Pátio dos desencontros
Nunca percebi se me eram dirigidas aquelas palavras esquecidas que ela quis esculpir num muro antes de partir, numa pedra de gelo que o tempo já quase derreteu.
Nem sei se já me esqueceu ou se ficou tatuada na sua memória cansada a imagem cliché de um beijo prolongado diante de um ocaso alaranjado de Verão.
Nunca saberei se neste momento ela sabe que ainda existo ou se isso lhe interessa sequer.
Sei apenas que é a mulher cujo cheiro me evoca o canteiro daquela vizinha do rés-do-chão que combatia a solidão espreitando, parasita, por detrás das cortinas daquela janela deserta, o amor possível para um voyeur como aquele que contempla agora as cicatrizes esfareladas nas paredes meio desabadas onde ela, a caminho de uma porta de saída em busca de salvação, gravou o epitáfio da sua secreta paixão.
já que ninguém diz nada
ficou tudo "marabilhado" com o prémio Dardos e borrifaram d'alto e de repuxo para o prémio de segunda categoria não é???
Pois está claro que foi!!! Um prémio oferecido pelo 100Nada, esse ícone da blogoesfera (olá Cat!) tem um peso que eu sei que um prémio oferecido pelo blog azul cheio de fios soltos ali do lado não tem. Eu sei sei disso tudo, mas gaita lá por eu ser da casa também tenho direitos, ou não??? Passam a vida nas minhas caixinhas e eu como é óbvio tenho de ser isenta nestas merdas nomeei quem lá vai comentar, que culpa tenho que sejam da família? Ah? Nenhuma, pois é, a família a malta não escolhe! E qual é o tratamento que dão ao meu prémio? Nem ligaram!!! Foi o que foi. Cambada de ingratos, é assim que se trata um membro do rebanho, hem? Fui nomeada a cabra-negra da família e esqueceram-se de me avisar foi???
Pois tomem lá o prémio que não é bonito assobiar para o lado quando vos oferecem alguma coisinha e fiquem sabendo, que "quem dá o que pode a mais não é obrigado", sim?
Agora nomeiem vocês mais 7 que eu estou farta das cerimónias de entrega dos prémios e não sou organizadora de eventos.
E agora vou pô-lo alí na barrinha lateral por causa das tosses, que este curral está cheio de cabras de má memória.
Voltem pázinhos que eu gostava de vocês
... ou "Os blogs que não viraram livro", ou "Eles andaram aí", ou "Pégadas na neve" ou mais uma dezena de títulos que podia pôr neste post. Por causa da Catarina, e dos prémios, e das nomeações, andei aqui mergulhada na minha lista de favoritos. Há muito que não passava por lá e, para terem uma ideia do que falo, vou já adiantando que tenho uma pasta chamada "Blogs" (é boa, o nome é original...), que essa pasta está dividida noutras 34 pastas e todas estas pastinhas estão atulhadas até deitar fora. Blogs, muitos blogs.
Estas novas tecnologias são excelentes para pessoas como eu, que gostam de guardar tudo mas depois são alérgicas ao pó. É que me parece que acabei de sair do sotão da casa da minha mãe, com a enorme vantagem de não ter as mangas do casaco a brilhar de tanto ter limpo os pingos que começam logo a escorrer do nariz. Encontrei coisas que não via há muito tempo, reencontrei memórias quase esquecidas, lembrei-me de onde estava quando li isto ou aquilo, fui cuscar na pasta "emails de blogs" os emails que troquei com tanta gente (já vos falei naquele email dos Gato Fedorento, pshiuu, eu sei mas há gente que ainda não sabe e não posso perder uma oportunidade destas!, a proibir-me de lhes mandar piadas com mais graça que as deles? Ah!, pois é...) e acabei a dar uma volta pela cidade velha, os blogs veteranos, os blogs com arquivos de 2002 e 2003.
E nestes blogs velhinhos há dois que ficarão sempre no alto das minhas colunas de favoritos. O Where is Raed porque foi a porta por onde entrei para este mundo e O Blog dos Marretas porque foi o que me levou a, poucos dias depois de eles terem aparecido, ficar uma noite inteira às voltas com o html até finalmente ter criado um blog onde escrevi um único post, mas até hoje aquele de que mais me orgulho. O título era "Teste" e o texto "Consegui!".
Mas nesta viagem feita de url's e links dei por mim a pensar em todos aqueles blogs que fizeram parte do meu dia a dia, onde alguém escreveu posts com o mesmo gozo com que eu agora aqui escrevo os meus, mas que chegaram ao fim e foram ficando perdidos onde já quase nem o Google os encontra. Não aparecem em catálogos, não estão em bibliotecas, não são citados, nem linkados nem estão sequer a segurar a porta da sala para não bater com o vento. E não eram blogs bons, são blogs bons, porque o que lá foi escrito por lá continua, para quem um dia, como eu hoje, por lá passar.
