INVEJA
Eu tenho cerca de 12 horas para descobrir o armário dos Ferrero Rocher’s…
Porque é que ninguém me dá chocolates no Natal?
INVEJA
Eu tenho cerca de 12 horas para descobrir o armário dos Ferrero Rocher’s…
Porque é que ninguém me dá chocolates no Natal?
SOBERBA
A arrogância de entrar numa sala e ter lingerie vestida torna-nos seres superiores, não torna?
As rabanadas estão prontas. O bacalhau está gloriosamente à espera de entrar na panela. O bolo de laranja está ensopadinho como se quer.
Lá fora chove torrencialmente mas cá dentro está quentinho. Todos os preparativos estão feitos e o ensaio geral foi glorioso ao som de Frank Sinatra e de vodka a ser despejada nos copos (toda a gente sabe que evento que se preze tem ensaio geral, não sabe???)
Não há rede de telemóvel e, neste momento, nem há mesmo mais ninguém cá em casa.
Antes da chegada iminente dos convivas e da azáfama própria da ocasião, só me falta mesmo desejar-vos a todos, todinhos sem excepção de um, uma excelente noite. Que estejam próximos dos que mais amam e que nos vossos corações ainda se viva a época com o espírito das crianças.
Feliz Natal!
Oh Chefa, atão e eu??????
Não tenho direito a foto no blog?????
E se repente, saímos de casa e o termómetro do carro marca 3º e o computador de bordo avisa acerca dos perigos de gelo na estrada, só podemos concluir que fomos teletransportados para a Lapónia para sermos ainda mais imbuídos de espírito natalício. Até aqui tudo bem. Eu goto do Natal. O Natal é fixe. O que talvez seja relevante mencionar é que o meu cérebro só funciona acima dos 14º/15º. Portanto, temos o Tico e o Teco com hipotermia, congeladinhos, enroscadinhos num canto do córtex a beberem ponche e aguardente para ver se aquecem.

Eu não vejo os Ídolos. Vi a semana passada pela primeira vez. Eu sei, eu sei, sou uma info-excluída que nunca vai ser nada na vida nem saber de que é que toda a gente fala, mas que querem que eu faça?
Bem, mas é por isso venho aqui pedir a vossa preciosa ajuda. É que eu já percebi que temos que ligar para um número de telefone específico para o nosso preferido. Certo?
Mas por algum motivo estranho, eu não consegui apanhar o número de telefone para votarmos neste senhor… Se calhar, deram naquele bocadito que me distraí e fui à cozinha.
Em todo o caso, se alguém apanhou o dito número (pode ser o telemóvel dele que eu ligo a perguntar o número para votar) que o deixe na caixinha de comentários, fáxavor, sim?
Caso não estejam bem a ver quem é, é um mocinho que acho que se chama Laurent e está sentado. Ainda não cantou mas também não é preciso que eu voto nele à mesma.
Agora é que eu percebi porque é que o mulherio todo vê o programa… Novos talentos da música… Miúdos que cantam bem… Ando bem enganadinha, é o que é…
Adenda: Vá lá que parece que ele ainda não foi esta semana que foi expulso do programa. Mesmo sem o meu voto, continua lá. Mas podem dar o número à mesma que eu ligo-lhe só para encorajá-lo…
Aqui há muitos, muitos anos, numa galáxia distante (as histórias boas começam sempre assim, eu sei, mas não tenham grandes esperanças que esta é fraquita), eu e a minha amiga do creme do cabelo (para referência chamemos-lhe Eugénia) fomos para os copos com um mocinho que ambas conhecíamos. O mocinho por sinal era muito jeitoso (que para referência passaremos a designar como Mister X) e ambas concordávamos com essa premissa. Copos para aqui, copos para ali, brinca daqui, brinca dali, a Eugénia vai ao bar e o moço tasca-me um beijo. Jusqu’ici tout va bien, como diria o outro. Ora, eu estava cansada, peguei no carro e fui para casa (a Gaija deve estar orgulhosa desta minha saída airosa aos pormenores). Passado umas horas (vulgo de manhã) arrastava-me eu alegremente (vá, talvez não tão alegremente quanto isso que há manhãs mais difíceis que outras) pela cozinha, namorando fervorosamente a máquina do café na esperança que o liquido saísse mais depressa, quando se me entra a Eugénia na cozinha. Pão para torradas, blá, blá, blá e ela sai-se com um “tenho que te contar uma coisa”. Pois que venha de lá ela, não é