- Mamã, está ali o A.
- Quem é o A.?
- O A. é o miúdo mais corajoso da escola.
- Ai é, que é que fez?
(confesso que imaginei-o com uma lagartixa na mão, ou a trepar ao telhado, ou mesmo a enfrentar um professor injusto...)
- o A. disse na frente da turma toda que gostava de ser menina.
(três glups em seco...)
- não achas que foi de muita coragem, mamã?
- claro que acho, mas como é que vocês reagiram?
- ninguém disse nada, que não havia nada para dizer.
- e não voltaram a abrir a boca?
- sim, já falámos nisso. Achamos todos que foi preciso coragem para dizer que queria ser menina e toda a gente o admira. É o mais corajoso da escola.
Pois é. Talvez estejamos a fazer alguma coisa certa. Talvez os nossos filhos, aqueles miúdos que não sabem brincar e só vêem televisão e querem é msn e sms e essas coisas todas horríveis que fazem e o que vai ser deles que no nosso tempo é que eramos educadinhos, esses mesmos, talvez eles estejam a crescer muito, mas muito, melhores que nós.
- Quem é o A.?
- O A. é o miúdo mais corajoso da escola.
- Ai é, que é que fez?
(confesso que imaginei-o com uma lagartixa na mão, ou a trepar ao telhado, ou mesmo a enfrentar um professor injusto...)
- o A. disse na frente da turma toda que gostava de ser menina.
(três glups em seco...)
- não achas que foi de muita coragem, mamã?
- claro que acho, mas como é que vocês reagiram?
- ninguém disse nada, que não havia nada para dizer.
- e não voltaram a abrir a boca?
- sim, já falámos nisso. Achamos todos que foi preciso coragem para dizer que queria ser menina e toda a gente o admira. É o mais corajoso da escola.
Pois é. Talvez estejamos a fazer alguma coisa certa. Talvez os nossos filhos, aqueles miúdos que não sabem brincar e só vêem televisão e querem é msn e sms e essas coisas todas horríveis que fazem e o que vai ser deles que no nosso tempo é que eramos educadinhos, esses mesmos, talvez eles estejam a crescer muito, mas muito, melhores que nós.