Hoje é assim, cá em casa. Dia de aniversário de pai. Do meu e do delas. De um pai que já não está e de um outro que nunca esteve.
A vida tem destas coisas, ironias que nos trocam as voltas, e esta é uma das grandes. Juntar no mesmo dia, na mesma data, os dois pais cá de casa. O que ainda hoje é pai mesmo não estando e o outro que mesmo estando nunca o foi.
Ao meu pai, que está, vou dizer que por aqui pensamos nele e rimos com ele. E que as netas também já sonharam que se podiam pôr asinhas de avião de papel no tejadilho de um carro, que querem uma casa na árvore como um dia ele fez para mim, que gostam de livros e de ler, que são curiosas como ele nos ensinou a ser, que gostam de petiscar e de mesas cheias de gente, que têm sentido de humor e são inteligentes e boas pessoas.
E eu posso dizer-lhe que aqui, neste sítio onde vivemos e nunca conheceu, a terra ainda está cheia de vida e temos árvores gigantes e formigas no chão e bichos de conta e bichos sem conta. Não temos avelãs, mas temos as amêndoas, os figos e as tâmaras que o pai gosta.
Eu estou como sabe, porque se alguém sabe é o pai e eu.
Parabéns. Pelo seu aniversário e por nós. Por nos ter feito deste barro e por nos ter conseguido dar tudo aquilo que nos deu.
Há 4 meses