Fazer um post sobre os sites de encontros e os chats. Se me esquecer, lembrem-me.
Amor é...
...usar o carregador do computador dele quando nos esquecemos do nosso no escritório e ele não fazer um escândalo por ficar em standby.
Devia ser a 13 e passariamos a celebrar duas aparições...

Alberto João Jardim estabeleceu, ontem, a data de 15 de Maio, dia em que reúne a Comissão Política Regional do PSD/Madeira, para definir de uma vez por todas se avança ou não com uma candidatura à liderança dos sociais-democratas.
Caramba Alberto, vê lá se antecipas isso. Não és a Senhora de Fátima mas és o Senhor da Madeira e, tal como ela, há muito que defendes os portugueses dos perigos do comunismo. Serias o Padroeiro de Portugal. Só iriamos ter que mudar as regras das promessas, que ir a pé ao Funchal parece-me ainda menos sensato, mas até já tens a coroa e o séquito de anjos emplumados...
E que orgulhosa fico...
Neste momento, aqui em casa, ouve-se Zeca Afonso. Venham mais Cinco. Escolhido por elas, que o ouvem enquanto pintam cartazes. A banda desenhada dos Capitães de Abril já está acabada e ficou lindíssima. A cena do Salgueiro Maia no Terreiro do Paço está um encanto, com pormenores deliciosos.
Nada disto é político, que nunca na vida foram a um comício e se sabem o que é uma manifestação é porque não costumam ter aulas nesses dias. Também não lhes passei qualquer herança partidária, que tenho afectos e não partidos.
A explicação que me foi dada é que, tal como no Natal, também hoje se fazem as coisas próprias do dia e se ouve a música que não é o Jingle Bells. Digamos que é uma perspectiva mais antropológica, ou sociológica, ou histórica, ou o que quer que seja, mas sabe-me bem saber que elas sabem que dia é hoje.
E agora, atenção, ouve-se a Grândola por aqui. E está a ser cantada em voz alta.
Tinha 11 anos. Postei sim, mas foi no Diário que tinha cadeado e tudo.
25-4-74
Quando cheguei hoje ao ciclo ouvi falar das Forças Armadas e diziam que tinham cercado Lisboa. Quando cheguei a casa ouvi falar também das Forças Armadas e explicaram-me que tinha havido uma revolução.
Esta revolução acabou com o fascismo e trouxe a democracia.
Agora à noite já está tudo sossegado e o General Spnínola falou a todo o país na televisão e rádio.
Viva Portugal.
Emissores Associados de Lisboa. 34 anos atrás. Exactamente a esta hora.
E Depois do Adeus - Paulo de Carvalho.
Fim-de-semana prolongado com sol e subida da temperatura.
A todos os que vivem lá mais para os nortes e que já estão de sorrisito aparelhado a pensar nuns dias de férias de barriga ao sol, tenho de fazer um aviso - não vinde para os algarves, senhores, não vinde.
Aquela história do bom tempo só pode ter saído de uma mente perversa que brinca impunemente com a credulidade de quem labuta semanas a fio na esperança de uns dias de bronzeado nas praias do sul.
Pois meus caros, é tudo mentira. Por aqui o tempo está pouco convidativo ao descanso à beira mar. Chove a potes, o vento leva tudo pelos ares e o frio entra por nós adentro e deixa-nos os pulmões congelados. As praias têm barreiras de segurança, que as ondas são de mais de dez metros, e os centros comerciais de todos os passeios estão fechados para desparasitação.
Como se não nos chegasse, a Protecção Civil tem vindo a avisar as populações de que irão acontecer cortes prolongados de água e electricidade e as operadoras de telemóveis desligaram as antenas para manutenção. Internet nem pensar, que os hackers entraram nos servidores e desviaram as comunicações para Marrocos.
Com tanta desgraça só nos vale o Mendes Bota, que mandou instalar colunas de som por toda a região e amávelmente se voluntariou para nos cantar umas baladas de intervenção, com letra e música de sua autoria, pois claro, durante todo este fim de semana dos cravos.
Pronto, está o recado dado e como vêem é melhor não pôrem por aqui esses pezinhos que vão ficar muito melhor aí mais por cima.
