A idade do (de)gelo

Penso que já tinha mencionado algures neste tasco que sou a feliz possuidora de um daqueles electrodomésticos vulgarmente conhecido pela designação "combinado". Parece-me que também não é segredo o facto de a parte inferior do mesmo já ter conhecido melhores dias e encontrar-se há vários anos a candidatar-se a ser eleito local de filmagens do próximo episódio da 'Idade do Gelo'. Andava a vossa calamitosa a postos à espera de dois dias seguidos acima dos 25 graus para iniciar o respectivo degelo, já que, de há quatro meses a esta parte, a cada vez que preciso de qualquer coisa do interior do dito, sou obrigada a armar-me de escopro e martelo. Pois bem, o dia chegou, o sol sorria, o calor apertava, e pensei de mim para comigo (sim, eu penso com bocados de mim e depois?): "Calamitosa Joana, não é tarde nem é cedo". E zás, vá de retirar tudo aquilo que ainda não fazia parte dos diversos icebergues, estalactites e estalagmites de dentro do referido electrodoméstico - isto, é claro, depois de ter suado as estopinhas para abrir a porta e o que resta das gavetas - vá de meter tudo em sacos térmicos e vá de levá-los para a arca em casa dos meus pais.

Só que entretanto - pois há sempre um entretanto - lembrei-me de - comé que se diz? Ah! - Lembrei-me de "amandar (do verbo atirar com muita força) um chuto numa mochila cheia de livros". Nada de especial, à parte ter visto uma constelação, e ter recorrido ao objecto em degelo pela segunda vez neste dia glorioso (isto sem contar com a rica hora em que iniciei a complexa operação de descongelamento do dito electrodoméstico). Uma hora antes tinha sido a Mini-Calamitosa a dar com os mini-cornos na quina da janela e a arranjar um belo de um maxigalo. Gelo para a testa da Mini e gelo para o pé da mãe - afinal de contas, gelo é coisa que não falta(va) nesta casa - , toalhas no chão da cozinha, toca a sair e tá a andar (de carro, pois tá claro).

Um tarde de domingo perfeitamente normal. Jardim com a Mini, correr atrás dela para evitar que se atire para dentro do lago, que leve com um baloiço em cima, que... que... que... Levá-la para cima e para baixo, casa-de-banho, lanche, e começar a pensar no regresso a casa. Ah! Falta leite. Supermercado com ela (comigo). A pé. Coxinho, pois por esta altura, já me custava francamente colocar o dito no chão. "Se calhar parti o dedo", disse à minha irmã. "Achas!", rispostou esta, "Se o tivesses partido não o conseguias mexer". Ah pois é. Se o tivesse partido não o conseguia mexer, e eu consiiiiiiiiiigoooooooooooooo!!!! Claro, vejo mais uma constelação, mas consigo mexê-lo, ah pois. Xa cá ver esta loja da chinesa que tem coisas muito giras. "Ó menina, o que é que tem?" "Ai, sabe lá, bati com o pé e dói-me muito". "Ai, menina, tem isso muito mal, tem de ir pló hospital". Pois. Talvez a chinesa tenha razão, isto está a modos que escurito. E não é só o dedo, é o resto do pé todo. Bom, vamos nessa. Hospital com ela (comigo), de carrinho, claro. Por esta altura, já só pousava o dedão e mesmo assim ao de leve. O que vale é que é o pé direito, que cabra que não é chefa não dá cabo do penante que é preciso para a embraiagem.

Duas horas depois, uma das quais de pé à porta do raio X - por que chamar uma só pessoa de cada vez quando se podem chamar quatro e deixar três à espera à porta num corredor sem assentos? - , o diagnóstico: fractura do dedo mindinho. Evitar apoiar o pé no chão. Pois claro, eu até nem vivo sozinha com duas crianças, de modos que vou já retirar-me para a minha cama lá em cima na mezzanine e ficar por lá nas próximas três semanas. Evitar conduzir. Pois claro, levarei a Mini para a escola num pé e voltarei no mesmo; e para o trabalho idem idem, aspas aspas; ao fim do dia, tratarei das compras e dos afazeres domésticos do alto da minha mezzanine, e de perna alçada (como eu gosto desta expressão!). E colocar gelo de hora a hora. Sim senhor doutor, quanto a isso não há problema, tudo bem.

E eis-me chegada a casa. Na cozinha, uma nova versão d'O Lago dos Cisnes. As embalagens que se haviam solidificado no meio das estalactites e das estalagmites já boiam dentro do receptáculo. Fixe, isto vai bem lançado. Amanhã se calhar já posso ir buscar a comida outra vez. E agora vou pôr gelo no meu pézito. Agora é como quem diz. É assim a modos que um eufemismo... Mas que o congelador há de voltar aos seus tempos de glória, lá isso há de. Ai há de, há de.

57 comentários:

  1. afinal vou mas e entrar em sabatica blogar pq isto anda a ficar demasiado perigoso. ja me tou a ver a pertencer a classe dos "mais de 206"

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  2. CJ keep cool (caso tenhas gelo outra vez...) que vais descobrir o encanto de andar aos saltinhos em pé coxinho... Pergunta à MQP se não se fica linda assim...

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  3. Boa...e andas com o pé sem ligaduras não é ? Eu qd parti o dedo andei, e o chato é andar a defender o pé de toda a gente que tenta calca-lo.

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  4. Ó Santo, isso é uma categoria específica para os Peugeots? O que é que isso dá em Renaults, "mais de Clios"? Dá pra me levares, e aos calamitosos, ao ensaio-geral do Encontro Nacional do Cabra?

