O presente de despedida do Peixinho, quando veio embora da quinta, foram 5 – nada mais nada menos do que cinco – dvd’s do Ruca. Eu agradeci, sorri e pensei: “Tou feita!”
De quarta-feira a sábado, foram os únicos bonecos que por aqui passaram. Sábado começou novamente a variar. Respirou-se de alivio no salão. Voltou o Dia de Surf, o Faísca, o Shrek.
Mas ontem… Ontem, o Peixinho recebeu a sua Cualinha. E toda a gente sabe que Peixinho e Cualinha juntos cá em casa significa Ruca non stop. E desde ontem que estou novamente à mercê do irritante e perfeito Ruca, da sua mãe dondoca género Kate McCann (sim, que eu vi aquele episódio em que a mãe do Ruca adormece e ele anda a passear pelo bairro sozinho com 3 anos) e o pai que raramente trabalha e que eu tenho cá para mim anda a fazer lavagem de dinheiro para a máfia que aquele casarão não se paga sozinho. Há ainda os avós que claramente fumaram coisas muito estranhas nos anos 60 e aquela irmã irritantezinha que fala com os agudos mais agudos da história dos agudos. Como se não bastasse o elenco, o Peixinho anda fascinado pelo dvd do Natal. Em Setembro!!!!
E eu pergunto-me o que levou a comprar o primeiro dvd desta criatura para o meu filho. E depois lembro-me… Quando andava à procura dos primeiros dvd’s infantis para ele – a seguir ao Pocoyo, claro, que foi a primeira paixão – deparei-me com aquela figurinha de camisola amarela e sem cabelo e indaguei sobre o porquê de o miúdo ser careca. Achei estranho. A explicação veio pouco depois. Os criadores de Caillou queriam criar uma figura com que as crianças que tivessem sido submetidas a tratamentos de quimioterapia se pudessem identificar. Daí o personagem ser absolutamente careca. Para que essas crianças pudessem ter um herói que fosse parecido com elas. Mais do que o proverbial euro para uma qualquer Associação, pareceu-me esta uma melhor ideia. Ou, pelo menos, uma ideia que supria uma necessidade diferente.
Foi assim, foi por isso que eu escolhi o irritante Ruca e toda a sua insuportável familia para entrar cá em casa. Até hoje me atormentam… Mas depois, eu lembro-me do porquê da escolha e amoleço um bocadito. Só mesmo um bocadito até começar um novo capítulo e se me arrepiarem os pelos da nuca com aquela musiquinha!