E é em nome dessas horas todas de enorme prazer que me deram que decidi agradecer-lhes na medida do meu possivel. Assim, de vez em quando, deixarei aqui, no Cabra, uns posts desses blogs que não morreram, só deixaram de ser actualizados.
O blog de hoje não é dos mais antigos nem dos que mais duraram, mas durante um ano, de 16 de Dezembro de 2005 a 16 de Dezembro de 2006, todos os dias o Ricardo deixou mais uma pergunta. Como ele diz Foram 365 dias, 365 posts, 365 perguntas, e podiam ter sido mais se 2006 fosse um ano bissexto. Chama-se perguntar não ofende e de lá tirei as perguntas que ficam aqui. São duas, porque para a primeira, feita a 30 de Dezembro de 2005, acredito que toda a gente tem resposta...
Quando regressar à TV a Manuela Moura Guedes já estará igual à Betty Grafstein?
posted by Ricardo
Se amamos uma pessoa mas estamos secretamente apaixonados por outra, qual delas estamos a enganar?
posted by Ricardo
Mais nada
É poderoso, o efeito de uma paixão, e desarma por completo as parcas defesas que o bom senso tenta incutir em vão com a sua abordagem racional. Precisamente porque quando nos apaixonamos a sério nunca pensamos em verdades ou consequências, deixamo-nos arrastar por essa força maior que rasga sulcos nos obstáculos como uma imparável enxurrada.
... e agora vão lá, ao Charquinho, ler o resto!
Assuntos Internos.
- Nomeação de blogs Dardo e blogs Alvo que estas chatice dos prémios só dá trabalho;
- Apresentação dos vários candidatos e constituição das listas de nomeados;
- Entrega das listas à chefa para serem postas à votação numa eleição totalmente livre, a decorrer sob o alto patrocínio das Nações Unidas e com observadores nomeados para o efeito;
- Simulação do acto eleitoral (eleitoral, Shark, eleitoral!) porque chefa já decidiu tudo e os e observadores perderam-se no sobe e desce das caixas de comentários;
- Desbunda total que por esta altura já ninguém se entende, apesar das várias tentativas do Santo de pôr alguma ordem na sala;
- Envio dos prémios aos felizes contemplados se ainda estivermos em condições de fazer o que quer que seja.
A Cabra
O prémio da Gaija.
Desde o dia em que ganhou um pacote de Skip neste blog que a Gaija do Norte ainda não parou de me chatear para lhe entregar o prémio. Só ainda não o tem por dificuldades de transporte, que espero serem rápidamente ultrapassadas, porque percebo a falta que faz!
este blog tem prémio

"Cabra de Serviço: estas gajas (que me perdoem os rapazes que as acompanham, mas para mim é o blog delas atiram a matar para todo o lado. E quase sempre acertam. Além do mais, temos infância em comum, eu e a Teresa, embora indirectamente. Nestas coisas, isso conta."
A Catarina reconheceu este blog com o prémio Dardos
"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web".
Quem recebe o “Prêmio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogs a que entregar o Prémio Dardos.
Dando cumprimento às regras, este post será oportunamente actualizado pela Cabra-Mãe que divulgará o nome dos 15 felizes contemplados.
2ª feira
Há aqui umas cenas que são Outbound (apoio a cliente) e depois outras que são Inbound (retenção). Estas consistem em "linha de retenção/persuasão de actuais clientes, com ofertas especiais que visam a sua manutenção" ou Winback "linhas de âmbito comercial a não clientes".
Marketing, é? Bem, não creio que nas Páginas Amarelas haja muita gente a desistir dos serviços.
Mas também não estou a ver o tipo de informações que podem querer (preço dos anúncios?) ou é mesmo " em que letra encontro um canalizador?".
Mas aquela feira de ontem...reflecte bem a crise. Ofertas entre Programadores e Analistas e Técnicos de Informática para a banca e empregada de andares, de mesa, extras, vendedor Porta a Porta, operador de Telemarketing. São especialistas, turismo ou vendas. Temporários de preferência.
Entretanto vejo no noticiário da manhã, a nova moda dos fatos espaciais, para o turismo em desenvolvimento no espaço, e um velhote gordo a dizer que não é só a experiência de andar no espaço, também se quer trazer uma recordação. Para depois andar a regar o jardim com ele, se calhar. Ah, ah , ah.
Domingo na Feira
Agora já compreendo os meus colegas que se lamentam "lá tenho de ir à Feira .....em Frankfurt...Londres..." etc. É que é mesmo uma trabalheira estas feiras de serviços....
Uma pessoa entra e dão-nos logo um saco com uma revista de Design e um semanário, e um boné, para nos imbuirmos do espírito. Depois há barraquinhas com gente que nos ataca com papéis e umas folhas de candidatura, e há umas tômbolas e se a gente lá puser o papel sorteiam um pc portáctil! Assim , comecei logo por me inscrever no Call-Center das Páginas Amarelas e ganhar uma rifa. Depois telemóveis e agarramos numas canetas e numas bolsas para telemóveis. A seguir Imobiliárias, mas esquivo-me habilmente e começo com todas as empresas que têm part-times e "assistente" no nome. Enfiei-me nas que tinham mais gente à volta e penso que me inscrevi em Assistente de Eventos (boa! posso ir a mais feiras!), Assistente de Call-Center (de novo), Assistente em Navio Cruzeiro e Assistente de escala Aérea.... ei , estas últimas não me parecem em part-time! Mas é assim , o entusiasmo de comprar t-shirts e tops...