verdade? Embrulhei-me com o Mister X. Eu olhei para a máquina do café, olhei para a torradeira onde ela enfiava as fatias de pão e pensava cá com os meus botões: “a miúda acabou de sair de uma relação de merda, o gaijo é um gaijo porreiro, haverá mesmo necessidade de lhe dizer que ele me beijou quando ela foi ao bar, antes de se embrulhar com ele? Qual é a relevância para o caso, afinal? Será que a sinceridade justifica, em certas circunstâncias? (o que daria um tema para um excelente post, mas não é o tema deste. Eu bem avisei que isto era menos interessante do que poderia parecer à primeira vista)” Porque ao fim ao cabo, o que temia era que ela, eventualmente, pensasse que tinha sido uma segunda escolha. Que se eu lá estivesse, talvez as coisas fossem diferentes. Lá está, se… Se… Se…
(E agora vou fazer um parágrafo que até eu já estou cansada daquela mancha de texto. Que ao fim ao cabo, é mais ou menos dar tempo para que o café e as torradas acabem de fazer…)
Ora, com o pequeno-almoço posto à frente, quem é que me dizia a mim que a torrada se comia? Isto foi mesmo há muitos anos, que eu hoje sou muito menos escrupulosa (e vai daí talvez não). Mas, naquela altura, ainda acreditava na tal da sinceridade e que as relações, sejam elas de que tipo forem, nunca se podiam basear numa mentira. Eu sei que não era nada do outro mundo, mas já vi incidentes diplomáticos começarem por questiúnculas que não lembram nem ao Menino Jesus. E pensava também que ele lhe podia dizer e quando nós sabemos estas coisas por terceiros nunca acreditamos na boa vontade de quem as omite. Por muito boas que fossem as intenções que essa pessoa tivesse, vão sempre para o lugar que lhes está proverbialmente destinado: para o Inferno!
Pus a torrada no prato e as palavras na boca e contei-lhe. Ela ficou calada. Eu pensei: querem lá ver que temos a burra nas couves? Quando, finalmente, falou foi para me dizer: “Cabrão! Mas beija bem comó caraças, não é?” Desatámos a rir e eu soube que aquilo era para toda a vida. Não o Mister X, mas eu e ela. Se alguma dúvida houvesse, ter-se-ía dissipado ali mesmo. Escusado será dizer que o Mister X não comeu nenhuma das duas, mas conseguiu ficar nosso amigo devido ao bom humor com que encarou o facto de ter o pequeno-almoço [ele afinal dormia no sofá da minha sala e eu nem tinha dado conta (não, não era um palacete. Eu é que não vejo mesmo nada de manhã sem beber, pelo menos, 1/2 litro de café) servido pelas 2 gaijas que havia beijado na noite anterior, em trajes de noite, esclarecendo-o que A já sabia de B e vice-versa.
Porque é que eu estou a falar disso agora? Porque olho à minha volta e as mulheres com quem me relaciono, casadas inclusive, adoram competir. Se um homem interessante aparece (vão-me desculpar a expressão) mas é tratado como um naco de carne, um troféu a adquirir. Isso faz-me espécie. É que os senhores vão-me desculpar a franqueza, mas se eu tiver que escolher entre uma amiga (ou até mesmo conhecida) de longa data ou o gaijo giro que apareceu agora, eu nem sequer penso nisso. Como não pensava há muitos anos atrás. Ok, ele até pode ser giro e saber quem é a Marguerite Yourcenar (isto é uma mera hipótese académica, claro) mas e daí? Eu não vou atropelar tudo e deitar por terra os meus princípios para levar o troféu para casa. Mesmo que seja a favorita no campeonato. Uma vez disseram-me que era porque eu tinha medo de competir e perder. Eu limitei-me a sorrir e a concordar. A verdade? É que há coisas que não sacrifico nem pelo maior troféu do mundo. Uma delas é a minha paz de espírito. Não a sacrifiquei naquela manhã em frente a uma torrada e não a sacrifico hoje. Se essas pessoas merecem essa consideração? Talvez não. Mas eu durmo muito bem. Por outro lado, conheço muita mulher que se queixa de insónias…
E, pronto, é isto. Eu bem disse que era menos interessante do que poderiam pensar.
“The ties that bind us are sometimes impossible to explain. They connect us even after it seems that the ties should be broken. Some bonds defy distance and time and logic… Because some ties are simply… Meant to be.”
