Mais um intervalo. Mas a defesa de um mito justifica esta interrupção

Tendo sido colocado em causa, ainda que perifericamente, todo um histórico de competência e saber-fazer, antes que o rumor se transforme em algo de mais substancial, é meu dever cívico tranquilizar as hostes, puxar dos meus saberes de grafologia e descodificar os meandros da minha letra.

Antes de mais, escrevo em maiúsculas. Como a Tereza cedo intuiu (não é à toa que quase todos dizem que ela é a chefa disto…), não me dou bem com o mundo das coisas minúsculas. Isto é um sinal. E dos grandes.

Depois, e compreendo que estas coisas vos tenham escapado, isto é matéria complexa que só os mais capazes conseguem decifrar, depois, dizia eu, atentem no pormenor de eu não interromper o traço entre letras. Se verificarem bem, é frequente que duas ou três letras se encontrem ligadas, logo, não é da minha natureza escrever apenas uma letra, é quase normal que surjam duas letras seguidas e não é raro que surjam três ou mais letras no mesmo acto.

Reparem no til. Isolem o til. Parece uma nota musical, certo? Podia deixar à vossa imaginação a descodificação deste pormenor, mas é capaz de ser arriscado, iniciados necessitam da mão condutora do Mestre para interpretar os sinais. Estes sinais significam que há música em mim. Às vezes samba, outras valsa, mas quem está junto de mim tende a deixar-se enredar nessa musicalidade, tende a cair-me nos braços e dançar. Seguindo a minha música, evidentemente.

Finalmente, e porque não desejo maçar-vos, atentem na letra “A”. Um triângulo equilátero, a significar igualdade entre todos os lados, alguém que escuta igualmente todos os intervenientes, dirão alguns. Os ferrinhos de uma banda filarmónica, discreto, mas absolutamente audível no todo da banda, dirão outros. A letra Delta, maiúscula, símbolo da sabedoria grega, arriscarão outros. Todos estão certos, digo eu.

(Calamity, o sábio que a impressionou com a questão dos “Z” foi um meu antigo discípulo, infelizmente dos menos brilhantes, tão pouco capaz que tivemos que o designar para palestras na SIC Mulher. Esse meu discípulo, a quem são apontadas notórias preferências sexuais alternativas, criou essa infeliz teoria no que concerne à letra “Z”. Felizmente foi recentemente desmontada a cabala e a tese que esse infeliz defendia foi desmentida pela realidade dos factos. É hoje aceite por toda a comunidade que uma utilização mista de “Z” traçado e não traçado é sinal inequívoco de uma sexualidade transbordante, plena de sensualidade e afecto, um hino à masculinidade e sua consumação plena.)

30 comentários:

  1. Ai, Visconde. Não tenho dúvidas nenhumas que há muita música em si...
    (e agora vou ler o resto)

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  2. Definitivamente, o seu mundo devem ser mesmo números... ou númenos.

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  3. Como é que dizia a Rachel? Tá bem abelha?!!! :D

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  4. elle, neste caso é mais tá bem zangão...

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  5. claro tereza!!

    aliás, o que distingue o zangao de uma abelha é o porte - uma coisa assim mais para o corpolento e altivo - e a falta de ferrão...

    tsss tsss...

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  6. elle, elle, há tanta coisa que a minha cara tem que saber sobre zangões...

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  7. zangãos, meu caro, zangãos, veja se aprende a escrever!

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  8. anónimo com ferrão19 de abril de 2009 às 22:56

    Zangado/a, anónimo, sempre zangado/a.
    Isso deve doer...

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  9. e há abelhas com ferrões capazes de magoar muito

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  10. Obrigado, Anônimo. Tem toda a razão. Zangãos, certíssimo.

    (não costuma falhar, um homem esvazia o assunto, concorda com elas e elas vão lá à sua vidinha...)

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  11. Às vezes, Visconde, ás vezes, que os zangões e as zangonas são muito insistentes...

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  12. (e não é que fiz outro 11? Deve ser sina...)

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  13. Isso porque começou o 007 e esse sim é um verdadeiro gentleman!

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  14. Ora muito bem, já vai ter com que se entreter....

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  15. Yes! Resultou.

    (isto são muitos anos a virar frangos...)

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  16. Visconde, dê um saltinho à mercearia... Vai ver como encontra o produto que estava à espera. E na prateleira da frente.
    (e ainda duvida de mim...)

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  17. fui só por uma roupinha de molho...


    conte-me tudo, caro Visconde, conte-me tudo (sobre zangãos, que de frangos, percebo eu. e de os virar também...)

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  18. sem se ver, ainda bem que apareceste. ajuda-me lá.
    Aquele "mito" ali no título é no sentido popular, não é?

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  19. é. no sentido de lenda fantasiosa e fantasista.


    havia de ser o quê?

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  20. Elle, acha que me ía colocar assim nas suas mãos, para a menina me cortar às postas?

    (Nem pensar...)

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  21. sem-se-ver, você nunca me perdoou aquilo dos professores, minha querida...

    (e agora vou ter que ir ali)

    (parece que está a dar o zero zero sete, eu sou louco pelo zero zero sete...)

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  22. não é cortas às postas, Visconde, é trinchar... (uma ciência)

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  23. Elle, Elle...

    (na verdade, lá mesmo no fundo, acredito que a menina não o faria)

    (é como diz, há que ter mão certa)

    (escalar, ainda vá lá)

    (mas quem é que que escala, hoje em dia?)

    (tirando o João Garcia, mas veja bem o que lhe aconteceu à extremidades)

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  24. escalar?



    (impressionou-me, Visconde)

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  25. Mais uma vez sou obrigada a esclarecer. Talvez falando um pouco mais alto: NÃO FALEI EM ZZ TRAÇADOS, MAS SIM NAS CAUDAS DOS DITOS. OU SEJA AQUILO QUE DESCE DO CORPO PRINCIPAL DA LETRA E FICA POR DEBAIXO DA LINHA, QUANDO SE ESCREVE EM PAPEL PAUTADO OU QUADRICULADO.

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