Domingo, nove da manhã e acordo com o cheiro a tostas, as gargalhadas, os cães a ganir e a música irritante da Wii. Apesar de tudo não é mau, que durante a noite o único fenómeno mais estranho foi o idiota do boneco, que a Clara que dormiu comigo insistiu em levar para a minha cama, ter começado a cantar o Abram alas para o Nody no meu ouvido esquerdo. Resolvi com um eficaz estrangulamento e um voo do sacaninha pelo quarto fora até bater com os corn, desculpem, os guizos, na parede do fundo. O resto da miudagem, espalhada pelos cantos da casa, não se atreveu a pôr o pé em ramo verde, mas também ontem, antes de me deitar, fiz vistoria às camaratas e desarmei várias ratoeiras, confisquei as latas de spray mata moscas, garrafas de água, vassouras, sacos de farinha e tudo o mais que tinha sido estratégicamente colocado ao lado dos sacos camas para os ataques nocturnos longamente planeados. As ameaças de amputações, bracinhos partidos e resto da noite no escuro do jardim também devem ter produzido os seus efeitos, que nem para fazer um xixi nocturno tiveram coragem de se levantar.
E a esta hora a manhã já vai longa. Parece que foi por uma unha negra que não apanharam um pato do lago para o almoço - devem achar que eu e o depenava... - e já todos juram que viram um peixe, com mais de cinquenta quilos e vários metros, a esconder-se no meio das canas. Deve ser um peixe de uma espécie rara, porque aumenta e diminui de tamanho consoante a boca que conta a história. Uma das criancinhas, de cabelos loiros e ar seráfico, não larga a tesoura de podar para, segundo ele, cortar as asas ao pato assim que lhe acertar com uma pedrada.
Também já aprendi as várias formas de apanhar passarinhos e os matar com rapidez - o topo da cabeça é mole e com uma palmada bem dada nem piam - soube que as osgas podem viver longos anos, mas esta nem foi novidade que a de rabo cortado, uma tentativa falhada de a apanharmos à mão, continuou a passear-se nas paredes do alpendre por muito tempo, e tenho o número de telefone de um sucateiro para finalmente me livrar de um carro velho que apodrece no meio dos pastos.
Ah, os sacos cama estão todos devidamente dobrados, trataram sozinhos dos pequenos almoços e não fosse terem deixado meio quilo de fiambre em cima da mesa lá de fora, numa oferta caridosa prontamente aceite pelos cães, teria sido tudo perfeito.
Festas só com rapazes. Continuo mais que convencida que são o ideal.
Há 4 meses