E que é "Técnico de Primavera?, parece informática, mas era em Faro...
Meeedooo
Tenho vizinhos novos! Têm hábitos estranhos: o tapete está sempre no meio do patamar e mantêm a porta aberta. Há pouco ouvi um grande alarido. Ela começou a descer as escadas dizendo “- Ai é assim, então faz tu! Pashhhh, vou lá para baixo.”
Eu e o Hélder partilhámos este patamar em grande harmonia durante treze anos. Estou apavorada!
Bom Domingo!
Para brincar só conhecia as Poly, aquelas bonecas pequeninas, ar idiota e muitos apetrechos, mas este Poly aqui parece muito mais interessante que vestir, despir e passear de carro bonequinhos de plástico com dez centímetros de altura. E escusam de me agradecer a dica que, como sabem, faço tudo para vos ver felizes. Recomendo uma visita ao site do Poliamor Portugal porque, como dizia a outra, não se deve negar à partida um gozo que se desconhece e as tais gémeas suecas parecem-me uma coisa muito sensaborona ao pé desta verdadeira torre de Babel.
Relações múltiplas, simultâneas e consentidas. Não é só sexo. Sexo e afecto. Amores múltiplos. Poliamor. Um conceito novo para uma prática que sempre terá existido e que desafia um dos tabus maiores da nossa sociedade: a monogamia.
Mania de complicar.
Os astrónomos detectaram um asteróide curioso, que anda à volta do Sol no sentido inverso aos dos restantes corpos do Sistema Solar. A descoberta pode ajudar a explicar a origem da família de cometas como o Halley e pode ser o elo perdido que há muito se procurava.
O ‘novo’ asteróide foi baptizado 2008 KV42, encontra-se na cintura de Kuiper, um anel de corpos gelados além de Neptuno, a descrever uma órbita que é quase perpendicular às órbitas dos planetas, com uma inclinação de 104 graus.
A equipa que o descobriu já o apelidou de Drac, diminutivo de Drácula, pois a órbita ‘lateral’ deste corpo celeste dá a impressão que pode andar pelas paredes e que, além de um carácter ‘rebelde’, tem poderes mágicos tal como os vampiros.
Os investigadores do grupo de Investigação Franco-Canadiana do Plano Eliptíco (IFPE) detectaram, pela primeira vez, o corpo ‘rebelde’ a 31 Maio , usando, para o efeito, o telescópio Canadá-França-Havai.
Ex.mos Senhores Cientistas,
Percebo que o dia a dia cá pela terrinha não seja um desafio digno para as vossas brilhantes mentes, mas talvez fosse uma boa ideia olharam primeiro para aqui antes de espetarem os narizes nas estrelas. Um asteróide com uma órbita ao contrário? E então? Apontem o vosso telescópio para cá, durante o dia de hoje, e irão perceber o fenómeno sem necessidade de muitas fórmulas matemáticas.
Escusam também de perder tempo a arranjar esses nomes complicados que há muito que eles estão baptizados. Chamam-se "Condutores de Domingo"!
(obrigada pela dica, Z)
Domingo, dia de rancho melhorado II
www.heartattackgrill.com
Concorrência ao Googlanto?
Recebi por mail com o assunto "o melhor de sempre", mas ainda não testei.
http://www.slboogle.com/
Regresso ao futuro
Encontrámo-nos por acaso, num daqueles acasos esperados durante tanto tempo que quando aconteceu já não o esperávamos. Ao princípio e, durante alguns frames, ainda me perguntei se seria verdade, claro que era verdade, quase nos esbarrámos e o meu coração deu um salto ao mesmo tempo que o meu estômago deu um nó e a minha espinha dorsal se contraiu.
Já não nos viamos há meia dúzia de anos. Estás mais velho, tens muitos mais cabelos brancos do que me lembro, as tuas rugas das pálpebras inferiores estão ainda mais marcadas, o olhar mais pesado, o sorriso igual a tantos outros que me lembro, tens a barba mais aparada do que eu gostava e manténs o mesmo cheiro. Senti-o enquanto nos cumprimentávamos, atabalhoados, com as palavras a ficarem presas ao invés de um discurso fluído.
Perguntaste-me como estava. Respondi-te que bem. Retorqui a pergunta e acrescentei as tuas filhas à minha. Respondeste-me, igualmente que estavas bem e que as miúdas estavam crescidas. Perguntaste-me sobre os meus e respondi-te da mesma forma. Crescidos.