    Eu gelo ainda tinha algum, mas em bloco, se é que me entendes... Conclusão, nem o combinado descongela, nem eu almoço (nem lancho, nem janto...). Estou a pensar ir passar 20 minutos por hora a trabalhar/blogar com o pé dentro do congelador ;-)

    (Linda! e elegante e simetricamente musculada...)

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  5. Mas que é que se passa com as Cabras?
    Andam ao desafio a ver quem estraga mais e melhor a ossada?

    (As melhoras, CJ.)

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  6. Podes crer, Gabs. E isto só dura há doze horas...
    (parece que andamos com uma tabuleta a dizer: pé pisável AQUI)

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  7. Parece-me que ainda tenho que comer muita palha para chegar aos calcanhares (ou às tíbias, neste caso) da Chefa, Peixão!
    (obrigada, isto agora é só esperar... sentada...)

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  8. não podes ver nada, é o que é cj! se querias mimos, dizias, não era preciso partir nada...

    qualquer coisinha, apita! as melhoras :)

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  9. chiça, que azar...

    um beijo, que a coisa não se afigura fácil, e as melhoras!

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  10. (há gelo aí por terras nortenhas, Gaija?)

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  11. Isto é na boa, SSV. De mindinho ao peito, como explica a Peixita, é um vê-se-te-avias ;-)

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  12. Eu a dizer que só as Cabras eram umas brutas, e vem o Visconde e diz que pariu a ponteira. Lá se me vai a teoria acerca da 'meiguice' dos elementos femininos...

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  13. Podia ter-lhe dado para pior, meu caro: imagine que era o ponteiro?...

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  14. (umas brutas, Peixa? Não estou a ver porquê...)

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  15. Partiu. Eu juro que queria escrever "partiu". Perdoe, meu caro...

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  16. (ai Bruce, tinhas que chamar a atenção do man para isso?)

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  17. ehehehehehehehehehehehheehehheheheheheh
    eu sei que é ser mázinha estar aqui a rir-me de desgraça alheia, mas Calamity desculpa não consigo evitar
    ehehehehehehheheheehehehheeh

    as melhoras
    espera lá...
    isso foi inveja!!!! Calamity, inveja!!! que coisa feia Calamity, ser invejosa!!!
    então lá porque a Chefinha aqui do tasco ficou de perninha para o ar, tu tiveste de arranjar logo uma desculpa para alçar (também gosto da expressão) a tua?! :P

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  18. (Bolas, parir uma ponteira deve ser pior que partir o dedo mindinho...)

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  19. "Pariu uma ponteira"... Deixou-me a pensar.

    Realmente é mesmo Visconde, para conseguir uma proeza dessas.

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  20. Continuo a achar que podia ter sido pior. Parir uma parteira, por exemplo...

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  21. (Pronto... Agora até alguém mandar uma calinada melhor, vou andar na boca do povo...)

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  22. a parir na boca do povo já me parece detalhe a mais, peixa!

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  23. (Na boca do povo também é bom. Desde que o povo lave os dentinhos três vezes por dia...)

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  24. peixa, eu sou uma linda sereia!
    de brutus não tenho nada...

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  25. Linda, linda.
    Nem sei de qual das metades gosto mais.
    :)

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  26. sereneida é o termo correcto

    (pois, ia mesmo a perguntar se esta malta não tinha de trabalhar, ou assim...)

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  27. (Que comentário mais monday, CJ...)

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  28. é que o monday não vai ter contemplações com o mindinho, Tubas...

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  29. Ainda pensei dizer que com ele ao peito não conseguia teclar, mas acho que não pega...

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  30. Olha que se não consegues, disfarças bem...

    :p

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  31. O que vale é que a editora não é frequentadora do Cabra (acho eu!)...

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  32. Escarlate, tu desculpa-me, não me esqueci de ti e o que é teu está guardado...

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  33. Bom dia CJ, as tuas melhoras!
    (ai que estas piquenas não podem ver dar mimos a alguém arranjam logo maneira de tb terem atenção)

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  34. Vocês andam para aqui a terviversar e ainda não fizeram a pergunta que se impõe:
    - Senhor Visconde, partiu a ponteira a fazer o quê com ela?

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  35. (olha outra...)

    chefa, o que é terviversar?

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  36. é o resultado de parir uma ponteira maineda!

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  37. Estás tramada mulher!!!
    Pede apoio á mana é para isso que elas servem :D
    As melhoras rapidas gaja!

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  38. A minha é desnaturada nessas coisas, Tita...

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  39. (E pronto... Já tão a lixar a Peixa! Sai uma Quinta do Javali 2003 para a capital!)

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  40. Lindo, Chefa, parir uma ponteira maineda! Proponho que escrevamos a partir daí o hino do Cabra...

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  41. Aqui em casa não entram 5ªs do javali desacompanhadas...

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  42. Nem os Javalis sabem ir sozinhos! Vão sempre acompanhados da Peixa-Pastora.

    (pastoreiam-se javalis????)

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  43. (és uma verdadeira capricórnia, é o que é - apesar de peixa [hás de ver o teu mapa astral]! Pastoreias javalis, tens rabo de peixa e cornicos de cabrita...)

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  44. Cj o que já me ri com a epopeia do desCOMgelo. Pronto fiquei com pena da mini e do teu (ar)mindinho.

    Bjkas e melhoras

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  45. Ja que ninguem liga ao que interessa....
    As melhoras. Precisas de ajuda?

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  46. Estão a ver?!!! Isto é que é um mecinho bondoso, benzódeuje! É que é mesmo santinho, vejam lá que até me ofereceu ajudinha!!!
    (já que perguntas, e que me apercebi ali na posta do tubarão que até tens jeito para a coisa, tenho três artigos para escrever... e tb já se jantava, a bem dizer)

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