Não me agradeçam, que cabra de serviço é para isto mesmo.
Até em terra temos alma de marinheiro. Felizmente!
(...)
As brasileiras estão literalmente a conquistar os homens portugueses: do total de casamentos entre nacionais e estrangeiros, 60% envolvem cidadãos brasileiros e destes 80% são de mulher brasileira com um parceiro português.
(...)
A evolução dos casamentos mistos proporciona várias leituras interessantes. Antes de mais, a subida contínua, com acelerações entre 2001 e 2002 e entre 2005 e 2006. Neste ano (a que se reportam os dados mais actualizados) as uniões em que um dos parceiros é português foi sete vezes superior ao número de casamentos em que ambos são estrangeiros. Por outro lado, mudou-se de um padrão "caracterizado por uma larga proporção de uniões entre mulheres portuguesas e homens estrangeiros para um padrão em que casamentos mistos envolvendo homens portugueses são dominantes".
Apetites.
As crianças estão no quarto e o arroz branco está a acabar de fazer, na cozinha atrás de mim. A carne estufada com courgettes e cenoura está mais que pronta. Falta pôr a mesa e podemos jantar. Mais uns minutos e começam as ordens e as contra ordens, quebrando-se a calma que agora tenho à volta.
Acabou a música e não me quero levantar e ir mudar o cd, na aparelhagem mesmo aqui ao lado. Se o fizesse era para ouvir o Marinheiro Português, da Betânia.
Olhei para o ecrãn do computador e vi a imensa passagem que ele é - vou ao mundo e trago o mundo até mim.
Assim, apeteceu-me pintar nele o mundo que tenho aqui.
D. Afonso Henriques, pázinho, cada vez mais me parece que só fizeste porcaria...
Que inveja dos espanhóis....
Por aqui tenta-se mudar a lei das licenças de maternidade e discute-se o eles e o elas e quem faz o quê, quando e porquê. Por lá, que é mesmo aqui ao lado, poupam-se as palavras e fazem-se as mudanças a sério, aquelas que mexem com as gentes e as fazem engolir em seco e dizer Ah, cabrões, que com esta me lixaram e tiraram-me o tapete da argumentação de debaixo dos pés. Parece simples esta histórinha de uma mulher, grávida, e ainda por cima bonita, a passar revista às tropas, mas faz mais, muito mais, pela mudança das atitudes que conversas estéreis que gastam palavras e não deixam nada diferente...
Estou assoberbada...
Será que se escrevem, assim, artigos de opinião sobre futebol pela mesma razão que a Playboy publica artigos com alguma consistência intelectual no meio de uns valentes pares de mamas? Haverá um branqueamento inconsciente da vulgaridade ou isto faz só parte de uma cultura que me era até agora desconhecida? É isto o chamado "futebolês"?
Fica o artigo das minhas delícias e esclareçam-me, por favor...
O tetra de Manuel José repõe verdades e faz desmentidos
Assoberbados pelo consumismo interno do nosso futebol, no qual, malsinadamente, somos menos vocacionados para apreciar e exaltar os méritos dos grandes vencedores, não tanto pela rotina viciante com que o fazem (F.C.Porto), mas porque a cidade Invicta parece distante e estranha para alguns, preferindo chafurdar na intriguices e desculpas de mau pagador, como que nos escasseia o tempo para abrirmos as janelas para vermos o que, além-fronteiras, consegue um homem da bola, por acaso português.
Com José Mourinho estrategicamente recolhido dos holofotes, surge Manuel José na ribalta dos treinadores, ao sagrar-se tetra-campeão do Egipto.
Com a mesquinhez e inveja que transportamos na mente como uma espécie de sarro que nenhum detergente elimina, dirão alguns que o futebol africano é rasca, de expressão menor, de qualidade enfezada, se calhar até da treta. Sem negarmos a distância entre o futebol europeu e africano - seria patético fazê-lo - importa, no entanto, não confundir o futebol europeu com as melhores equipas europeias, assim a modos como não identificar o futebol português com o F.C.Porto, porque as distâncias são uma constante. No entanto, mais do que discutirmos as assimetrias qualitativas do jogo, importa relevar o seguinte:
- um português conduziu uma equipa africana ao tetra-campeonato;
- um português já arrecadou três Ligas dos Campeões africanos;
- um português já somou quinze títulos (entre nacionais e continentais);
- esse português não tem espaço condizente no nosso futebol.
