É simples de descrever. Estou cá em cima, no quarto da açoteia, e à minha esquerda tenho, completamente aberta, a porta que dá para o terraço cheio de Sol e de Sul. É uma porta estreita, como eram as portas das casas antigas, com um vão de quase um metro de largura que faz com que o canto onde estou fique resguardado. É preciso entrar no quarto para se perceber que está cá gente.
Atrás de mim, perfeitamente alinhada com a porta do terraço, está a janela. Larga, aberta de par em par, virada para os campos a Norte. Entre a porta e a janela, no meio do tecto, há um candeeiro colorido que quase roça o chão e acho que é por causa dele que a passarada anda doida. Ainda não percebi se o jogo é atravessarem o quarto sem baterem no candeeiro, o que até aqui todos têm conseguido, se querem mesmo é pousar nele mas desalvoram assim que me vêem, certo é que já perdi a conta aos bólides com asas que no meio de um chilrear intenso entram pela porta do terraço e saem pela janela.
E pronto. Lá passou mais um. Desta vez foi uma andorinha e pareceu-me que se não tivesse esbarrado comigo estava pousadinha no candeeiro. Não sei quantos pontos marcou neste jogo louco, mas sei que vai repetir a gracinha. Tinha ar de ser atrevida.
Eu é que estou quase tentada a entrar na brincadeira e a fechar-lhes a janela. Sim, era um bocadinho sádico, mas confesso que devia ter graça vê-los a dar uma cabeçada histórica.