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O grande embuste

Vem uma gaija para terras algarvias, ainda por cima nos primeiros três dias seguidos de calor a sério, convencida que vai enfim tirar a barriga de misérias e apanhar um bocadinho de praia - não que o Algarve seja muito bem servido nessa matéria... bom, pronto, ok, eu admito, tem uma ou duas que escapam e tal, águas a um temperatura aceitável, um sol sofrível, mas HAJA PACHORRA PRA ESTA CAMBADA, ele é bimbo de Lisboa, do Porto, de Braga, de Norte a Sul do País, ele é parolo algarvio, alemão, holandês, ele é tia de Cascais, queque do Estoril, pastel de Belém, donuts inglês, enfim, mesmo que se encontre um areal convidativo à beira do Atlântico na sua versão mais mansa, alguém me explica onde é que é suposto estender-se uma toalha??? Bom, mas sobre este assunto escreverei um dia destes e será a posta mais longa da história da blogosfera mas avisar-vos-ei logo no primeiro parágrafo que é para poderdes evitar iniciar a sua leitura...- , dizia eu que vem uma gaija (sim, gaija, ainda não perdi o i, apesar de andarem por aí umas e outras a tentarem arruinar-me ainda mais a reputação - como se esta não andasse já pelas ruas da amargura! -) a pensar que, apesar das péssimas condições que estas gentes do sul têm para ofertar aos desabridos turistas que ousam aventurar-se por aqui, vai conseguir apanhar um pouco de sol e dar uns mergulhitos, a fim de não voltar para casa com aspecto de quem foi passar cinco dias enfiada numa mina a 25 metros de profundidade, e apercebe-se que esta malta está decidida a não deixar que isso aconteça sob pretexto algum. É uma estratégia concertada. A Chefa e aquela que se diz minha gémea, com a desculpa de que se preocupam muito com as queimaduras solares, e tal, que receiam pela nossa saúde e o cancro da pele isto e aquilo e as crianças práqui e prácolá e as insolações e os incêndios e o camandro NÃO NOS DEIXAM PÔR O PÉ NA AREIA ANTES DAS OITO DA NOITE. Sim, leram bem. Oito horas e o sol a pôr-se é quando elas nos autorizam a pisar as areias algarvias. O máximo a que eu e o pobre Santo temos direito é a ver o sol pôr-se - em terra, já que nem um mar virado a poente estas alminhas conseguiram arranjar!!! De modos que quando chegar a Lisboa vou ter que ir trabalhar para o bronze, que isto aqui, em boa verdade vos digo: em matéria de praia propriamente dita, é um embuste.