Nesta intrigante incompatibilidade - treinador vencedor, competente e respeitado, mas que se sentiu quase rejeitado e que foi obrigado a emigrar porque as portas dos clubes mais sólidos se lhe fecharam - há, porventura, uma explicação que tem mais a ver com a natureza (independente) do homem do que com a bagagem (rica) do treinador. Como quer que seja, Manuel José (com)provou no comando do Al-Ahly uma competência profissional indiscutível e que, inevitavelmente, alastra aos treinadores portugueses, cada vez mais solicitados de paragens distantes.
O triunfo de Manuel José (mais um...) vem desmentir alguns teóricos elitistas que vêem o futebol como uma ciência cuja descodificação se faz num linguarejar pretensamente sapiente, à custa de basculações, pressões altas, blocos e transições... Que maldades fez José Mourinho ao futebol português, ao produzir tantos (falsos e medíocres) acólitos...
Voltemos a Manuel José. Ao vencer - e como tem vencido! - com as «águias do Cairo», aos 63 anos, o treinador algarvio, remete-nos para outras verdades que, se calhar, extravasam do próprio futebol. Estas:
- a competência não se mede em função da idade (Alex Ferguson tem 65 anos; Arséne Wenger, 57; Eriksson, 60; Marcello Lippi, 60; Fábio Capello, 61; Jesualdo Ferreira, 62);
- um treinador moldado a partir do terreno, sem carga erudita-científica no currículo, pode ser um grande gestor dos recursos humanos colocados ao seu dispor ou por si escolhidos;
- é possível vencer sem estar dependente de «cunhas», de compadrios, de lobbies, de esquemas ou... sistemas.
Tão carregado de títulos e porque no futebol as vitórias não são eternas, Manuel José corre agora o risco de se querer suicidar, permanecendo no Al-Ahly até... perder. Por se ter deixado conduzir pelo coração, já perdeu uma vez em Portugal e só cometerá o mesmo erro duas vezes se quiser. Há outros lugares para o treinador que um dia esteve seleccionador nacional ser feliz, mesmo que aí não possa satisfazer o vício de comer caracóis...
Quer emagrecer? Pergunte-me como.
Ai não se lembraram de nós? Então desafinem lá de vez com isto:
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, desaconselhou o consumo sem controlo médico de produtos dietéticos, como a Herbalife. Esta é uma aproximação à posição das autoridades espanholas, que ontem fizeram a mesma recomendação.
Em Portugal, no entanto, não há conhecimento de problemas com produtos da Herbalife que levem à suspensão da venda, como aconteceu com a Depuralina. Ainda assim, o ministro apelou à "prudência" dos portugueses em relação ao consumo sem controlo destas substâncias. O governo chama a atenção dos portugueses para a necessidade de terem muito cuidado quando consomem produtos naturais sobre a forma de concentrados, recorrendo sempre ao conselho de um médico ou nutricionista", disse hoje Jaime Silva. "Temos de olhar para estes suplementos alimentares não por aquilo que a publicidade diz, mas pelo que está escrito no rótulo", disse.
Jaime Silva considerou que "os consumidores devem usar da mesma precaução que os espanhóis", alertando para "as grande campanhas publicitárias que garantem milagres à custa de uns pozinhos". O Ministério da Saúde espanhol desaconselhou segunda-feira o consumo de produtos da marca Herbalife, depois de ter tido conhecimento de casos de toxicidade hepática presumivelmente associados ao consumo destes produtos.
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Cabra velha não aprende línguas, mas faz uma chanfana deliciosa.
Esta sei eu de cor há muitos anos. E também sei que a matricula do carro do meu primeiro namorado era HU-77-28. E sei que o valor de Pi é 3,142857153... Sei números de telefone de cor e salteado, definições legais e ilegais, datas, o nome completo e morada do primeiro miúdo que me escreveu uma carta - mas sem código postal, que na altura não havia - e muito mais porcariazinhas que não interessam nem ao menino jesus. O que nunca sei são as diferenças entre os pares.