(Meredith Grey in Grey’s Anatomy)
Às vezes, ser mulher é uma seca. Muitas vezes, as mulheres são os piores inimigos de uma mulher. No entanto, eu não trocaria de género por nada do mundo. Porquê? Simples…
Este fim-de-semana, estava eu fechada numa casa de banho minúscula com uma gaija. Eu tinha acabado de sair do banho, ele passava-me um creme revolucionário acabado de sair no mercado no cabelo. O corpo dela colado ao meu enquanto me massajava o couro cabeludo (aposto que a esta altura do campeonato, já conquistei toda a audiência masculina deste blog… Como diriam os Black Eyed Peas: I gotta feeling…). A conversa versava em como deve ser difícil ser gaijo. Porque gaijo que é gaijo não pode fazer estas coisas com seus amigos gaijos que são gaijos. Gaijo que é gaijo, não passa cremes no cabelo de outro gaijo nem faz massagens no couro cabeludo. Gaijo que é gaijo não olha fixamente para o corpo de outro gaijo quando ele está de lingerie (okay, leia-se ‘o belo do boxer’ que gaijo que é gaijo não usa lingerie, obviamente) para opinar se aquele modelito irá surtir o efeito Katrina desejado. Gaijo que é gaijo não diz a outro gaijo: ‘Gaijo, tás bom comó milho. Eu comia-te…’
Às vezes, ser mulher é uma seca. Muitas vezes, as mulheres são os piores inimigos de uma mulher. Por isso, é que as gaijas, contrariamente à convicção geral, só têm meia dúzia de amigas que realmente consideram amigas. Só há meia dúzia delas que sabe tudo sobre elas. Só meia dúzia sabem ler os seus pensamentos sem que palavras sejam necessárias.
Mas essa meia dúzia… Digo-vos essa meia dúzia vale o seu peso em ouro. E toda a gaija sabe que, independentemente da burrada que fizer na sua vida, a sua meia dúzia vai estar lá para apoiar. Pode não concordar. Pode achar que a gaija está a cometer a maior burrada do mundo. Mas ao fim do dia, cada gaija sabe que a sua meia dúzia vai estar no fundo do penhasco, pronta para aparar a sua queda e, caso não haja aparadela possível, de certezinha que, pelo menos, uma delas levou um estojo de primeiros socorros.
Pediu que eu também contribuísse para melhorar o clima.
E quem sou eu para negar seja o que for ao nosso Santo?????
O Juiz. Achei que era uma boa ideia usar o livro do Lucky Luke para este post. Podia até descrever a sequência final quando o Lucky Luke exige que o Juiz Roy Bean seja julgado mas como não há outro Juiz tem de se julgar a si próprio e temos então o Roy num quadradinho a dizer que se recusa a ser julgado por aquele pulha, no outro a presidir ao Tribunal e nos seguintes numa dança surrealista entre o banco dos réus e a cadeira de juiz. Mas isto era no Far West.
Também podia ter começado com a pergunta "Quem matou o juiz?" e acrescentar o lendário "Foi Mortágua" com um JeéFeKeiano "Hoje somos todos mortaguenses" mas achei que este mortaguenses é tão estranho que me estragava a gracinha.
Depois lembrei-me daquela sátira dos Gato Fedorento e pensei que bem que podia armar-me em Marcelo e rabular um A magistratura é independente? É. Os jornalistas são livres? São. Mas a magistratura e os jornalistas fazem fretes? Fazem. Então não são independentes nem livres? São. Mas fazem fretes? Fazem. Mas são independentes? São. E são livres? São. Mas fazem fretes? Fazem, só que nunca mais saía disto e lá se ia a possibilidade de dizer as asneiras que me têm andado entaladas. É que já não há pachorra. A minha, pelo menos, chegou ao fim há muito.
Sempre tive para mim que as opiniões se discutiam e os factos é que não mas, pelo que parece, devo ter andado errada estes anos todos. É que o que tenho visto por aí são factos a serem servidos como se de meras opiniões se tratasse e opiniões a serem promovidas ao eu vi com estes olhinhos que a terra há-de comer e nós, doidinhos por mais um petisco, enfardamos tudo o que nos trazem à mesa com a imbecilidade gulosa de quem correu com uma ASAE qualquer porque é certo e sabido que o mal que nos faz se perdoa sempre com o bem que nos sabe. E já nem nos interessa se a lebre afinal é gato, se a fossa vaza no chão da cozinha ou se as mãos do empregado de mesa nunca viram água na vida. Comida. Queremos comida que o circo, depois, armamos nós, mas esquecemos que a tenda dos palhaços e dos malabaristas depressa ficará nauseabunda porque se há facto que não é discutível é que comida estragada mais cedo ou mais tarde vira merda da grande.