Naquele tempo (porque ainda não sou tão antiga que já possa dizer “no meu tempo”), íamos para a praia de manhã. Antes de sairmos, a mãe preparava um pequeno cesto para os apetites fora de horas.
Chegávamos e a primeira brincadeira começava. Havia que marcar os nossos (ainda pequenos) pés na areia cuidadosamente limpa e alisada pelo banheiro no interior da barraca. Lembro-me que as minhas preferidas eram as que combinavam as riscas brancas com turquesa e vermelho. Ajudávamos (acho…) a desfazer o saco e começávamos à procura dos grandes amigos que por vezes tínhamos conhecido na véspera. Jogávamos às escondidinhas, às caçadinhas, ao prego. Não tenho memória de simples castelos de areia, mas de grandes fortes com resistentes muralhas. Por vezes, ao fim da tarde, juntávamo-nos em grandes rodas e, sentados na areia, cantávamos. Eram a melhor forma de terminar o dia. De vez em quando íamos à geladaria da praia, à Esquimó. Os gelados grandes custavam cinco escudos e os pequenos vinte e cinco tostões. Nem todos os dias comprávamos os mais caros!
Entretanto, aproximava-se a hora do pai chegar. Ficava um bocadinho na praia connosco onde se apressava a esquecer o dia de trabalho. Depois arrumávamos os brinquedos no enorme saco que o banheiro recolheria no armazém do concessionário. Regressávamos a casa cansados e felizes. Os quatro.
Há 2 meses