Ficámos ali, no meio da rua, a olhar um para o outro, durante instantes que me pareceram silêncio a mais, com mil e uma perguntas a assaltarem-nos a mente e demasiado medo para ouvir as respostas.
-Gostei de te ver.
-Eu também.
E assim, com mais dois beijos, menos, mas ainda assim, atabalhoados, mais uma vez nos despedimos. Depois, tu seguiste para Sul e eu para Norte, novamente, ambos a cruzarmo-nos em sentidos opostos. Segui o meu caminho sem olhar para trás, mas mais uma vez senti o maldito fio solto. Meia dúzia de anos passados (ou terá sido um século?) e o fio que julguei perdido mas arrumado afinal não estava assim tão arrumado.
Finalmente consegui mentir-te, não gostei de te ver.
As palavras que nunca te direi.
Tenho andado o dia de hoje às voltas com isto, mas não há mais voltas a dar - todas as alturas felizes da minha vida estão associadas a ti e fui sempre infeliz quando tu não estiveste. Ou, dito de outra maneira, fujo de ti quando o meu mundo se vira e meto-me naqueles meus buracos a lamber feridas sozinha.
Pudor? Talvez. Não quero que me vejas em pranto, não quero que vejas o meu lado lunar.
Não faz sentido, não, não faz, que foi a chorar que nos conhecemos. Eram lágrimas e lágrimas pelas caras abaixo na frente daquela pauta onde pela primeira vez nas nossas vidas vimos um oito ao lado dos nossos nomes. E fomos arrastando a indignidade até casa, e fomo-nos olhando de lado, e fomos marcando as coincidências. A mesma nota, as mesmas lágrimas, o mesmo autocarro, o mesmo bairro e as mesmas casas, que a partir daí a minha casa passou a ser também a tua e a tua nunca mais deixou de ser a minha.
Sabes como sou, conheces-me melhor que ninguém, e sabes também que se paixões tive muitas, amei pouca gente na minha vida. E disse, ainda menos vezes, amo-te. Mas a ti digo. E digo hoje como digo há muito tempo, porque há muito tempo que fazes parte de mim e há muito tempo que me ensinaste que se pode gritar amo quando se gosta muito, assim tal qual eu gosto de ti, ou das minhas filhas, ou dos teus filhos.
Lembras-te do dia, há tantos mas tantos anos, em que fugi de Coimbra para me enfiar sozinha na casa da Figueira? E de como tu arranjaste como lá ir ter, porque adivinhaste que me ias encontrar como me encontraste, sentada no chão da sala, encostada à parede do fundo, sozinha, às escuras, e a chorar convulsivamente? Deve ter sido a segunda vez que me viste chorar. E a última.
E lembras-te de como há tão pouco tempo, mas há tanto, caramba!, há tanto!, eu e as miúdas, as que também são tuas, nos metemos no carro do P., ainda de madrugada, para te fazermos a surpresa de te aparecermos à porta de casa no dia em que tanto festejavas, com um frango assado embrulhado em papel, um vinho ranhoso num pacote de cartão, um paozito num plástico, e te dissemos, quando abriste a porta, que iamos para a festa mas levávamos uma bucha? E de como rimos às gargalhadas com a tua cara de espanto, e de como nos abraçámos, e nos chamámos nomes e fingimos, durante uma tarde, que as nossas vidas eram sempre assim, com tudo partilhado e cozinhas cheias de gente e mães e histórias da namorada imaginária de um pai que também é meu, e sopas de cebola sem sal, raios o partam!, o gajo até cozinha bem, mas é dado a esquecimentos.... e crianças felizes em cima das árvores do jardim?
Tenho saudades tuas. Tenho muitas saudades tuas. Muitas mais que de todas as outras pessoas juntas de quem também tenho saudades - bem, há aqui uma excepção, mas depois conto-te... - e a minha vida, não há volta a dar, já disse, nunca é feliz se tu não estás nela.
Sabes que é contigo que as minhas filhas ficariam se alguma coisa me acontecesse, e isto nem é discutível, e sabes que não sei quando os teus filhos fazem anos, só faço uma ideia, mas também os pari um bocadinho. Sabes que a tua mãe também é minha mãe, e isto também não é discutível, e o teu pai é o homem que faz esta minha mãe feliz.
E sabes tantas coisas mais. Sabes que sou tudo o que não és e tu és tudo o que não sou, e sabes que gosto da tua vida e às vezes não gosto lá muito da minha e sabes que o Z. fui eu que vi primeiro, mas pronto, por ti, só por ti, que nestas coisas de gajos não me costumo distrair, faço tudo... E sabes, sabes muito melhor que eu, que preciso de ti. E que tens de ser tu a desencostar-me das paredes quando às vezes me sento a chorar, e és tu que tens de me dizer que também por ti tenho de me rir, de me rir muito, que eu sou a que tem de estar sempre feliz.
Mas sabes, às vezes, como agora, é muito difícil.
