Há aquela parte dos sorrisos, do interesse. Em que pensamos que aquela pessoa tem algum interesse. Começamos a trocar ideias e começamos a falar de coisas sérias. A debater questões que podem, ou não, ser importantes para nós. Aí, inevitavelmente, começam as dissonâncias. You say po-tay-tos, I say pa-ta-toes…
Se do outro lado das nossas ideias, houver alguém inteligente, contrapõem-se argumentos; discute-se, mais ou menos, acaloradamente e, mesmo que não haja acordo, há uma troca saudável de galhardetes que nos faz bem à alma.
Agora, vamos supor (just for the sake of argument) que, no meio de uma troca de opiniões escritas, a outra parte, discordando de nós, chuta para canto e sai-se com um: “a jeitosa quer tau-tau?”
A JEITOSA QUER TAU-TAU???? A JEITOSA QUER TAU-TAU????
Okay, a primeira coisa a fazer é respirar. Respirar muito e profundamente! Depois há que começar a fazer a tradução. É que eu quando ameaço o meu filho com violência física, a coisa varia entre ‘uma palmada no rabo que ele dá 3 voltas às cuecas sem tocar no elástico’ ou ‘uma no meio dos olhos’ quando há necessidade de simplificar ou ser mais rápida. Eu não sei o que é tau-tau. Eu não sei falar essa língua que supostamente se usa para nos dirigirmos aos 'crianços' até, no máximo dos máximos, aos 5 anos. Porque se eu desconheço com bebés, com criaturas acima dos 5 anos arrepiam-se pilosidades que eu nem sei que existem.
E depois dessa frase, que pode uma mulher, uma gaija, dizer? Por amor de tudo quanto é sagrado, como é que se responde a uma coisa destas?
Quando pedi ajuda para o significado de tal coisa que a mim me pareceu uma ignominia, houve uma alma caridosa que me deu a entender que a coisa posta neste termos lhe dava a entender uma qualquer conotação sexual. Santas criaturas que fazem tudo para me descansar…
Logo eu que tenho um especial carinho pelo uso da 3ª pessoa. Porque se há coisa que eu sempre dediquei largos minutos da minha imaginação é a confabular como são os relacionamentos íntimos das pessoas que usam a 3ª pessoa. (Mas não me posso esticar muito que me avisaram há bocadito que no pc onde estou a escrever há censura.) O meu imaginário delira com coisas como: “Diga-me, querida, foi tão bom para si como foi para mim?” (para começar a conversa pelo fim…)
Posto isto, afigura-se-me que restam duas hipóteses:
a) Visto o fatito de Dominatrix que hei-de arranjar que eu tenho tanta coisa no armário que não me admirava que lá andasse algum perdido e faço-lhe uma visita; ou
b) Boto a minha máscara de miúda fútil e burrinha e passo a chamar-lhe Kiducho.
E estou indecisa, muito indecisa… É que começo a achar que tal frase é merecedora de umas belas chicotadas. Mas por outro lado, a ideia da cara de um homenzarrão a ser chamado de kiducho…
Bolas, só arranjam coisas que me amofinem…