A brisa morna da noite de Verão entrava pela janela aberta fazendo ondular a leve cortina branca e fazendo arrepiar a pele morena do corpo, nu, deitado de lado sobre a cama. Ele sentia os pequenos arrepios e interrogava-se onde ela andaria. Nos limbo que medeia o sono e a consciência sentiu a cama oscilar e sentiu-lhe o cheiro. O cheiro doce do corpo dela misturado com o cheiro de sabonete. O seu corpo semi-adormecido reagiu com violência ao cheiro que lhe era tão familiar mas ele não.
Sentiu um gemido rouco sair-lhe da garganta quando a língua húmida dela deslizou ao longo das suas costas e despertou por completo ao sentir os seus dentes roçarem ao de leve os seu ombro.
Virou-se para a abraçar e beijou-a com violência sentindo as línguas num duelo excitante e o cabelo húmido dela a percorrer-lhe a face. Ela gemeu o seu nome e ele soube que naquele momento ela poderia fazer o que quisesse dele porque ninguém nunca havia dito o nome dele dessa forma que mais parecia uma carícia para segundos depois a sentir morder a barba mal feita do seu queixo. A intensidade do prazer fê-lo agarrar as ancas dela com força e perante a súplica nos olhos dela, deslizou para dentro dela num encaixe perfeito. Viu sentar-se altiva em cima dele. Os olhos brilhantes fixos nele. A voz rouca que o incitava e o enlouquecia. Depois viu-a inclinar a cabeça para trás perdida num prazer primordial.
Quando o olhar de ambos se voltou a encontrar num vai e vem de ondas de prazer, ele soube que não estava mais no seu quarto. Estava num tempo muito distante e ela era uma feiticeira que o hipnotizava com o olhar que detinha toda a sabedoria e prazer do mundo. E depois já não era uma feiticeira nem ele um homem seduzido, eram antes um só; uma alma dividida por dois corpos e finalmente unia as suas duas partes. E depois eram milhares de fragmentos resultantes de uma explosão de estrelas. E depois era ela novamente ela e sussurrava incoerências ao seu ouvido e ele era novamente ele perdido nas incoerências que o prazer lhes ditava.
E quando as marés vivas da paixão eram lugar às águas serenas de um lago numa tarde de Verão e a cabeça dela estava sobre o seu peito e lhe sentia a respiração ainda irregular, soube que ela era tudo o que ele imaginara momentos atrás pelo simples motivo que ela era ela.