Isto é para ti. Porque te o devo e porque preciso de o ler. Porque é assim, neste open space, que me apetece dizer-te que podes não estar, ou melhor, eu posso não estar, mas tu és tu, tu és a minha amiga, se é que isso, hoje, ainda faz algum sentido. Se é que hoje, ser amigo, ainda pode ser assim, para a vida e para a morte, sem divórcio possível ou partilhas de bens.
Tu fazes parte de mim, tu és a outra mãe das minhas filhas e tu és a gaija mais estuporada e mais difícil de aturar que alguma vez outra gaija arranjou como amiga. Tirando eu, claro.
E, digam o que disserem, doa a quem doer, nem sempre blood is thicker than water.
Não sei se me quero apaixonar!
Como é do conhecimento geral, a gaija já não se apaixona há uns meses, e antes desses meses, há uns anos. A última vez surgiu de repente, apanhou-me completamente desprevenida, levou-me o sossego e transformou a minha vida num oito de um dia para o outro. Apesar de ter terminado tão repentinamente como começou, guardo as melhores, mais quentes e deliciosas lembranças de todos os momentos. Nunca chegou ao confortável amor, mas aquela paixão fez-me sentir o que quase tinha esquecido, embora nunca tivesse duvidado que conseguiria voltar a sentir-me assim. As últimas experiências não tinham sido das melhores, pelo contrário, quase me transformaram na pessoa que nunca quis ser: fria, avessa ao carinho, sem capacidade para mimar! Mas a paixão lá foi, com algum, não muito, choro. Agora dou-me a este tempo de eventualidade que, parecendo estranho para muitos, confesso me agradar. Aproveito os momentos, sou feliz enquanto os vivo, não deixando de o ser quando nos separamos sem data marcada para nos voltarmos a encontrar. Não há compromissos, juras nem medos. Somos verdadeiros, cada vez mais. Gostamos de estar juntos e ponto final. Esta gaija, que aqui se descasca completamente, não existia há um ano atrás. Foram umas intempéries, umas frentes quentes e outras frias que a fizeram assim, e embora por vezes pense que gostaria de sentir os tais arrepios outra vez, as experiências de que tenho sido uma atenta ouvinte, colocam-me várias incertezas para as quais não encontro resposta e que me levaram à presente posta. Porque é que elas sofrem tanto? pergunto do alto da minha distância! Já lhes dei todas as respostas, elas estão cansadas de me dar razão e, no entanto, insistem em viver o seu sofrimento. Se uma tem alguns motivos para a lamentação diária porque vive num impasse cujo fim já todos conhecemos (e como eu quero estar completamente enganada…), a outra tem noventa por cento do mundo na mão, faltando-lhe muito menos do que qualquer maria que manda o seu manel lá para fora lutar pela vida! Diz esta que tem medo, medo que seja bom de mais (ò valha-me Deus!). O que é que pode ser bom em demasia??? Eu desconhecia o conceito, e preferia ter ficado na ignorância porque agora, se me voltar a apaixonar, vou ter mais um problema. Sei que se estivesse na situação delas, longe do raciocínio frio do presente sem paixão, cometeria os mesmos erros, apresentaria as mesmas desculpas esfarrapadas sempre que me confessasse e fecharia os olhos de cada vez que o tal momento de felicidade se proporcionasse, deixando-me ir como se não houvesse amanhã. Saberia, teria plena consciência, como todas temos, que o choro chegaria e me consumiria, mas nada, absolutamente nada me impediria de sentir aqueles braços á minha volta!
O Mundo ao contrário.
Chuva. Trovoada. Sem luz. Sem água - ah, pois!... isto é campo e a água vem da cisterna com a bomba... - mas, maravilha da técnica, com computador e internet e telefones. Enquanto as baterias não se forem, claro.
Isto era suposto ser segredo...
... mas estou tão babada, que não me aguento nem mais um minuto sem pôr a boca no trombone. E se devemos dar as boas vindas aos novos blogueiros e fazer-lhes a gentileza de lhes pôr um link nos nossos blogues, então aqui vai.
Chama-se 6ºA - (O blog), é suposto vir a ter vinte e tal membros, a turma toda, pois então, mas por enquanto ainda só tem dois posts, da Cabra Júnior, claro! E eu fui espreitar - acho que ela não sabe... - e derreti-me tanto com o post sobre os professores e o humor na etiqueta da fotografia da turma, que não resisto a dar-lhe um palco e a gritar por aqui - é uma das minhas filhas, e que orgulho tenho nelas!
Alimentação e Inteligência
Depois , "a cereja em cima do bolo". A nossa escola fora escolhida para ir ao programa da manhã, mães e filhos (com boa notas), contar o que comia o seu querido filho, e claro, aqui a "je" tinha de escolher qual dos dois queria levar. Claro que tinham de ir à nossa escola pública , deve ter as mães mais articuladas e apresentáveis... Ahan...
A minha dificuldade era então escolher entre uma fotogénica mas que só fala sob tortura e um magricela que só come se eu gritar aos seus ouvidos "come!" e que só gosta mesmo de pizza e esparguete. Já me imaginava a dizer "Eu faço sempre sopa, carne ou peixe, arroz , massa , fruta" e o Goucha "E tu gostas?" e ele aceno que não com a cabeça, "gostas de pizzas, não é? " aceno que sim.
