a minguar na fase dela que hoje não é a minha, estava laranja escura entre os eucaliptos e as palmeiras.
Afinal, é tão fácil ser feliz!
E sim, gosto muito, mas muito, de viver no meio de nada. E é aqui, neste sítio quase mágico, que me encontro dentro de mim.
Há 2 meses