Final de férias, regresso às aulas e segunda feira de manhã não pode nunca ser uma boa combinação.
Falta sempre qualquer coisa na mochila, os flocos mantêm o mesmo nível nas taças durante longos minutos, enfio dois cafés de seguida e nem assim consigo abrir os olhos mais que a frecha necessária para evitar bater nos móveis, não tenho trocos para os lanches, no momento de sair de casa a roupa delas, acabada de vestir, já parece um museu de lixo, no banco de trás do carro começa a ferver estalada e não fui eu ela é que começou, mamã a Xica bateu-me, e não ela é que está sentada do meu lado, eu tento não ouvir, não falar e não ver e mentalizo-me para fazer os quatro quilómetros que nos separam da escola o mais rapidamente possível esperando ter sorte e não encontrar engarrafamentos.
Acham que viver no campo é fácil? Experimentem tentar fazer o caminho para a escola das crianças a vinte à hora, atrás do trator do Sr. Manuel, numa estrada que não tem largura para um carro quanto mais para fazer uma ultrapassagem. E, apesar de tudo,
este é o trânsito mais fácil, que hoje levámos com a segunda opção - o rebanho de cabras do Zé! Sim, tem piada, não tem? Tem, tem, é que me fartei mesmo de rir... Parada, no meio do caminho, a vê-las saltitar de um lado para o outro sem se decidirem a abrirem uma pequena brecha que fosse para que uma outra cabra, com humor de segunda feira, pudesse largar os dois embrulhos na escola sem os atrasos do costume.
Não é por nada, que nem sou rancorosa, mas naqueles longos momentos de espera ponderei sériamente mudar o nome deste blog, porque assim fico inibida e não consigo chamar aos bichos todos aqueles nomes meigos que me ficaram entalados na garganta.
Há 3 meses