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Vamos lá pôr granel nisto.

A primeira vez é com o que se sabe ou o que nos dizem. Escreve-se o número e acrescenta-se-lhe um nome. Pode ser Pinto Castanheira, Alda do Talho, Notário de Ourique ou Loja para alugar. A seguir grava-se e já está, temos mais um contacto na nossa lista telefónica.
Se forem como eu também podem improvisar, e até adjectivar, e lá aparece a Ursa, o Sacana ou mesmo o Gaijo. Depois, com tempo, raivas ou amores, vamos reciclando. A Loja desaparece que já foi alugada, a Alda do Talho passa a Marido da Alda do Talho, porque afinal o número é o dele e o tipo até corta melhor os bifes e anota as encomendas, e o Pinto Castanheira pode ficar assim até nos tornarmos a lembrar quem é e por que raio temos aquele número. A Ursa e o Sacana normalmente chegam para ficar e o Gaijo tem muito que se lhe diga. Este é dos tais que nunca muda o nome, vai só mudando o número. Uma questão de updates, se me estão a perceber.
E gaija é assim. Tem destas coisas e não muda. Ou, pelo menos, eu não mudo, porque nem consigo perceber como se pode não dar relevância à forma como chamamos a quem nos liga. Ou não nos liga nenhuma.
É fatal como o destino que há nomes que na minha lista de contactos vão sendo alterados conforme sopram os ventos. De "amigo da Luisa" pode passar a, como é que ele se chamava Luisa? aquele que eu pois e coisa e tal e tu ficaste danada?, bem , de "amigo da Luisa" pode passar a Manel Faria, depois a Manel e um dia, talvez, quem sabe, pudesse ter ascendido à superior categoria de Gaijo, implicando uma ligeira remodelação no Gaijo pré existente que, com sorte passaria a Xico Marques ou, apanhando-me de esguelha, a Sacana12.
Mas isto, pelos vistos, é coisa de gaija, porque eles não ligam nenhuma, ou dizem que não ligam, ou fazem-se distraídos.
Gajo até já pode ter dez netos e três filhos da Lurditas, que ainda tem Lurdes Correia Cunhada da Alberta Mamalhuda escrito no telemovel. Ou então tem Kiduxa, Amorzinho, Gato Fôfo, com fotografia acoplada e música do mais only you que imaginar se possa, mas isso foi porque a gaja, sem "i" e com letra pequena, lhe apanhou o telefone e depois da triagem diária dos sms recebidos e enviados, chamadas atendidas, números marcados e horas de conversa, e voltando a não apanhar nada que o tipo é fino e sabe o que tem em casa, procedendo também ele a uma diária limpeza antes de sair do escritório, lhe muda o nome, derretida de amores e porque o seu Canuco vai ficar encantado que ela conhece-o bem.
E agora, que as posições estão esclarecidas, acho que qualquer Gaija gaija e cabra ainda por cima perceberá perfeitamente a ligeira irritação que tive há uns dias quando percebi que, num certo telefone para onde ligo uma vez ou duas por dia e já mandei umas centenas largas de sms, mas só por razões de saúde, claro, o meu nome, meses e meses depois, e estes meses têm dias e os dias têm noites e mais alguns dias entre as noites também, ainda aparecia tal qual fora escrito a primeira vez - TeXxx.
Os xizezinhos, estas pequenas incógnitas para o público em geral, é que davam a graça toda ao nome, diferenciavam-no dos outros, eram assim uma espécie de apelido. Estas letrinhas podiam ser muitas, mas muitas, há tantas por onde escolher, um alfabeto inteiro à disposição, mas eram, tão só, as três primeiras letras do nome da amiga boazona que nos apresentou antes dos tais meses e dias e noites terem passado, e bem.
É que é caso para dizer, sem qualquer dúvida e a Gaija do Norte apoiar-me-á de certezinha - masquéstamerda?
Pronto, fiz uma ligeira cena, pequenita, porque ele nem estava por perto, as negociações foram feitas pelo tal telefone onde a ignomínia aparecia, guardando eu qualquer atitude mais digna e uma tomada de posição mais firme para quando o apanhar à mão de semear, e parece, parece!..., que o meu nome já foi alterado. Acho que ele pode até não ter percebido a profundidade das minhas razões mas o instinto de sobrevivência está nos genes de todos, principalmente nos dos nossos gaijos, e ele lá terá considerado o fundamental da questão.
É que digam-me lá, gaijas, há pachorra para isto? As mãezinhas não lhes ensinam estas coisas? Teremos sempre de ser nós a fazer tudo? Os gajos não conseguem entender que isto não é um pormenor de gaija que não tem interesse nenhum, mas que isto é um daqueles pormenores a que nós damos toda a importância porque se eles pensam que é o tamanho da pila que conta mais para a avaliação geral estão completamente enganados?