Apenas uma brisa corre por aqui.
Uma daquelas brisas mornas e agradáveis que nos acaricia e arrepia a pele. Não se vêem movimentos bruscos e até os pássaros pararam de cantar, não por frio ou medo, mas sim para aproveitar a tarde para se refugiarem nos seus ninhos passarando.
O calor convida à preguiça e os ponteiros do relógio arrastam-se vagarosamente. O mundo parece estático. Parado sob o sol quente.
Quando a brisa passa, também ela muito lentamente, respira-se um pouco mais fundo e aproveitamos para nos espreguiçar.
À medida que a tarde avança, começa-se a adivinhar a agitação da noite. Porque será que tardes quentes geram sempre noites inquietas?
Ao fim da tarde, ao passar-se pelas ruas, sente-se o cheiro, primeiro ténue depois mais intenso, da comida. O cheiro característico dos grelhados. Quando atravessamos os becos, o calor da atmosfera misturado com o calor das brasas dos grelhadores cola-se à nossa pele.
Quando a noite cai, acobertando, com o seu manto, segredos e amantes, as pessoas saem à rua em busca de ar fresco ou de aquecimento para a alma.
Ouvem-se risos nas ruas e crianças a jogar à bola, aproveitando as férias e o calor para se divertirem e terem a liberdade que não têm no resto do ano.
Vêem-se mulheres bonitas e de tez bronzeada em busca de divertimento. Vêem-se casais de namorados a passear junto à praia. Vêem-se amantes na praia.
Os bares e esplanadas estão cheios. Novos, velhos, ricos, pobres… No Verão toda a gente sai à rua. Nas noites quentes de Verão toda a gente quer viver. Toda a gente quer amar e ser amado, nem que depois se enterre o amor na areia.
Terminada a noite, aos primeiros raios da aurora, as pessoas desaparecem das ruas e refugiam-se nos braços de Morfeu, ou noutros quaisquer, e esquecem o mundo. O ciclo recomeçará dentro de algumas horas…
Quando passar uma brisa por aqui.