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Adeus.

Adieu.
Adios.

E agora podia dizer que me vou embora e poupava um post, mas por acaso nem é isso que me está a passar pela cabeça. Raios parta se foi essa a impressão, mas graça a deus não é o caso, apesar de tencionar chamar deus ao assunto, mesmo que a minha opinião sobre Deus seja parecida com o meu Benfiquismo ou Sportinguismo - tem dias.
Parece que anda por aí muita gente incomodada com o facto do Obama, que se afirma agnóstico, ter feito o juramento da tomada de posse sobre uma Bíblia. Por acaso até era uma Bíblia histórica, era a Bíblia que o Lincoln usou em 1861 e o Lincoln é o modelo dele, mas pronto, era uma Bíblia e, pelos vistos, não devia ser. E é este não devia ser que me tem andado a incomodar.
Uma sociedade secular não deve, não pode, pactuar com qualquer resquício religioso? Os Estados Unidos são um país de inúmeros credos, e de agnósticos, como o próprio Obama referiu no seu discurso, e portanto é quase ofensivo ser usada uma Bíblia no acto de tomada de posse do presidente de todos eles?
Se o Obama, com a mão em cima da Constituição, tivesse jurado defender a Bíblia eu diria que poderiamos começar a preocuparmo-nos. Como, não por acaso, foi o contrário, não vejo grandes razões para tanto bradar aos céus. Ou àquela coisa azul que está lá em cima.

Crentes ou agnósticos vivemos rodeados de símbolos religiosos, cumprimos formalismos que têm as suas raízes em práticas religiosas - a celebração do contrato matrimonial, o civil, é um bom exemplo - temos hábitos com origens em práticas religiosas, palavras e expressões que reportam directamente a deus. Como Adeus, pois claro, ou o raios parta que usei lá em cima, que é só a simplificação da velha praga raios partam o Diabo. Temos até mais, temos muito mais. Temos tabus profundamente enraizados no nosso ser que nos levam, crentes e agnósticos, a repudiar comportamentos que se foram há muito condenados pelos Deuses também há muito que deixaram de ser punidos pelos homens ou censurados pela ciência. Incesto, por exemplo, e para não me perder com exemplos menores. Não, o incesto não é crime. Não, o incesto não é um comportamento que ponha em risco a sobrevivência da espécie - pelo menos os cães aqui de casa são cada vez mais e é uma pouca vergonha entre mães e filhos que nem queiram saber. Mas o incesto é um comportamento que todos nós repudiamos. Em nome de quê? Das leis dos homens ou das leis dos deuses?
E o Domingo? Dia de descanso, pois claro, mas um descanso muito santo. E não é pela santidade do assunto que vejo por aí campanhas para que o domingo seja substituido pela quinta-feira, que até dava mais jeito por ser a meio da semana.
Mas voltemos ao Obama e à Bíblia. Obama jurou pela Bíblia. E eu acho que jurou muito bem.
Recentemente, numa campanha que muito deu que falar, apareceu em autocarros londrinos e madrilenos a frase "Provavelmente Deus não existe". A campanha foi patrocinada por associações ateístas. E que dizem eles? Dizem que Provavelmente Deus não existe. Quase certo, mas entre o quase e o certo vai uma enorme distância, tão grande como a que vai entre o não acreditar no Diabo, ou nas forças do mal sejam elas quais forem, e o facto de 85% dos hóteis no mundo não terem o 13º piso. Pelo sim pelo não, não é?
E, pelo sim pelo não, convenhamos que se se jura cumprir a lei maior de um país na frente do seu Juiz maior é bom que se convoque uma autoridade qualquer e Deus foi lá chamado para isso. E se uma das dez Leis dos Cristãos até é " Não prestarás falsos juramentos" não deve fazer mal nenhum pôr o tal Deus, que provavelmente nem existe, a vigiar o cumprimento de uma promessa tão solene. Este Deus, o da bíblia, ou outro Deus qualquer, que nisso eles são todos muito parecidos - estão lá em cima, vêem tudo e até a um presidente dos Estados Unidos são capazes de fazer a folha se tiver invocado o seu nome em vão e andar para aí a fazer juramentos falsos em nome dele.
Como já disse até é provável que nem Deus nem o Diabo existam, mas pelo sim pelo não, ou just in case, que afinal estamos a falar da América, eu prefiro não jantar a uma mesa com 13 pessoas e que um juramento seja sagrado. Seja lá o que isso for.