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Mesmo on-line, apalpanço é coisa séria

Como acontece ao palato apanhado de surpresa pela pimenta na língua, só agora consegui perceber o potencial da catarse que a nossa Tabasco sugeriu com a sua posta mais abaixo. E de igual forma me senti estimulado (sou todo cliché na reacção física às especiarias – as propriamente ditas, que já provei) para descobrir os novos sabores de ódios de estimação requentados.
A minha dificuldade é escolher entre um lençol com cinco ou seis monitores de extensão ou fazer a coisa por capítulos, mas essa é uma decisão que tomarei ao longo do exercício que a Cabra mais picante me propôs abraçar (abraçar o exercício, não a propriamente dita).

Isto porque um gajo com o meu feitio acumula quase tantos ódios de estimação como aqueles que suscita, pelo que uma pistola de palavras não bastaria: só mesmo uma metralhadora. Ou mesmo uma bazuca. Uma brasuca também podia servir, em determinadas circunstâncias e estritamente no âmbito do salutar debate acerca dos prós e dos contras do malfadado acordo ortográfico que, já agora, pode abrir o rosário das minhas embirrações.
Não tenho paciência para reaprender a escrita, depois de tantos anos a esforçar-me por aprender onde intercalar os cês. É um fato e eu até desatino imenso com gravatas.
E com o euro também, essa divisa multimarca que nos minimiza a soberania e acabou com os contos de réis para agora nos presentear com as histórias da carochinha que nos contam quando escasseia o pilim.
Eu ainda raciocino em escudos e o meu cérebro não quer dispensar a bengala cambista.

Também desatino com todo o tipo de gajos que não aqueles que só sirvam para me ajudarem, por comparação, a fazer boa figura (felizmente, estes são a esmagadora maioria e por isso desatino pouco neste particular). Falo, naturalmente, em fazer boa figura perante o único grupo onde não possuo qualquer ódio de estimação (e mesmo que possuísse dava a volta ao problema, pois percebia ser uma falsa questão): as moças.
Mas a ideia é exorcizar pequenos demónios e por isso sigo já para o que mais me desagrada nessas criaturas com pila que de pouco ou nada me servem em termos práticos: não são mulheres. E isso é, a todos os títulos, imperdoável.

Porém, vou confinar ao parágrafo acima quaisquer alusões a esse desperdício de cromossomas que poderiam render bem mais na pele das mais maravilhosas criaturas do universo do qual, aliás, possuo algumas razões de queixa comuns a todos os apreciadores de Ficção Científica.
É inadmissível o silêncio dos extraterrestres que em puto sempre esperei viessem pôr ordem na barraca com as suas inteligências superiores e supremacia tecnológica avassaladora. O mais próximo que encontrei desta fantasia foi a supremacia tecnológica dos americanos (reelegerem o Bush desmentiu de vez – ou será que confirmou? - a sua origem alienígena) e na parte do silêncio apenas a actual líder do PSD.
Em matéria de marcianos até Marte se revelou uma desilusão. Em vez de homenzinhos verdes andamos à procura de criaturinhas microscópicas nalguma poça daquela água congelada a que se reduz a esperança terráquea num Novo Mundo para envenenar.

Reparo agora que já me estiquei e por isso deixo a coisa em suspenso até ver se ainda há alguém acordado depois deste prazenteiro momento de leitura.