Não, eu não sou supersticiosa. Não acredito em bruxas, bruxedos, mau olhados, patas de coelho, pozinhos de perlimpimpim, pragas, ferraduras, amuletos em geral e má sorte por encomenda.
Não acredito no destino contado por cartas, não tenho a vida escrita nas mãos e se sei que sou Aquário já não faço a mínima ideia do meu ascendente, dos signos que são compatíveis, de como estavam os astros no dia em que nasci ou em que altura do ano nasceu um Sagitário ou uma Balança.
Sou racional, sou lógica, gosto de acreditar que tenho um pensar cientifico e não embarco em crendices e mitos populares.
Pois é, gosto de pensar, e quando começo a pensar nem sempre me agradam as conclusões mas já há muito que percebi que eu não sou bem eu, que entre o que eu vejo, o que quero ver, e o que eu sou há uma ligeira distorção dos raios de luz que leva a que a imagem pensada e a projectada nem sempre coincidam.
Hoje de manhã partiu-se um espelho cá em casa e o arrepio que senti não foi causado pelos vidros espalhados no chão. Não, não sou supersticiosa, só me lembrei que o último espelho que tinha partido estava grávida e os sete anos a seguir foram maus, muito maus. Coincidências, sim, eu sei, que não acredito nessas coisas.
E é por não acreditar nessas coisas que nem sei porque nesta altura do ano gasto tempo a contar folhas de trevos enquanto passeio lá fora, na esperança de chegar ao quatro da sorte que o último que encontrei já está demasiado seco. Também não sei porque me recuso a sentar numa mesa com 13 pessoas, porque detesto ouvir um cão a uivar ou porque não gosto de gatos pretos. Superstições? Nem pensar! Eu? Eu não sou supersticiosa, eu sou uma pessoa inteligente e racional. Muito racional.