O destino, ou o acaso, ou aquilo que quisermos chamar-lhe, tem o condão de cruzar caminhos. Uma varinha daquelas de fada madrinha, a sério, que faz magia com pós de perlimpimpim e rasga estradas sem fim antes desconhecidas, novos trilhos a percorrer, às vezes mesmo sem se saber nesses pontos de partida que está prevista uma chegada, uma saída para uma entrada que cruzamos às cegas até um dia se fazer luz.
Forças que não entendemos e por vezes nem acreditamos, que nos empurram por este ou aquele rumo, como ventos que sopram, ao leme apenas a intuição que nos guia por entre incógnitas que nos compete decifrar até chegarmos ao ponto de amar alguém.
Arrogantes, ousamos acreditar que somos capazes de controlar os passos a dar pela vida mesmo quando sabemos desconhecida a caixinha de surpresas preparada para amanhã ou depois. Mas acabamos rendidos ao poder da coincidência, ao conjunto infindável de factores necessários que é preciso conjugar para um dia se encontrar uma pessoa que sentimos como certa para nós.
Aprendemos a ouvir uma voz interior que nos indica o caminho para o amor e nos alerta para o sol que já desponta no horizonte onde o futuro se revela por antecipação, descobrimos a emoção e aceitamos a mudança para melhor que se proporciona dessa forma casual.
Abraçamos a sorte como se fosse nosso mérito mas afinal disfrutamos de um pretérito (perfeito) que nos oferecem (talvez) as energias combinadas de pessoas que nos são queridas mas já tiveram que partir para onde nos observam, anjos da guarda, com uma expressão deliciada, a evolução que somos capazes de imprimir depois do cruzamento que julgamos aleatório com a força de um olhar ou o timbre agradável de uma voz.
E afinal o que esperam de nós, provavelmente, é que cada um esteja consciente da felicidade ao alcance da mão quando nos acelera o coração perante a oferenda que o destino, ou o acaso, ou aquilo que se quiser nos concede, por exemplo, sob a forma de uma mulher que mais tarde descobrimos, em muitos aspectos, especial.
Depois olhamos o céu como é habitual quando temos a sensação, humildade, que devemos gratidão pela felicidade que pouco fizemos por merecer, nos passos cegos que não sabemos como dar sem a ajuda de algo que transcende a nossa compreensão.
E descobrimos então, caminhando sem dogmas, pelo nosso pé, que existem muitas formas de cultivar uma fé.
Há 2 meses