Felizmente fiquei livre dessa pois foi o outro representar o 4º ano, que também tem boas notas e que é um dos mais fortes da turma, dizer que comia tudo e sim , também legumes e fruta.
Não há longe nem distância
Como gosto do Richard Bach desde os tempos do Fernão, achei que não seria um abuso assim tão grande usar um dos seus títulos para este post. Mas este título em particular tem-me deixado imensas dúvidas sobre a sua veracidade.
Vivemos num mundo cada vez mais global e cada vez mais é simples comunicar e cada vez mais é simples percorrer o mundo e o saber e cada vez mais é simples estarmos munidos da tecnologia que nos permite ver e ouvir e ler e falar e cada vez mais é simples comunicar.
E sabemos que do outro lado está o outro ser. Sabemos o que nos quer dizer porque o diz, sabemos se está alegre ou triste ou ri ou chora porque o vemos, sabemos se concorda porque acena que sim ou se está longe de ter a mesma opinião porque nos grita a sua indignação. Com jeito e prática somos até levados a perceber alguns dos sentimentos desse ser que não são revelados e somos levados a ter sentimentos por esse ser que não se revela. Vivemos no mundo onde não hà longe nem distância porque ambos se ultrapassam com o 3G e a banda larga móvel de qualquer ISP que se preze.
Mas, por muito que tudo fique unido e unificado e logo ali à mão de semear, o único abraço que é possível está no final do mail, quando se recorda que é isso que realmente queremos, um abraço e um beijo. E queremos muito mais que nunca dizemos porque já fica fora do protocolo. Queremos abraçar para sentir o cheiro e a carícia e aspirar e saborear o que nos é oferecido pelo outro quando está ao nosso lado. Queremos encostar os peitos e unir as mãos e passar os dedos no cabelo e pedir desculpa porque a barba já arranha um pouco e sentir a humidade dos corpos encostados e sorver o arfar do ser que connosco partilha o momento.
Não há longe nem distância mas ficamos abraçados ao nada, encostados ao vazio e adormecemos num colo que não existe.
Desculpa Richard ter usado e abusado da tua frase, mas os cinco sentidos deixam-me sempre a pensar que há o longe e que a distância por vezes é uma chatice insuperável.
Uma resposta para @na - parte II
@na, acabei de perceber que podemos estrebuchar muito mas o que é tem muita força e se está nos genes pouco ou nada podemos fazer...
- Mamã, hoje fui tão má, tão má, tão má.... mas sinto-me tão bem, tão bem, tão bem...
Sabes a M. ? No último teste de matemática teve uma boa nota e andou a gabar-se pela escola toda que era a melhor. Hoje teve insatifaz e eu, pois!, tu sabes que o professor já te disse que foi muito bom o meu teste. A A., sabes, a pequenina?, também teve má nota e estava a chorar ao pé da M.. Eu fui até lá e disse à M. que é amiga da A. e lhe devia dar apoio, que devia ser muito mau ter uma nega. E depois pus assim uma cara como se tivesse acabado de me lembrar e disse "Ah, desculpa, estava a esquecer-me que tu também não te safaste..."
- Xica, isso é ser muito cabra!
- Pois, mamã, filha de peixa sabe nadar!
Será que também vai ter insónias por causa da cabronice?
Hummm....
... é que o nosso Santo hoje foi para Guimarães e até disse que ia disfarçado e tudo... e esta coisa dos pares deixa-me preocupada, que pensei que era só com suecas, mas afinal pode não ser.... Santo, que andas tu a fazer? Olha que isso é muito feio...
Uma resposta para @na.
Nos últimos tempos tem sido assim. Leio os posts no sítio deles e depois apetece-me responder aqui. E acabei de ler um post da @na, no fios, e apetece-me responder-lhe. Aqui.
Diz a @na que cabra já é, gostava era de ser uma cabra insensível.
@na, deixa-me contar-te um segredo - tu não querias nada disso.
Nem eu.
E mais - tu não és cabra.
Nem eu.
Acho que nunca te contei como apareceu o nome deste blog. Um dia, depois de ter respondido a um email, ia assinar o teresa do costume mas parei e achei que não era comigo que estavam a falar, mas com alguém que tinha sido nomeada a cabra de serviço e lá ficou o teresa nas teclas e saiu o cabra, e de serviço, claro, como as farmácias.
Precisam de uma cabra? Muito bem, aqui estou. Passaram as dorezinhas? Claro, nada como a aspirina do costume que é da bayer e tudo.
É que sabes, dá sempre jeito termos na nossa vida cabras de serviço, que se partirmos o prato da avó, espetarmos o carro ou perdermos o emprego, nada melhor que apontarmos as armas à cabra de serviço e ficarmos de alma limpa, e assim, em prol do bem comum, resolvi assumir o papel que me deram - cabra.