Complicado o que digo? Não, é muito simples. Não faço a minima ideia qual é a Estação de Coimbra A e qual a de Coimbra B, o que é côncavo e o que é convexo, bombordo e estibordo, proa e popa, sinal de maior e sinal de menor, escala do Ph - mais de 7 é ácido ou base? - traqueia e faringe, montante e jusante, e muitas muitas outras deste género. Distingo a direita da esquerda, mas é mais por olfacto que outra coisa qualquer. É inútil atirarem-me com quinhentas mnemónicas nos comentários, que juro que de tão lógico não me vou esquecer de certeza e esqueço-me no minuto a seguir.
Tenho vivido bem com isto, que penso um bocado, faço mais um esforço, vou ao google e resolvo a questão.
O problema grande é entre Sporting e Benfica. Distingo-os perfeitamente do Porto que não suporto e da Académica lá de casa, mas entre eles nunca sei quem é quem. Chego ao verde e ao vermelho, até sei quem joga onde e os pontos do campeonato, mas se começam a meter lagartos e leões já tenho de começar a pensar e a partir daí baralha-se-me o pensamento e já não sei mais nada. Deve ser por isso que tão depressa acudo por um como pelo outro e morro de desgosto com as goleadas de não sei muito bem qual. Tem dias, e isto de ser sportinguista e benfiquista porque baralho os lados da segunda circular até tem as suas vantagens, que sempre vou fazendo amores e ódios dos dois lados da barricada - e ao mesmo tempo, o que anima mais a festa.
Isto para dizer que nos últimos tempos tenho andado lá pelos lados do Sporting, o que não quer dizer que não possa ser Benfiquista ferrenha já amanhã. E as gajinhas aprenderam comigo, que se só nós sabemos porque não ficamos em casa também sabemos que ser benfiquista é ter na alma uma coisa qualquer. Tem é dias. E tem também é muito mais graça.
Grande imagem. Linda. Profunda. E, sobretudo, esclarecedora!
Fica o resto da notícia e, parece-me, o pânico de quem se sente incomodado com tanta blogaria.
O jornalismo, tal como agora o conhecemos, está, segundo Alfredo Maia, em vias de extinção.
Luís F. Vieira: «Ninguém morre se o Benfica não for à Liga dos Campeões»
Pode não morrer ninguém, mas o Benfica está cada vez mais côr de rosa.
As regras, os lápis e os carros do lixo.
Quando eu tinha dezassete anos e me deram carta de alforria e a chave de uma casa que passou a ser minha vieram também inúmeras regras no pacote. Uma delas, ditada pelo meu pai, era que "lá em casa não entra um rapaz nem que seja para pedir um lápis".
Na altura estranhei a secura do recado, que não estava habituada a que as coisas fossem tratadas assim, mas não discuti a aparente falta de inteligência da ordem, que o espaço para negociar não era muito e as tais chaves podiam voltar a mudar de mão a qualquer momento.
No primeiro ano que vivi sozinha, e apesar da ordem, nunca neguei um lápis a ninguém, usasse calças ou saias, e o único desgraçado que só conheceu as escadas do prédio foi o meu namorado - esse nunca entrou, que se quero negociar tenho de ter espaço e se ele queria um lápis que o trouxesse de casa que por ali não havia disponíveis.
A primeira vez que os meus pais apareceram por lá, assim a meio da tarde, sem aviso prévio mas também sem maldade ou sem queres ver que já te apanhámos, tinha a sala cheia de gente. Amigos, colegas, uns com calças, outros com saias. Acho que não estava ninguém de calções e muito menos com as calças na mão. Lembro-me bem de no minuto a seguir o meu pai estar na conversa com toda a gente e todos encantados com ele e da minha mãe fazer-me esgares para ir ter com ela à cozinha onde me perguntou, verdadeiramente preocupada, se não tinha medo que todos aqueles homens me fizessem mal.... O todos aqueles homens eram miúdos como eu e se não estávamos a jogar à Canasta estariamos a estudar, que lá por ser casa de estudanta não era uma república e sou cabra mas tenho, ou teria, juízo.
