Para o gato das sete vidas

Antes de adormecer voltou a contá-los. Estavam lá todos. Perfeitamente alinhados e na devida ordem entre os óculos e o tabaco de enrolar.
Fechou a luz da cabeceira e virou-se para dormir.
Acordou com o pássaro da vizinha. Ainda nem era manhã só que desta vez não o enganavam.
Abriu os olhos já com os óculos postos e obrigou-se a olhar. Os dias estavam lá, a semana completa, mas a confusão era a do costume. O domingo ao lado do candeeiro, a segunda encostada à quinta, a quarta ainda a apagar a beata e os outros três escondidos debaixo do naperon de renda.
Vestiu, vencido, o fato cinzento que dava para tudo, acertou o risco ao lado e saiu para a rua com uma cara de terça-feira.
Só percebeu que era sábado quando viu que o leão do batente da porta ainda não tinha chegado e o elefante do padeiro dormia no meio da praça com a tromba enrolada na garrafa vazia.

4 comentários:

  1. nesta,
    assinaria este texto com orgulho na obra produzida.
    na impossibilidade, limito-me a agradecer a dedicatória.
    mande mais.

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  2. Um texto a quatro mãos? era capaz de ser engraçado...

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  3. Magnífico texto.
    Deduzo que a água tónica é que faz toda a diferença.

    Cumptos

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  4. Satin,

    Com gelo e limão e um pouco de gin para acompanhar faz a diferença toda.

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