Gosto de mim.
É-me estranho dizer isto, mas gosto muito de mim.
Gosto do que sou, mesmo que não saiba o que é. Gosto de me olhar como olhava para quem não era e queria ser. Gosto de me ver e de pensar que não sou eu quando sou eu quem está aqui.
Gosto de olhar para as minhas filhas e pensar que são minhas mesmo quando olho para elas e penso que não podem ter vindo de mim.
Gosto de olhar para os meus amigos e pensar que estão aqui, mesmo quando olho para eles e penso que não estão aqui por eu, mas por mim. Por mim que afinal devo ser eu, mesmo que a eu não acredite que o seja. Pela eu que eu digo que sou, que não sei se sou mas que a mim gosta que seja.
Pela eu que a eu ainda não percebeu que é.
Gosto de ter 46 anos (serão 47? nunca me lembro de quantos são) e de olhar para a mim que sou eu e me deslumbrar com as diferenças com a eu que já fui.
Gosto de mim.