No segundo ano que fui para Coimbra, para a mesma casa, tratei de não levar as mesmas regras. Tinha feito tudo certo e para espanto, ou não, dos meus pais, os seus pesadelos mais negros não se tinham concretizado - o meu pai não viu as minhas notas descerem uma décima que fosse e a minha mãe não teve de tricotar sapatinhos de bébés, que afinal a filha não lhe tinha aparecido grávida e, vá-se lá saber porquê, até era ajuízada.
Com estas munições parva era se não as fizesse valer e tratei de convocar uma reunião séria antes que as férias acabassem - tinhamos de falar na regra do lápis. Expliquei-lhes que, como tinham tido oportunidade de verificar, a tal história de menino não entra nunca tinha sido cumprida, mas que preferia fazer as coisas sem pensar que estava a ir contra aquilo a que me tinha comprometido e que essa história do lápis era demasiado patética.
Foi aí que o meu pai me contou a história dos carros do lixo e de como podem ser mortalmente perigosos. O meu pai era uma pessoa muito calma, com uma enorme fleuma, bastante inteligente e um excelente educador. Explicou-me que, como era normal, morreu de medo quando me abriu as portas à liberdade e me deixou por minha conta. Que a vontade que teve foi fazer uma imensa e infindável lista com todos os perigos que me podiam aparecer e explicar como me defender deles. E falou-me dos carros do lixo. Disse-me que apesar de andarem a vinte à hora já tinha havido gente que tinha morrido atropelada. Aparentemente não representam qualquer ameaça, na sua modorra de mau cheiro e na imensidão que não os deixa passar despercebidos. Mas era essa a ratoeira - por não os associarmos ao perigo baixavam-nos as defesas e quebravam-nos a atenção. Explicou-me também que se me tivesse dito para ter cuidado com os carros do lixo eu teria achado ridículo e não daria qualquer importância. Ele até poderia preocupar-se, mas esse era dos tais perigos que eu teria de descobrir sozinha. Ele dava as regras gerais, ensinava a atravessar ruas e a ter cuidado, mesmo quando não parecesse haver necessidade de o ter.
Com os lápis a história era a mesma - na impossibilidade de me defender de tudo quis manter a porta fechada a esse tudo que o assustava. Estava claro que as decisões teriam de ser cada vez mais as minhas, e podia tomá-las e emprestar os lápis que quisesse, mas não me podia nunca esquecer dos carros do lixo.
Pelos vistos os carros do lixo não podem mesmo ser menosprezados e esta notícia de hoje fez-me recordá-lo mais uma vez. Com as minhas filhas nunca me esqueci dos carros do lixo e se sei que não poderei dar-lhes uma lista detalhada do podem e não podem, tento ensiná-las a pensar e a perceber que nem as coisas ridículas e inofensivas como lápis e carros do lixo são tão ridículas e inofensivas assim.
Já o arquivei como um dos concertos da minha vida.
«este psicopata é brilhante»
A figura de Cave inspira mesmo a comentários destes, toda aquela sua teatralidade expressa em gestos com os braços, curvando o corpo em danças descoordenadas, os diálogos irónicos com a plateia, os recados, e dedicatórias para os camarotes ao lado do palco, tudo somado faz dele uma enorme figura rock n`roll da velha escola.
Nick Cave enche o palco com a sua presença, até aquele bigode lhe assenta bem, embora o espaço esteja bem preenchido com os músicos Bad Seeds os olhares centram-se nos movimentos do homem, às vezes Warren Ellis com a sua imponente barba também brilha, e quando tudo arrancou ao som «Night of the Lotus Eaters» deu logo para ver que íamos ter mais uma noite de celebração.
And Now for Something Completely Different .
Gajo, que vamos fazer hoje para o jantar?
(sempre quis fazer um post assim.)
Uma dúvida do caraças.
Desde aí muita gente tem vindo parar a este blog através do google, quando escrevem na caixinha milagrosa da pesquisa as palavras "comi meu pai".
Será que há muito mais gente que, tal como eu, gosta do livro do Lewis ou será que .... pois, ... sei lá.... uma pesquisa normal, não é?
Como disse lá em cima, dúvida do caraças...
