Há coisas com que não se brinca. Não por terem um qualquer estatuto de superioridade intocável mas por serem tão repelentes que nem para fazer graçolas servem, quanto mais gracinhas.
Imaginemos a seguinte situação. Eles estão os dois deitados, acabaram de acordar, o choco ainda é bom. O braço dele passa-lhe por detrás das costas e ela afaga-lhe o pescoço com o cabelo.
Ela: Estou a magoar-te o braço?
Ele: Não. Se estivesses a magoar já tinhas levado duas estaladonas.
Gaijas, todas nós sabemos que este é um diálogo possível, que nos deixa bem dispostas, que nos leva a enroscar ainda mais um bocadinho e a desligar a porra do alarme do telefone.
Agora ponhamos a coisa assim.
Ela: Estou a magoar-te o braço?
Ele: Não. Se estivesses já tinhas levado tau tau.
Digam-me, gaijas, quantas de vocês não saltariam imediatamente da cama, lhe atirariam os truces à cara – sim, um tipo destes usa truces e camisola interior com alças – e não lhe indicariam a porta da rua com ordens expressas para esquecer o vosso nome?
Gaijos, não brinquem com coisas sérias. Não nos obriguem a desprezar-vos porque assim como assim nós até gostamos de braços pelas costas e choco de manhã. Nem todos vocês podem ser giros e ter o sentido de humor do Ricardo Araújo Pereira, e se não sabem o que dizer, se têm dúvidas sobre a piada, mantenham-se caladinhos que vos fica sempre bem e vos dá um ar de mistério que até nos agrada, mas não arrisquem. Depois do mal estar feito já não há regressão possível e nem que tenham o charme do Clooney nós voltaremos a olhar-vos libidinosamente.
Há mais umas gracinhas que nos gelam for ever and ever mas como a mente ainda não escreveu sobre elas e como já foi avisada pelas chefias deste estabelecimento que é melhor não o fazer porque só vos dá ideias estranhas, este era mesmo o esclarecimento mais urgente. Outros se seguirão já que me parece que ainda há um longo caminho a percorrer nesta estranha educação de Rita que virou Rito.