Começou o velório

Morreu. O espírito já se foi, como qualquer espírito que se preze, mas deixou ainda por aqui a velha carcaça a decompôr-se. Vamos falar do defunto e de como foi bom e teve uma vida curta mas tão cheia. Os dias da praxe vão passar, pouco a pouco vamo-nos esquecendo e ficará perdido na memória como todos os outros. O enterro será discreto, quase envergonhado. Vamos notar que finalmente nos deixou quando os monstros vermelhos desaparecerem das varandas e as árvores de natal, com o resto de um fio dourado e um anjo esquecido, forem despudoradamente escostadas aos caixotes do lixo.

6 comentários:

  1. Uau, mas que mergulho profundo no espírito da quadra...

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  2. Nem se despediu, o filho da mãe...

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  3. é sempre assim.... saiu de fininho e agora cá estamos nós para limpar a confusão que deixou...

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  4. cabras e tubarões:
    um gato nunca é demais para detectar um espírito, como é sabido.
    e eu garanto que já não mora aqui.

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  5. O gato, que eu saiba, é mesmo dos poucos animais que não detecta o espírito - é um animal diabólico, que vive no meio deles e não dá sinal. Qualquer bruxa que se preze tem um, certo?

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