(POR QUE COMI A MINHA MÃE. esta agora vai como experiência, para ver se também cá aparecem alguns à procura.... será que também é uma das estrelas nas pesquisas do google ou o pai é mais tenro?!...)
Outra vez a Sul.
Posso brincar com as imagens e explicar a mim mesma que o que me incomodava nessa coisa dos pontos cardeais era a cruz tão definida - Norte, Sul, Nascente, Poente. Parecia não haver como fugir à regra do martírio, que as cruzes foram feitas para serem carregadas, mesmo que nos apareçam desenhadas nas estrelas.
Larguei o Norte e fiquei comigo e com a graça do Nascente, Poente e Sul que tão bem desenham a letra do meu nome. Era eu e os meus pontos cardeais.
O perigo é que distracções todos temos e se perco o sul na curva de um tal caminho onde larguei o norte sem o perder, fico sem referência alguma. Com uma direcção, mas sem um sentido. O Nascente e o Poente embrulham-se um no outro, que não há como saber onde estão, e a vida perde-se em dias que nascem e morrem ou morrem e nascem sem se saber onde.
Andavam assim os meus dias. Tinha perdido o cheiro da felicidade que me apontava o sul bem melhor do que a agulha magnética aponta o norte, e os dias e as noites passavam sem saber onde começava um e acabava o outro. Passavam por mim, ou eu por eles, numa linha contínua sem princípio nem fim.
Não percebi logo que tinha perdido o rumo, só percebia que tinha perdido o riso. Andei triste, profundamente triste, a dar gargalhadas por aí para ver se reconhecia o som, mas o eco que me chegava era de miséria, de dor, de desespero, de fuga para a frente em dias e noites baralhados.
Pensei, perdida assim, voltar lá atrás onde larguei o Norte e voltar a fazer com ele a minha cruz. Não era o que eu queria, mas tinha que voltar a ter um caminho, nem que fosse esse que larguei por me doer.
Mas a vontade do Sul ainda era muito forte e se se perde só tem de se voltar a procurar, que nortes e desnortes não quero mais na minha vida.
Foi o que andei a fazer por estes dias, a procurar a minha felicidade perdida, que se vivo bem sem Norte não quero nunca mais viver sem Sul.
Voltei a encontrá-lo. Não estava tão perdido assim, que a felicidade quando se nos pega às carnes não se solta facilmente e o cheiro dela entranha-se em nós com tanta força que só mesmo se não a quisermos é que a perdemos. E eu não a quis perder, nem quero.
Tenho outra vez os meus pontos cardeais. Tenho o meu riso de volta. Tenho os dias e tenho as noites que se lhes seguem, tenho a vida, tenho o nascente, o poente e o sul a dar-lhes o sentido.
Estou feliz e estou a sulidificar esta felicidade reencontrada para não voltar a ficar sem rumo numa distracção qualquer.
Sou outra vez a Teresa, a sul e assumidamente sem norte. E sem desnorte.
Neste blog pode-se (continuar a) fumar.
Eu é que já não fumo...
E uma das pequenas coisas, que foram grandes, que tive de fazer, foi fugir daqui. Já posso voltar sem olhar para os lados à procura dos cigarros, do isqueiro e do cinzeiro.
Voltei. Caso ainda esteja por aí alguém...
E nós não podemos ter o R.A.P. a escrever os do Sócrates?
Primeiro escreveu uma carta aos americanos, agora quer escrever os discursos do Barack.
Isto sim, é fazer política a pensar no cidadão.
Londres, 08 Abr (Lusa) - John Cleese, um dos autores da série de culto "Monty Python", anunciou que se oferecerá para escrever os discursos de Barack Obama se este vencer as primárias democratas para a presidência norte-americana.
O comediante britânico, que actualmente vive na Califórnia, disse numa entrevista ao Western Daily Press hoje publicada que o seu estilo humorístico, posto ao serviço do senador democrata, poderá ter um papel-chave na conquista da Casa Branca.
"Tenho de voltar à Europa em Novembro mas arrisco-me a ficar ocupado se Barack Obama aceitar a minha proposta de ser o redactor dos seus discursos", indicou Cleese, 68 anos, na entrevista àquele jornal regional do oeste de Inglaterra.

