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Desculpem qualquer coisinha.

Sabem quando nos fica uma coisa cá dentro a moer e que, mesmo sem darmos conta, vem à tona de vez em quando para lhe darmos mais umas voltas? Hoje andei assim durante a tarde e foi um post da @na, no Fios Soltos, que me pôs assim. Mais precisamente este post, que diz isto "ao longo da minha vida, tenho conhecido muitas mulheres extraordinárias." E isto "Não conheço homens extraordinários.»
As frases não são da @na, mas também não foi isso que me pôs a pensar e sim este conceito de extraordinário e a sua distribuição por géneros. E andei a dar voltas e mais voltas a pensar se conhecia algum homem extraordinário.
Foi aqui que comecei a ruminar e a deixar de conseguir digerir. É que não consigo, quando tento atribuir extraordinariedades, pensar em homens ou mulheres, porque o pé foge-me logo para as pessoas.
Desculpem-me as gaijas, mas agora não sou gaija, sou só eu, eu como me encontro comigo cá por dentro.
Temos andado por aqui a bater no ceguinho, que isso eles, os gajos são ceguinhos, mas nestas alturas tenho de deixar de ser cabra por um bocadinho, porque mesmo de serviço tenho direito a folgas.
Tirando o facto de me sentir atraida por eles e conseguir tomar banho com elas sem me babar, não vejo muito mais diferenças entre homens e mulheres. Nunca vi, não devo conseguir começar a ver agora. Se uns são de vénus e os outros de marte não sei, mas como também não sei de que planeta vim eu não posso distribuir moradas sem correr o risco de me enganar na direcção.
Não sei por onde passa a linha do extraordinário mas se é o diferente do que é vulgar, ordinário, então conheço gente assim. Homens e mulheres. Mas se o extraordinário está para além da minha vida comum, se não se cruza com ela, então não conheço extraordinários, mas só gente boa. Homens e mulheres.
Considerando que o critério de avaliação é o mesmo, se não passa, e não pode passar, por arrepios de pele ou danças de sedução, não consigo encontrar qualquer diferença entre eles e elas. Há gajos que são umas bestas, e normalmente têm mãezinhas, mulheres, ora pois!, tão bestas como eles e há mulheres que não valem o ar que respiram e normalmente estão acompanhadas por nódoas com um pénis. E há gente, muita gente, de quem gosto, o que faz delas, como a raposa fez à rosa do tal principezinho, únicas no mundo para mim. Extraordinárias, portanto.
Conheço homens assim. Muitos, ou talvez só alguns, que também não conheço tanta gente assim. E conheço mulheres assim. Muitas, ou talvez só algumas, que também não conheço tanta gente assim.
E vem-me já cair no colo aquele pai sozinho que eu costumava encontrar nas reuniões do PIP, um tal Projecto de Intervenção Precoce. Vivia numa aldeia lá perto, tinha quatro filhos e vivia sozinho com eles. Um deles, a D., tinha paralisia cerebral. Na altura devia ter uns dez anos e ele, todas as quartas feiras, largava a obra onde assentava tijolo, vestia umas calças lavadas e arranjava-a como se de princesa se tratasse, e tratava!, e sentava-a na cadeirinha dela e vinham os dois ter connosco. E ele não tirava os olhos dela. E ela abria e fechava os dela e o sorriso dele abria e fechava ao mesmo ritmo. E jurava, garantia, apostava a própria vida, em como estavam a sorrir um para o outro, em como aquilo era comunicar. Eu nunca consegui ver mais nada que não fosse uma menina imóvel e uma pessoa extraordinária. Desculpem, mas não reparei no sexo.
Tal como não reparei no da A., puta de passeio do Técnico, mas que um dia teve um filho e decidiu deixar a vida e começar a lavar escadas. Por ele. E que ganhava num mês menos do que costumava ganhar numa semana, e que não tinha contrato nem emprego fixo, nem férias nem feriados, nem Códigos de Trabalho a protegê-la. Mas que cada vez que era preciso ir a Tribunal para contar o que viu acontecer com quem não conhecia, ela lá estava. Correndo o risco de não ter escadas para lavar quando voltasse ao serviço, mas garantindo que passeios não ia correr mais e trabalho não faltaria, que estava a fazer o que a consciência lhe dizia e a vida só lhe podia dar coisas boas na volta.
Pessoas extraordinárias? Talvez, pelo menos na pequenez da minha vida.
Mas tenho algumas mais. Aquelas todas que ficam para além do que é normal, porque ou o são ou eu as vejo assim. Homens? Muitos. O W., o Z., o Z.L., o J.B., o M., o E., o N. Todos eles são extraordinários. Todos eles me apareceram agora com neons à volta que os fizeram brilhar no meio de tantos outros.
Mulheres? Também, mas nestas coisas de se ser muito melhor que nós o ter nascido homem ou mulher tem alguma importância?
A verdadeira questão é se um gajo, o que é diferente de um homem, já me surpreendeu? Já, muitos e muitas vezes. No bom e no mau sentido.
E vou continuar sempre a ser surpreendida. Ou porque amo e a dimensão é outra e o mundo é novo outra vez ou porque amo e a dimensão é outra e o mundo é novo outra vez.
Mas voltamos assim a falar de sexos e não de gentes, homens ou mulheres. E esses, venham de que planeta vierem, seja de vénus ou de marte, se forem gente boa vão ser sempre extraordinários. Para mim, claro.

"procuro pai da minha filha rio tinto"

Juro que não sei dele, mas alguém anda à procura no google e veio parar a este blog.

Minha senhora, quer um conselho? Deixe-se estar quietinha e não procure coisa nenhuma, que corre o risco de o encontrar e pai que não aparece sozinho é melhor continuar perdido...