E depois é simples, se dissermos que somos cabras é menos um nome que nos podem chamar. Chamar cabra a quem se diz cabra só pode ser um mimo.
Mas @na, pensa comigo. Será que somos mesmo cabras ou só nos pomos a jeito? Sim, temos narizes empinados, mau feitio, ou génio, ou o que lhe queiram chamar, somos desenrascadas, inteligentes, racionais q.b., sabemos o que queremos, ou pelo menos o que não queremos, dizemos o que nos vai na alma que não temos feitio para rodriguinhos, temos a mania que somos cowboys e nunca conseguimos enganar ninguém, que ou nos compram pelo que valemos ou nem vamos a jogo que temos demasiado orgulho no que somos para pensarmos que temos que fingir o que quer que seja. Isso não cai bem? Pois não, mas azar, azarinho, temos pena, somos assim e não vamos ser assado só porque nos dá mais jeito. Gostamos demasiado de ganhar para fazermos batotice. Em qualquer jogo que seja.
Não, não somos cabras, mas garanto que teriamos uma vida muito mais fácil e muito melhor se o fossemos.
Conheces o Sebastião? Apareceu aqui com um ar de cachorrinho abandonado, olhos ternos, pêlo branco aos caracóis, lambidelas de mimo e a fazer juras de amor em tudo o que era latido. Foi metido dentro de casa porque coitadinho, era tão amoroso, não era?, e agora é o que se sabe - um sacana do piorio, pronto a defender o que acha que é dele e a morder a mão que lhe dá comida. Os outros cães, os grandes e com ar de maus, as "cabras", continuam lá fora e nunca morderam ninguém, mas têm mesmo ar disso.
Queres outra história? Há muitos anos, quando mil paus eram mil paus, andou uma nota dias e dias seguidos em cima de um armário da sala de jantar na casa dos meus pais. Dia após dia a nota ali estava. Criava pó, mas nunca ninguém falou nisso. Olhei várias vezes para ela mas nunca consegui deitar-lhe a mão, que sabia que me cairia em cima o carmo e a trindade. Um dia a nota deixou de estar e nesse dia, ao almoço, o meu pai perguntou o que lhe tinha acontecido. A minha irmã, que nunca foi cabra, muito menos de serviço, disse de imediato que era ela que a tinha, porque se a nota estava ali há tanto tempo e ninguém lhe mexia era porque não tinha dono e se não tinha passou a ser dela. A coisa acabou com umas gargalhadas de toda a gente, mas eu aprendi a lição. É que acredita, tivesse sido eu a fazer o mesmo e não se teriam ouvido gargalhadas naquela mesa, porque a conversa teria sido outra e muito mais séria. É que a nós, cabras, a inocência não nos fica bem e tudo o que fazemos tem de ser avaliado, responsabilizado, julgado e cobrado, pois claro.
Mas achas que somos cabras, @na? Só se fôr de serviço, como as farmácias. Porque, como já disse, é sempre bom termos uma aspirina a jeito. Ou uma cabra.
Se um fdp incomoda muita gente, dois fdp incomodam muito mais.
Há muito que ando para escrever este post mas depois mete-se uma coisa, e mais outra, e lá vai passando para o amanhã que nunca é hoje. Desta não passa que voltei a ficar entalada e muitos entalanços ainda me tiram definitivamente o ar.
A noticia é grande, mas vale a pena copiá-la porque é uma daquelas que só lida, contada ninguém acredita.
Por decisão do Tribunal de Menores de Sintra, há cerca de oito anos, a empresa Cedicer ficou responsável por descontar 130 euros directamente no ordenado de J. B., relativos à pensão de alimentos de Alexandre e Daniela. A verba teria de ser entregue à ex-companheira daquele funcionário, Maria João Fernandes, mãe dos menores, residentes em Sintra.Porém, não só as transferências começaram inicialmente a ser efectuadas com atrasos consideráveis, como há dois anos consecutivos que a firma de materiais de construção civil - localizada na Rua Joaquim Bonifácio, junto à Polícia Judiciária, em Lisboa - retém ilegalmente aquele dinheiro. Neste momento são mais de 2700 euros em dívida. A mãe dos meninos, uma psicóloga no Mostrar tudodesemprego há dois anos, já não consegue fazer face às despesas. Alexandre e Daniela, com 10 e 14 anos respectivamente, alimentam-se há duas semanas somente de enlatados, que ainda persistem na despensa lá de casa. O pai já se conformou com o facto da empresa lhe retirar o dinheiro do ordenado, porque necessita do emprego.E perante este dramático cenário familiar, em declarações ao JN, António Gonçalves Nunes, administrador da empresa reconhece: "Honestamente, não é bonito de se dizer que ficamos com o dinheiro dos dois meninos. Mas, também tenho imensa gente que me deve (...). A ver se regularizamos algumas dívidas, para poder dar dinheiro a essa mãe".Segundo Maria João Fernandes, as autoridades pouco têm feito em relação às ilegalidades cometidas pela Cedicer, que sempre reteve as verbas destinadas aos filhos. "Fui-me queixando ao tribunal e a situação ia-se resolvendo. Mas há muitos meses que o tribunal apenas escreve ao senhor [Gonçalves Nunes] e este não acata nada", explica, adiantando que a renda de casa leva já dois meses de atraso, tal como outras tantas contas domésticas.
