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Prismas.


(foto: Z)

Há seis anos atrás, num Domingo de Setembro como o de hoje, rumei a Sul. Depois de anos seguidos de céus cinzentos, bátegas de chuva que me molhavam coração e alma e tempestades sem bonanças, vim à procura do Sol. Trazia pouca bagagem e muito menos certezas. Trazia uma tristeza imensa e saudades que começaram ainda antes de me fazer à estrada. Em porto seguro ficavam as minhas filhas, que eu vim à frente para lhes poder fazer as camas. Pela primeira vez nas nossas vidas iamos estar separadas e a promessa cumprida de as ver todos os fins de semana era pouco no muito que sempre tivemos.
Comecei a chorar assim que liguei o carro e pela minha frente tinha centenas de quilómetros de lágrimas por correr. Vi-o ainda não tinha feito muitas curvas do caminho. Lá em cima, no meio das nuvens, lindo, nítido e a apontar para Sul, estava um imenso arco-íris. Acho que sei quem nesse dia o pintou para mim e quem, desde aí, tem pintado muitos outros.
Ao Sul, que agora é nosso, meu e delas, chamamos o sítio dos arco-íris e são muitos os que temos visto.

Gosto deste fotografia do z. O barco tem a vela recolhida e no mar ainda há tempestade mas, ao fundo, a luz já desenhou um arco de triunfo colorido para sabermos que está a chegar.