Mostrando postagens com marcador balbúrdia no estábulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador balbúrdia no estábulo. Mostrar todas as postagens

Aconteceu no Oeste

Pôde finalmente fazer com as mãos aquilo que tantas vezes lhe fizera com o olhar. Os dedos a passear pelos caminhos marcados pelo rasto de um arrepio, a cartografia de um corpo desenhada na memória com o impacto das sensações na corrida das emoções pela planície de uma alma despida por antecipação.

A roupa espalhada aos poucos no meio do chão, mais os preconceitos, as reservas e os medos abandonados à sua sorte no limbo do depois se verá. O presente oferecido naquele instante em troca do que o futuro trará quando se dissipar todo aquele calor, o suor convertido em vapor libertado pela locomotiva da imaginação.

O toque de uma mão convertida numa tenaz quando finalmente a tomou por detrás, as ancas feitas rédeas imaginárias num simulacro da dominação cujo testemunho passaria de bom grado a seguir, quando deitado se deixou conduzir pela vontade que ela não precisou de verbalizar.

O brilho naquele olhar recortado pela balbúrdia de um cabelo despenteado pelo movimento, como se bailasse ao sabor do vento soprado pelo galope desenfreado da respiração dos dois.

A recordação saboreada muito tempo depois, no remanso de um trote sem pressas na direcção do pôr-do-sol.