Gonçalves Nunes não vê razões para as queixas da ex-mulher do seu funcionário. "Acho que não são precisas estas coisas [comunicação social]. Primeiro tenho de pagar os ordenados dos funcionários, não é?", questiona o proprietário da empresa, que tem milhares de euros em dívida às Finanças e à Segurança Social. Ao JN, J.B., que vê parte do seu salário, há oito anos, permanecer nos cofres da empresa, mostra-se resignado com toda esta situação. "Quando se precisa de um emprego, a gente sujeita-se a tudo. O que sei é aquilo que digo aos meus filhos: todos os meses o dinheiro deles me é tirado no recibo de ordenado. A mãe deles é que tem de se mexer para resolver estas coisas", adianta. E mais não diz.
E é mesmo melhor que nem abra a boquinha, que só podem sair mais asneiras. Se não, vejamos. O Tribunal ordenou que a pensão de alimentos fosse retida pela empresa? Isso deve ter sido porque o senhor JB, pai estremoso e empregado dedicado, teria os mesmos problemas de memória que agora tem o patrão dele e com tanta coisa para fazer, não esqueçamos que se preocupa bastante em manter o seu trabalhinho, este primeiro fdp esquecia-se, mas não era por mal, claro!, de pagar a pensão aos filhos. É que ele, agora, até "já se conformou" que a empresa lhe tire o dinheiro do ordenado...
Pensão de alimentos. Sim, é este o nome, pensão de alimentos.
Tem graça, porque ao contrário daquilo que muita gente pensa as criancinhas, aqueles seres tão engraçados, olha, parece-se com o pai ou com a mãe?, ai tem mesmo os olhos da avó..., pois, essas criancinhas, de vez em quando, muito de vez em quando, alimentam-se. E vestem-se. E andam ranhosas e precisam de uns xaropes. E os ténis, tão giros mas tão giros, que a Cecília lhes deu quando fizeram um ano, deixaram de servir. Caramba, passaram dez anos, mas se fossem de boa qualidade tinham durado muito mais que isso.
Nos últimos tempos tenho ouvido grandes discussões sobre grandes temas. E toda a gente dá palpites, e toda a gente fala de direitos e deveres e de como a sociedade é hipócrita e de como os mais fracos ficam desprotegidos, mas aqui, no que toca à carteira da nota, não vejo grandes preocupações em mudar o que quer que seja. Sim, a nova lei do divórcio altera umas coisinhas e até já há umas ameaças de cadeia, mas tenho a certeza quase absoluta que daqui a um ano poderei estar a escrever um post igualzinho a este, que nada, nadinha vai mudar. É que a história, esta história, conta-se com duas ou três palavras, como alguém diz. As mulheres têm os filhos, as mulheres criam os filhos. As mães. Os homens, se forem decentes, como felizmente ainda há muitos que nem tudo é assim tão mau, passam a ser pais no momento em que elas são mães. Se forem mais um fdp como aqueles dois lá de cima, e os outros da cantiguinha, que fdp são como os elefantes, há sempre mais um para a rima, têm a vida fácil do costume. As crianças são responsabilidade da gaja e eles têm mais é que se preocupar com as suas vidinhas, que o emprego e os salários dos empregados e as prestações do carro e aquelas coisas todas importantes que fazem o dia a dia dos fdp, não lhes deixam tempo para pensarem em pormenores de fraldas, antibióticos, carne passada com esparguete, sapatos apertados e outras coisinhas de que aquelas gajas se lembram só para os chatear.
Filhos? As mães que tratem deles que sabem bem desenrascar-se e devem ter muita gente que as ajude e que, seguramente, têm muito mais obrigação de o fazer. Afinal eles são só o pai e não têm nada que se preocupar com essas merdices que não passam de histerismos das mães. A pensão não é paga? A mãe que se mexa! Há muita gente a quem pedir e se não houver a Segurança Social está lá para ajudar.
Este nosso país tão europeu, tão e-escolinha e loja de cidadão e cartão único e televisão digital e gente civilizada, deve ser dos poucos onde os paizinhos estremosos não batem com os costados na prisão quando se esquecem de alimentar as crianças. É que por cá as crianças também já devem ser crianças última geração, como os telemóveis, já nem precisam de comer. E, se as mães não as souberam educar e de vez em quando pedirem uma buchazita, as gajas que se desenrasquem que se as souberam fazer também as sabem criar.
Finalmente uma escolha política acertada.

O Mr. Bean é o Presidente do novo Conselho de Prevenção da Corrupção. Se é para nos rirmos pelo menos que seja com os melhores.



