Assim mesmo, curto e grosso – não há cu.
Só me consigo lembrar daquele joguinho do passa ao outro e não ao mesmo. Já não há um único pecador que se confesse porque a culpa mora sempre ao lado. Um professor mata-se a culpa é dos alunos, um miúdo atira-se ao rio a culpa é dos colegas, o PS sobe nas sondagens a culpa é da oposição que não existe, os putos baldam-se às aulas a culpa é dos pais, estamos todos tesos a culpa é da crise, levam um pontapé nos fundilhos porque são muito maus a culpa é do Governo, a Madeira passa a ilha rodeada de água por todos os lados incluindo por cima a culpa é do aquecimento global, o Haiti treme que nem gelatina a culpa é dos americanos, anda uma pila sem cabresto a violar miúdas a culpa é da mãe, passo meses sem escrever a culpa é da net.
Na parte que por aqui me toca, aponto já a dedo o único culpado - eu. Não escrevi porque não me apeteceu e pouco mais tenho a justificar. Faltou-me a pachorra, a paciência, a vontade, a necessidade, o querer. A culpa não é da net, das mudanças, do portátil avariado, do cão da vizinha que não me dá sossego, do tempo de chuva, do diabo a quatro. A responsabilidade é minha e só minha porque se há uma coisinha que me irrita é que neste empurra empurra nos tentem transformar num vegetal sem qualquer possibilidade de tomar decisões e fazer escolhas. Eu, Tereza, assumo todas as minhas culpas e não tenciono prescindir nunca da imensa liberdade de poder escolher. Para o bem e para o mal.
Há 4 meses