Procura-se Gaijo com perfil de Gaijo

Há gaijos que têm uma, duas, várias costelas de gaja. Alguns, os mais sofisticados, chegam a ter de gaija… Neste tipo de gente, as tais gavetas estão todas abertas e muito desarrumadas. Ninguém sabe o sítio de nada!

Há gaijos que choram. É natural. Eu choro! São Gaijos com G maiúsculo que não receiam expor a sua sensibilidade.
Há gaijos atentos, preocupados, que o demonstram não só por actos, como encaixa nos parâmetros normais, mas também por palavras e por gestos, cultivando desta forma o apreço que temos por eles.
Há gaijos que ouvem o nosso ponto de vista, que tentam entender como pensamos e ainda dizem que nos amam no fim.
Há gaijos que sabem conversar sobre nada, sem se preocuparem com as grandes opções do plano, o estado da nação, o futebol, a Soraia Chaves, a do quinto esquerdo ou a de ontem. Que entendem uma simples e rotineira conversa como uma forma de alimentar relações.
Há gaijos que nos dizem linda e não se refugiam num gosto de ti quando amam.
Há gaijos que além de condensarem tudo o acima descrito, não se esquecem do básico, são incapazes de deixar as meias debaixo da mesa e comportam-se como cavalheiros.

Mas (ora aqui está ele), gaijas, tudo isto num gaijo só é uma dose que o meu pequeno estômago, por muito que se esforce não aguenta e embrulha-se todo. Estes gaijos são uns cristais finíssimos, uns vidros de cheiro, uns soufflés, um daqueles livros muito bem guardados na Biblioteca Municipal cujo manejo é feito de pinça e luvas! Não se lhes pode dizer nada. Padecem de síndroma pré-menstrual permanente e insistem desacreditar tudo o que sabemos sobre eles, transformando as poucas certezas que sensatamente mantemos e com as quais os confrontamos em ondas tsunâmicas! É-nos impossível prever o que estão a pensar porque ao contrário dos gaijos usuais, não conseguem não pensar em nada, deixando-nos em desassossego constante pois somos incapazes de prever que maquinação vai brotar daqueles cérebros magníficos! Sabem elaborar planos maquiavélicos, típicos da nossa imaginação fértil. São atrevidos, não se inibindo de afirmar que sabem o que pensamos. Quando nos envolvemos de forma apaixonada com este tipo de gaijo, temos que saber que não vão faltar oportunidades para sentirmos que o que devíamos fazer era agarrar no carro, percorrer, se necessário, milhares de quilómetros a grande velocidade, parar à porta de sua casa, ordenar-lhe que desça e assim que lhe vislumbrarmos os contornos levantar a mão, fazer o que tem que ser feito* e regressar sem nunca, nunca bater com a porta do carro. Uma gaija não perde a compostura!


* se for o caso, é importante acautelar os óculos! é à custa deles que nos vêem lindas...

33 comentários:

  1. e no fim chorar tres semanas porque se perdeu o gaijo da nossa vida. Toda a bela tem o seu senão, aturar so depende da proproção entre o senão e o resto.

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  2. Gaija isso de usar a mão é não me parece nada bem. A minha mãe custumava falar num tal pano enxarcado...

    No resto tens a minha incondicional concordância...

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  3. Que raio de cromo é esse que aqui descreves? É personagem de ficção, com toda a certeza...
    Mas olha que esta prosa tá com um ritmo porreiro, com o ritmo tripeiro de dizer as coisas. E é um post de gaija, topa-se logo.

    (Quando lhe arrefinfares o tabefe não te esqueças de confirmar antes se usa óculos ou assim.)

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  4. perder? um estômago embrulhado arranja sempre forma de se desembrulhar...

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  5. ó chefa, sentir a bochecha esborrachada na palma da mão... o tal pano não daria o mesmo gozo, não te parece?

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  6. não é um cromo, tubarão, é uma caderneta completa! não lhe falta nada...

    (já acautelei os teus interesses!)

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  7. Mas eu tenho a pele fina e rebento logo uma veia ou duas ( já testei muitas vezes no rabo das gaijinhas...)

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  8. compra uma pele nova! não sabes o que perdes com essa...

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  9. Mas HÁ (de haver, vulgo, existir) mesmo gaijos desses? Já estou comó Tubarão: esse gaijo não de ficção?

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  10. Ó melher, tu arrefinfa-lhe, a bem dizer!

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  11. Apoiado, CJ! Arrefinfa-lhe, Gaija!
    :)

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  12. (E guarda-o bem guardadinho! Isso deve ser uma jóia de rapaz!)

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  13. É mesmo uma jóia, Tubarão. É um diamante por polir, precisa de muita mão de obra para ficar um brilhante.

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  14. E se tiver uma mãozinha como a da nossa Gaija mailinda fica uma obra-prima, digo eu.

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  15. arrefinfo-lhe sempre que posso, cj. raramente tenho oportunidade, mas quando chega, não escapa!
    já te imaginaste a aturar um gaijo assim?

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  16. tá caladinho, tubarão lindo, ou ainda sobra para ti...

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  17. não há artesã que lhe valha, chefa... é um caso (completamente) perdido!

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  18. Sobras tuas, para mim?
    Vou já buscar a marmita!

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  19. Prometido. A tua alcatifa vai adorar-me! (Ai credo, tão arrojado...)

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  20. Sem os óculos nem dou pela diferença...

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  21. sabem, acredita que sabem.
    mas o desabafo torna-se imprescindível para manter a sanidade...

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  22. Ora...
    Pra não me perder no caminho até ti, magnífica!
    :)

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  23. quando cá chegares, não te esqueças de os tirar (posso não me lembrar do asterisco...)

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  24. Já não entendo nada! A sério, que confusão de gaijas e gaijos vai ali pró norte.

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  25. Já não entendo nada! A sério, que confusão de gaijas e gaijos vai ali pró norte.

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  26. com grande pena minha, calatrava, este fenómeno é mais frequente a sul.

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  27. Esse gaijo parece ser um chato.Solução, leva-o a jantar de vez em quando e deposita-o em casa dele...

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  28. continua assim, gabs. vais no caminho certo e talvez um dia também possas fazer a tal viagem à volta do mundo comigo!

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